2 de abril de 2015

TERROR NO QUÊNIA! MAS QUEM SE IMPORTA?

CIRES PEREIRA

Guerrilheiros do al-Shabaab
Um novo atentado ocorreu no Quênia causa a morte de 147 pessoas e as mídias internacional e nacional parecem se importar mais com atentados que vitimam judeus, cristãos, brancos, europeus, americanos do que estes que vitimam muçulmanos, africanos, asiáticos, árabes, latinos, etc. Não encontraremos na imprensa nacional a cobertura que esta destinou ao recente atentado em Paris que subtraiu as vidas de chargistas de uma revista francesa. Portanto a consternação ficará circunscrita à uma pequena parcela de brasileiros que realmente se importa.


O Grupo Al-Shabaab já reivindicou a autoria de mais este terrível atentado. Al-Shabaab é grupo radical islâmico sunita vinculado à Al Qaeda com atuação prioritária no nordeste do continente africano. Tendo como base a Somália, o Al-Shabaab tornou-se muito famoso em razão de um atentado no shopping da capital queniana, Nairobi, em setembro de 2013. 

Leia texto sobre este atentado acessando o link a seguir: http://www.escritaglobal.com.br/2014/04/terror-em-nairobi-quenia_19.html

Nesta quinta-feira dia 02 de abril de 2015 um novo atentado ocorreu deixando 70 mortos e mais de 80 feridos na Universidade de Garissa, localizada no nordeste do Quênia. O grupo informou que mantem cristãos como reféns, ainda não se tem informações do paradeiro de outras quinhentas pessoas. O governo queniano informou que não tem notícias de 535 estudantes que podem estar mortos ou sob tutela dos terroristas. 

Como era de se esperar, o grupo Al-Shabaad justificou este atentado como uma represália ao governo queniano que insiste em manter tropas na Somália. Nos últimos 15 anos tem sido frequentes pequenos atentados reivindicados pelo Al-Shebaab, ligado ao Al-Qaeda, contra alvos no Quênia.

A GUERRA CIVIL SOMALI 


Após a queda do presidente Siad Barre em 1991, o novo presidente Ali Mahdi Mohamed, também não conseguiu pacificar o país e acabou destituído meses depois, em dezembro de 1991. Desde então os somalis assistem, impotentes, a uma guerra que já ceifou 500 mil vidas, a maioria crianças, mulheres e anciãos. Os governos mais recentes - Abdullahi Yusuf Ahmed (2006-2012) e Hassan Sheikh Mohamud (2012..) -, mesmo tendo os reconhecimentos da ONU e da comunidade internacional não tem conseguido colocar termo à guerra civil, travada entre as tribos rivais comandadas pelos "senhores da guerra" e as milícias islâmicas, sobretudo o Al-Sahbaad. 

Apelos e mais apelos tem sido feitos pelos órgãos em defesa dos direitos humanos de todo o mundo para que haja uma intervenção mais consequente na Somália para pacificar o país. É incrível como ainda não foi aprovado recursos e tropas de pacificação da ONU para este pobre país abarrotado por miseráveis e indefesos seres humanos. São imperativas uma atenção mais consistente sobre os problemas na região e uma ação mais firme contra o terrorismo. Uma ação que decorra de consensos multi-diplomáticos envolvendo a Liga Árabe, a ONU e, obviamente, as partes envolvidas na guerra somali. 

Presidentes queniano (Uhuru Kenyatta) e somali (Hassan Sheikh Mohamud)

Não se pode mais assistir, passivos, impotentes e indiferentemente ao drama que vivem os povos das regiões mais pobres do mundo. É preciso por um fim nos radicalismos que, de toda natureza, obrigam diásporas e ceifam vidas indefesas e inocentes que precisam de atenção, paz, comida e remédios. Antes disto é igualmente imperativo que governos, empresas, diplomatas e militares de todos os cantos do mundo façam um exame de consciência, pois muitos dos seus atos e decisões tem uma relação direta com o radicalismo ou o extremismo.

A não observância destes que são, não os meus conselhos, mas de todos envolvidos na questão e que tem se debruçado sobre a questão, implicará em mais atentados que poderão se tornar cada vez mais frequentes e intensos. Os que no mundo protagonizam o debate e as decisões sobre os problemas de ordem econômica, de ordem financeira e de ordem ambiental, deveriam deixar de lado seus gabinetes e palácios bem mobiliados e se deslocarem para estas regiões. Quem sabe assim as decisões e as intervenções sejam céleres e consequentes. 

Não há qualquer dúvida de que os custos de uma operação como esta seriam muito menores do que os custos que os governos mais poderosos da terra tem tido para socorrerem grandes empresas privadas no curso de uma crise econômica que se arrasta há oito anos. 

Combatendo as causas do terrorismo, os governos mais poderosos poupariam muitas vidas e muitos recursos numa caçada sem muitos resultados práticos aos terroristas e radicais como tem se visto na Nigéria, na própria Somália, na Síria, no Iraque, na Turquia, no Paquistão...

Postar um comentário