O AVANÇO DOS RADICAIS EM MEIO À IMPOTÊNCIA DOS MODERADOS

Cires Pereira

As atrocidades cometidas pelos militantes do EI (Estado Islâmico) parecem não ter fim. Até mesmo os governos na região, incluindo o famigerado governo sírio de Bashar al-Assad, estão recebendo auxílio das tropas da OTAN, contudo nada parece intimidar os jihadistas do EI.

O governo brasileiro na última Assembléia da ONU considerou que o uso da força não seria suficiente para dissuadir os radicais jihadistas. Na ocasião, Dilma chegou a sugerir outra alternativa, a saber: dialogar com os setores moderados envolvidos em conflitos que tenham como pano de fundo a questão islâmica e/ou Oriente Medio e isolar o radicalismo, dentre os quais o Estado Islâmico

Muitos consideraram a tese do governo brasileiro, incluindo a oposição e a maior parte da mídia nacional, um absurdo. A argumentação, comumente usada por estes, era que "não se deve dialogar com decapitadores". Um argumento que se alinha aos argumentos, historicamente, usados pelos governos dos EUA e de Israel. Esta tática usada pelos americanos e israelenses tem sido pouco exitosa, afinal de contas o terrorismo tem se intensificado. O governo brasileiro não propôs dialogo com "decapitadores", pois os mesmos, em tempo algum, pareceram e parecem querê-lo. Propôs o diálogo com forças moderadas de ambos os lados, entendendo que este é o meio mais adequado para diminuir a força que grupos como o Boko Haram, Al Qaeda e Estado Islâmico demonstram ter.

Não há outro caminho a seguir senão o combate às causas produtoras de fanatismos desta natureza valendo-se de uma agenda e de um comando diplomatísticos como propõe o Brasil.

Alguns lideres mundiais, depois de tantos "murros em ponta de faca" sinalizam, ainda que timidamente, disposição por este o caminho propugnado pelo Brasil.

Caso o "Ocidente" continue com esta estrategia - combate in loco" -, o Boko Haram, o Estado Islâmico e a Al Qaeda continuarão recrutando pessoas no mundo inteiro para as suas ações que tendem a ser mais intensas e frequentes. O mundo continuará inseguro como convém à industria bélica, às seguradoras e aos setores mais conservadores.
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