FUVEST 2015 DICAS PROVA DE HISTÓRIA 2ª FASE

PROFESSOR CIRES PEREIRA


Vestibulandos qualificados para a 2ª fase da FUVEST seguem abaixo 08 (oito) dicas para a prova de história a ser aplicada no dias 05 e 06 de janeiro (segunda feira). Lembrando que no domingo dia 04 de janeiro todos farão a prova dissertativa de português e uma redação.

01) A decadência e o colapso do Império Romano do Ocidente (Séculos II ao V).
A retração da economia até então comandada pela comércio entre Roma e suas colônias, a escassez de mão-de-obra que desagregou o regime de escravidão abrindo lacunas preenchidas para o colonato que, com algumas alterações, originou a servidão no período medieval, a crise no poder temporal romano (político e militar) face ao avanço do cristianismo. 
A ruralização da sociedade europeia, a agrarização da economia e o avanço do cristianismo se juntaram às incursões e sedentarização das comunidades germânicas  tornando inevitável o esfacelamento do Império Romano Ocidental no século V e a formação da ordem feudal a partir de então.

02) O quadro político e econômico durante a transição feudo-capitalista no "ocidente europeu".
A crise que se abateu sobre a Europa Ocidental colapsou, em última instância, o sistema feudal, contudo vestígios deste sistema subsistiram ao longo da época moderna (1453...1789) tendo que coexistirem com elementos que tipificam o sistema capitalista, como a economia de mercado. Este foi o contexto da ordem absolutista implantada pelo conjunto dos Estados nacionais europeus, ordem erigida em comum acordo com as elites nacionais: tradicionais (clero e nobreza) e emergentes (burguesia). 
Os objetivos do monarca absoluto eram: conservar os privilégios da nobreza e do clero, pois eram estes setores importantes para a conservação da autoridade temporal do rei e proporcionar lucros crescentes para a burguesia nacional respectiva em processo de afirmação, pois o monarca sabia que sua autoridade tambem dependia da sustentação material do Estado e do Governo possível com a arrecadação de tributos. 
A burguesia nacional, entretanto condicionava o seu apoio ao governo absoluto do monarca à eficácia do conjunto de medidas econômicas adotadas pelo governo. Quanto maior a eficácia destas medidas, maiores eram os lucros e, por conseguinte, os investimentos privados e a arrecadação de tributos pelo governo. Com o mercantilismo o governo tornava-se mais forte e a burguesia mais rica.

03) O declínio e o colapso do sistema colonial na América na passagem da época moderna para a época contemporânea.
Ao longo três séculos a América serviu, na condição de colônia, aos propósitos das economias, burgueses e governos metropolitanos. A ordem era produzir bens a custos baixos e em grande quantidades para serem trocados por manufaturas com preços, geralmente acima do que valiam, predefinidos nas metrópoles. Este modelo era, crescentemente, excludente para o conjunto dos trabalhadores nas áreas colonizadas, cuja maioria era submetida às formas compulsórias de trabalho e às precárias condições de sobrevivência. As elites coloniais, sentiam-se, de certa forma excluídas, pois tinham consciência que as cargas tributárias e os lucros fartos da burguesia sediada na metrópole "engessavam" os seus lucros e a diversificação de seus investimentos. 
Estas contradições inerentes ao sistema colonial tornavam-se cada vez maiores e mais visíveis criando um desejo de libertação das regiões colonizadas frente às metrópoles europeias. Até mesmo nas colônias onde o sistema não chegou a ser implantado de forma pura, como nas colônias inglesas de povoamento, o desejo de libertação era cada vez mais latente. 
Foi exatamente nestas colônias de povoamento que o movimento emancipacionista  teve início em 1770, sua campanha vitoriosa contra os ingleses sacudiu de uma vez por todas não apenas o domínio inglês nas 13 colônias mas os domínios espanhol e português em quase todas as regiões centro-americanas, caribenhas e sul-americanas nos anos seguintes.

04) As principais motivações da 1ª Guerra Mundial
A partilha das terras da África e Ásia, na segunda metade do século XIX, gerou muitos desentendimentos entre as nações europeias. Enquanto Inglaterra e França ficaram com grandes territórios com muitos recursos para explorar, Alemanha e Itália tiveram que se contentar com poucos territórios de baixo valor. 
No final do século do século XIX e começo do XX, as nações europeias passaram a investir fortemente na fabricação de armamentos. O aumento das tensões gerava insegurança, fazendo assim que os investimentos militares aumentassem diante de uma possibilidade de conflito armado na região.
A questão dos nacionalismos: Além das rivalidades geradas pelas disputas territoriais e coloniais, havia o pan-germanismo do II Reich Alemão, o pan-eslavismo russo, o revanchismo francês e o irredentismo italiano como manifestações nacionalistas que tornavam inúteis os apelos diplomáticos.  
A questão balcânica: os desentendimentos entre os governos provocados pelos seus desejos sobre a região e a estimulação, pelo governo sérvio, de movimentos nacionalistas que pudessem congregar a região sob o comando da Sérvia. Este foi o pano de fundo do atentado ocorrido no verão de 1914 que precipitou as hostilidades entre sérvios e austríacos acionando inapelavelmente a aliança dos países centrais europeus (Tríplice Aliança) e a Tríplice Entente (Império Russo, Inglaterra e França).
05) As principais justificativas dos manifestantes de junho e julho de 2013 no Brasil.
Corrupção: muitos representantes em todos os níveis e em todos os poderes praticam tráfico de influência, malversam recursos, gastam de forma incompetente o que arrecadam e se corrompem. 
Carga de impostos elevada: os impostos que os governos recolhem (municipal, estadual e federal) absorvem quase 40 % de toda riqueza gerada em nosso país.

Serviços públicos de baixa qualidade: a segurança pública, a saúde pública e a educação pública estão muito a desejar, em que pese o fato de terem melhorado nos últimos 20 anos (administração peessedebista e administração petista). 
Na área da saúde e na área da educação, em que pese o fato de ter havido progresso nos últimos 10 anos, os manifestantes alegam que a situação ainda é precária.
A mobilidade urbana, como os precários serviços de transportes coletivos e sistema viário, nas grandes cidades isto é mais notório, os manifestantes alegam que pagam caro para serviços de qualidades duvidosas. Obras estão sendo feitas, mas não o suficiente para amparar esta explosão de demandas.
06) O contexto da implantação do regime ditatorial no Brasil em 1964.
Parte influente e expressiva do comando das forças armadas brasileiras destituiu João Goulart do PTB que havia assumido o governo em 1961, após a renúncia do Presidente Jânio Quadros. Os militares golpistas tinham uma opinião convergente com as elites nacionais, o capital estrangeiro e o governo dos EUA de que Jango estaria estimulando e facilitando o avanço das esquerdas brasileiras valendo-se de uma agenda de governo que ia além das concessões que o capital poderia fazer. 
Como o governo jango se inscrevia num cenário regional marcado pelo avanço das esquerdas entusiasmadas com a situação de Cuba depois da revolução de 1959 e num cenário mundial caracterizado pela polarizada disputa multifacetada entre os EUA e a URSS pelo comando do mundo. Os militares não teriam agido se não tivessem a convicção de que teriam guarida do governo dos EUA, das elites nacionais e do capital estrangeiro.

07) Como reagiu o governo dos EUA aos atentados perpetrados pelo Al-Qaeda em setembro de 2001?
O Governo G. W. Bush, logo após os atentados em 11 de setembro de 2001, determinou uma política externa pautada no combate, sem tréguas, aos "inimigos da ordem mundial capitaneada pelos EUA". O objetivo era conter e eliminar as organizações terroristas bem como os governos que estimulavam, financiavam ou acobertavam estas organizações ("eixo do mal"), como eram os casos dos governos Saddam Hussein, do Talebans no Agfeganistão, do Irã (Mahmud Ahmadinejad) e do Sudão (Al-Bashir).


08) O avanço das opções progressistas na América Latina no contexto da Guerra Fria.


  • Em Cuba
Em 1959 o MR26, fundado por Fidel e Raúl Castro durante o exílio no México, e os liberais se uniram para derrotarem pela via armada a ditadura pró EUA do General Fulgêncio Baptista. 
Com a ascensão de Fidel ao governo cubano e o anúncio de reformas que sinalizavam para o socialismo em detrimento de um programa mínimo acordado com os liberais, estes optaram em abandonar o governo. 
Diante das sanções impostas pelos EUA e as tentativas de contrarrevolução, Fidel optou por estreitar laços com a URSS e fundar um Partido (PC Cubano) para sustentar politicamente o novo regime. 
Mesmo com o fim da Guerra Fria e as reformas de cunho liberalizante na área econômica nos anos 90, o governo dos EUA ainda mantem o embargo comercial à Cuba e se compromete em suspendê-lo com a liberalização política e o fim do regime de partido único em Cuba, o impasse tende a subsistir por muito tempo ainda. 
  • No Chile
Salvador Allende disputou as eleições chilenas em 1970 e venceu com mais de 33% dos votos, derrotando os partidos direitistas e pró-EUA. Durante a campanha prometeu que promoveria reformas que pudessem caminhar para o estabelecimento do socialismo (agrária, urbana, educacional, etc). Sofreu forte oposição dos setores médios e das elites chilenas que, optaram em acionar as forças armadas para intervirem impedindo o aprofundamento das reformas pró-socialismo.
Em 11 de setembro de 1973, o General Augusto Pinochet comandou a ofensiva militar que resultou na morte de Allende, no colapso do Estado democrático e no estabelecimento de um regime ditatorial que subsistiu durante 16 anos. Amparado pelos EUA e valendo-se de uma gestão liberalizante, Pinochet governou com mão de ferro até 1989.
  • Na Nicarágua
A Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) fundada em 1961 tinha dois objetivos interromper a ditadura comandada pelo clã Somoza desde os anos 30 e instaurar o socialismo no país. 
Em 1979, a FSLN derrubou Anastácio Somoza Debayle  e estabeleceu um governo revolucionário em seu lugar, ao anunciar reformas socializantes, o governo do Presidente Daniel Ortega acabou perdendo o apoio dos liberais liderados por Violeta Chamorro. A FSLN passou então a governar o país com exclusividade desde 1981. Neste ano é organizado um grupo guerrilheiro denominado "Contras", apoiados pelos EUA, que passou a agir contra o governo.  
Parte da oposição optou em boicotar as eleições de 1984, mesmo assim os opositores do presidente Ortega conquistaram um terço do Parlamento.  A guerra civil estendeu-se até o final da década de 80. Um acordo entre os "contras" e o governo permitiu que houvesse eleições em 1990, Ortega perdeu as eleições para os liberais liderados por Violeta Chamorro que prometia restabelecer o sistema baseado na propriedade privada e no lucro além de reaproximar-se dos EUA como meios para reerguer a economia nacional abalada pela guerra civil.
Após 16 anos de governos neoliberais e afinados com os EUA, o ex-presidente Ortega elegeu-se presidente em 2006 e voltou a vencer em 2011. Venezuela, Brasil, Argentina e Cuba estão entre os seus principais aliados do governo sandinista que abandonou as teses socialistas para a viabilização de um governo social-democrata. 
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