2014: RETROSPECTIVA 2ª PARTE - BRASIL

CIRES PEREIRA


ELEIÇÕES NO BRASIL

O Brasil foi às urnas escolher um novo governo nacional, os governos estaduais e os legislativos respectivos. Houve, como era previsível a polarização entre dois projetos. Dilma, amparada pelo PMDB e PT, sagrou-se vitoriosa por uma pequena margem de vantagem em relação à Candidatura de Aécio Neves, esta amparada pelo PSDB e DEM além dos apoios recebidos no 2º turno da Candidata Marina Silva do PSB que substituíra Eduardo Campos tragicamente morto durante sua campanha. No segundo turno Dilma derrotou Aécio em importantes colégios eleitorais como o carioca e o mineiro além da maioria dos Estados do Nordeste e Norte. Os colégios eleitorais do sul, centro oeste e de São Paulo preferiram Aécio, contudo os percentuais não foram suficientes para derrotarem Dilma Rousseff.


A ECONOMIA NACIONAL

A economia brasileira sentiu mais do que nos últimos anos os efeitos da crise econômica internacional. Era inevitável que isto ocorresse de forma mais notável, pois os potenciais investidores externos, geralmente mais conservadores em suas inversões, voltaram a aplicar em títulos e ações nas economias centrais (EUA, Europa Ocidental e Japão). Esta conduta dos investidores externos repercute entre os investidores internos que passam a investir menos. 

O governo para estimulá-los, sobretudo os investidores internos, reduziu encargos, como o IPI, e estimulou o consumo interno mantendo a política de valorização do salário mínimo  e os programas de transferência de rendas como o Bolsa Família. Contudo, tais medidas não impediram a desaceleração econômica e nem o controle da inflação. A economia nacional cresceu em 2014 abaixo das estimativas do início do ano e deverá fechar com algo próximo à 0,3% e a inflação próxima ao teto da meta, outro problema o não cumprimento do superávit fiscal primário (recursos poupados para pagamento de dívida pública). De qualquer modo o desemprego continuou em nível baixo levando-se em conta outros períodos no Brasil.

Esta situação força o governo a tomar medidas ainda mais enérgicas para enfrentar os problemas gerados em 2014 e dois sinais foram emitidos pela nova equipe econômica, liderada por Joaquim Levi mais identificado com o "mercado" e de viés menos heterodoxo, anunciada pela Presidente Dilma, reeleita em 26 de outubro: reduzir os gastos da previdência como um maior rigor para a concessão de seguro-desemprego e saque do PIS de um lado e o compromisso em fazer um superavit fiscal primário de 1,2 % do PIB em 2015. A redução dos gastos do governo aliada à suspensão de medidas de desoneração tributária são indicadores, ainda que insuficientes para o cumprimento desta meta que tem por objetivo mitigar a desconfiança dos investidores na economia nacional.

A COPA NO BRASIL

O Brasil recepcionou a Copa do Mundo de Futebol e conseguiu cumprir minimamente as exigências da FIFA e dos torcedores, foi um campeonato com muitas emoções e surpresas, mas acima de tudo ficou patente a competência dos realizadores da Copa do Mundo, contrariando previsões menos otimistas de que a Copa seria um fiasco. Alguns analistas de parte da imprensa e a oposição de modo geral afirmam que os gastos governamentais e privados não compensaram o retorno. De fato o próprio governo esperava que houvesse uma reação maior do PIB. A meu ver, a economia nacional teria fechado 2014 no vermelho se não tivesse havido a Copa do Mundo no Brasil, portanto o meu balanço é positivo. As obras de mobilidade urbana, ainda que não tenham sido concluídas, tem melhorado a condição de vida dos moradores das cidades-sedes.

A SECA 

A estiagem em 2014 foi prolongada o que comprometeu a geração de energia obrigando o governo a fazer uso da energia nuclear que, sendo mais cara, implicará num aumento maior do que o previsto para os consumidores. Comprometeu também os reservatórios, especialmente no estado de São Paulo o que contribuiu para desaquecer a economia nacional. Este cenário coloca um desafio para os próximos anos: poupar água e ampliar os investimentos para a ampliação das represas e o tratamento de água. As chuvas que caem neste momento não conseguirão resolver todos os problemas de falta de água, serão necessárias mais campanhas de conscientização pelo uso racional da água no Brasil e da energia. 

A VIOLÊNCIA

A violência urbana continuou preocupante em razão do avanço do uso de Crack, do esgotamento do sistema prisional brasileiro e da sensação de impunidade por conta dos limites de investigação de crimes e da morosidade da justiça no Brasil.


A CORRUPÇÃO

O escândalo de corrupção na Petrobras: Uma força-tarefa envolvendo o Ministério Público, o Poder judiciário do Paraná e a Polícia Federal foi montada no início do ano para investigar indícios de corrupção envolvendo obras da Petrobras e seus fornecedores. Dois flagrados em delito fizeram opção pela "Delação Premiada" - o diretor da estatal Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef - para comutarem suas previsíveis penas. Até o momento muita coisa já foi desvendada como o envolvimento das principais construtoras brasileiras no esquema de obras superfaturadas, estima-se que muitos dos recursos amealhados pelos corruptos sejam devolvidos, mas os danos são ainda maiores. 

A imagem da companhia está sendo atingida, neste momento suas ações não valem menos do que 35 % do valor de seu patrimônio. Muitos desdobramentos são esperados com o desvendamento da participação ou não de membros do congresso nacional, governantes, etc. 

Veja a 1ª parte da retrospectiva 2014 clicando aqui: http://www.escritaglobal.com.br/2014/12/2014-retrospectiva-1-parte.html
0