2014: RETROSPECTIVA 1ª PARTE



RETROSPECTIVA: MUNDO


O cenário internacional continua delicado em razão da retração da economia global que, iniciada nos EUA no segundo semestre de 2007, teima em não arrefecer por completo. Esta retração decorre do esgotamento do neoliberalismo, modelo econômico caracterizado pela desregulamentação econômica e flexibilização dos direitos trabalhistas que compromete a capacidade da sociedade em comprar e consumir o que é produzido e comercializado.


As principais economias europeias tiveram um desempenho econômico em 2014 preocupante. A comissão europeia, braço econômico da “União Europeia” prevê um crescimento econômico de apenas 0,8 % na Zona do Euro, portanto abaixo das previsões do início do ano que era em torno de 1,2 % de crescimento. Este cenário manteve os indicadores sociais como emprego e renda no nível de 2013, portanto inferiores às médias históricas.

Outra face igualmente perturbadora do cenário internacional tem sido o avanço dos movimentos e organizações que se valem da ação violenta (sequestros, ataques com homens-bombas, etc) contra governos ocidentais e seus aliados vistos como prejudiciais aos seus costumes e crenças amparados por leituras fundamentalistas do Corão. Como exemplos mais impressionantes o grupo Boko Haram que atua na região da Nigéria, o Estado Islâmico que atua nas regiões fronteiriças da Síria, do Iraque e da Turquia e o Al-Qaeda que tem suas células espalhadas pelo mundo.

Em Julho realizou-se em Fortaleza (Brasil) a VI Reunião de Cúpula dos BRICs, um bloco constituído pelas principais potências emergentes: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, nela foi aprovada uma declaração que se constituiu numa nova alternativa ao pretenso hegemonismo dos EUA/União Europeia/OTAN. Esta declaração propõe entre outras coisas uma reformulação no Conselho de Segurança da ONU cujo formato e protagonismo são alvos de questionamentos dos governos e organizações defensores de uma Ordem Mundial Multipolar.

Os conflitos entre israelenses e palestinos recrudesceram neste ano com os enfrentamentos entre o Hamas que controla a Faixa de Gaza e tropas israelenses reduzindo as chances para um entendimento que possibilite o convívio harmonioso na região.

A Ucrânia é sacudida pelos protestos contrários ao governo pró-Rússia conduzido por Viktor Yanukovich que resultaram em sua queda e na instalação de um novo comando identificado com a União Europeia e hostil à Rússia. As regiões no leste, cuja maioria é favorável à Rússia, não se submetem ao governo instalado em Kiev. Um plebiscito na Crimeia decide pela secessão e vinculação à Federação Russa e nas demais regiões tropas são mobilizadas contra o governo Ocidental. No âmbito do conflito entre separatistas pró-Rússia e governo, um avião de passageiros da Malaysia Airlines que sobrevoava a região foi abatido ceifando 298 vidas.



RETROSPECTIVA: AMÉRICA LATINA

O ano de 2014 foi marcado em geral pela polarização política entre os governos mais identificados com as políticas neoliberais e em maior sintonia com a economia e o governo dos EUA, destaque para os governos mexicano, colombiano e chileno e os governos críticos deste alinhamento automático e incondicional ao neoliberalismo, com destaque para os governos argentino, brasileiro e venezuelano. Manteve-se, portanto, o equilíbrio na correlação de forças políticas e nos modelos econômicos, mesmo num cenário de retração do crescimento das economias latino-americanas e de contração dos indicadores sociais em flagrante melhora nos anos anteriores.


O quadro político na região foi marcado pelas disputas eleitorais que serviram para fortalecer mais ainda a democracia numa região que, num passado não muito remoto, era marcada por instabilidades, golpes e ditaduras. Na Colômbia, a reeleição de Juan Manuel Santos; no Uruguai o presidente Mujica auxiliou a campanha vitoriosa de Tabaré Vazquez; na Bolívia, a reeleição de Evo Morales; em El Salvador, a vitória da FMLN (ex-grupo guerrilheiro de esquerda) com a candidatura de Salvador Sanchez Cerén; na Costa Rica e no Panamá eleições presidenciais ocorreram sem percalços e a vitória de Dilma no Brasil frente ao oposicionista Aécio Neves.

O quadro na Venezuela continua ainda instável, uma situação que perdura desde a vitória do "chavista" Nicolas Maduro, por apenas 1,5 %  dos votos sobre o oposicionista Capriles nas eleições presidenciais de 2013 e o aprofundamento da crise econômica decorrente da valorização do petróleo no mercado mundial. No início do ano de 2014 esta disputa ganhou as ruas com a ocorrência de grandes protestos contrários e favoráveis ao governo Maduro. 

No México as relações espúrias entre política e narcotráfico continuam fazendo vítimas, em setembro 43 estudantes foram mortos na cidade de Iguala, cujo prefeito (José Luis Abarca) tem ligações com o cartel de traficantes "guerreiros unidos" que atua nos Estados de Guerrero e Morelos. As investigações federais mostram que os 43 estudantes foram detidos e levados pela polícia que entregou ao grupo "Guerreros Unidos" que se encarregou em executá-los. Os corpos não foram ainda encontrados.

Na Argentina observou-se o agravamento da crise econômica em razão da diminuição da confiança dos investidores na capacidade do governo argentino em honrar seus compromissos depois que a Suprema Corte de Justiça dos EUA deu ganho de causa para um grupo de credores daquele país que não aceitaram uma proposta de negociação feita pelo governo da Argentina após a crise de 2001. 

Cuba/EUA: as negociações até então feitas sob sigilo resultaram num acordo entre os governos de Cuba e dos EUA que poderão levar ao fim o embargo comercial imposto a Cuba pelos EUA logo após a revolução cubana de 1959. Por enquanto restabeleceu-se a relação diplomática entre os dois países.

 

RETROSPECTIVA: ESPORTES

O Brasil sediou a copa do mundo de futebol, mas quem sagrou-se campeã foi a Alemanha que também protagonizou a maior surpresa na competição derrotando o previsível selecionado brasileiro por contundentes 7 a 1.

O Real Madrid venceu o Atlético de Madri na final da Champions League ou campeonato europeu de clubes por 4 a 1 na prorrogação.

O time do Papa Francisco, San Lorenzo da Argentina, tornou-se campeão da Libertadores das Américas. Na final do interclubes mundial  o time argentino foi derrotado para o Real Madrid no  no continente africano.

O Brasil saiu-se muito bem na natação e no surfe. No campeonato mundial de natação em piscina de 25 metros, o Brasil conquistou a primeira colocação, um feito inédito. No surfe, o brasileiro Gabriel Medina surpreendeu a todos ao sagrar-se campeão mundial no Havaí (EUA).

O Cruzeiro Esporte Clube voltou a vencer o campeonato brasileiro de futebol enquanto o título da Copa do Brasil ficou com o Clube Atlético Mineiro. Tornando-se ambos os times de Belo Horizonte os principais vencedores do futebol brasileiro em 2014, um feito inédito.

O ano de 2014 foi marcado pelas mortes de duas das maiores lendas do futebol mundial, o português Eusébio e o argentino Alfredo Di Stéfano. Também faleceram os brasileiros Bellini, Fernandão, Washington e Assis.


RETROSPECTIVA: SAÚDE

O número de mortos pela epidemia de ebola na África Ocidental chegou a 7.693 (outros 15 óbitos ocorreram foram da África) em um total de 19.695 casos registrados nos três países mais afetados, segundo balanço divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os governos tem feito pouco considerando o que podem e o que a região precisa, na contramão disto, o Governo Cubano enviou um grupo constituído por enfermeiros e médicos para a região afetada pelo Ebola.

A infecção pelo vírus chikungunya chegou ao Brasil, o número de casos já é superior a 1.300. De acordo a OMS, o vírus já vinha circulando nos últimos anos pela África e pela Ásia, principalmente no subcontinente indiano. Mais recentemente,  foram identificados casos na Europa. Em dezembro do ano passado, a doença chegou ao Caribe – a primeira ocorrência de surto nas Américas. A febre chikungunya é causada por vírus do gênero Alphavirus, transmitida por mosquitos Aedes, sendo o Aedes aegypti (que também transmite a dengue) e o Aedes albopictus os principais vetores. A virose é de baixa letalidade.

Meninas de 11 a 13 anos de todo o Brasil começaram a receber, desde março a  vacina conta o vírus HPV, que protege contra o câncer do colo de útero.  Em seis meses, 4,3 milhões de meninas nessa faixa-etária já foram vacinadas, atingindo 87,3% do público-alvo - uma das maiores coberturas para essa vacina em todo o mundo. Duas das três doses já foram ministradas neste ano.


Em vigor desde janeiro de 2014 a nova Lei de Saúde dos EUA – Affordable Care Act (ACA), conhecido também como “Obamacare”. Todas as pessoas que vivem nos EUA serão obrigadas a comprar algum tipo de seguro-saúde. De acordo com a lei, os cidadãos que recebem até U$45.9 mil ao ano por pessoa ou U$62 mil por casa ou U$94 mil por uma família de quatro pessoas poderão ser beneficiados com subsídios do governo federal, os imigrantes ilegais não tem estes subsídios.

Estudo realizado pela UFMG no mês de setembro de 2014, em 200 cidades com 4 mil pessoas - o equivalente a 5% dos municípios atendidos - mostrou que 80% disseram estar satisfeitos com o acompanhamento feito pelos médicos e 86% consideraram que o atendimento melhorou depois da chegada dos profissionais vinculados ao Programa Mais Médico.

Veja a retrospectiva 2014 2ª parte (BRASIL) aqui: http://www.escritaglobal.com.br/2014/12/2014-retrospectiva-2-parte-brasil.html



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