ENEM 2014: DICAS DE CIÊNCIAS HUMANAS PARTE 2

PROFESSOR CIRES PEREIRA


Abaixo a parte 2 das dicas para a prova (ENEM 2014) de Ciências Humanas e suas Tecnologias. Para ler a primeira parte destas dicas clique no link abaixo: http://www.escritaglobal.com.br/2014/11/enem-2014-dicas-de-historia-parte-1.html


Ditaduras militares na América Latina: Argentina e Brasil

Mesmo tendo se constituídos como Estados baseados nos princípios liberais desde as emancipações políticas na primeira metade do século XIX, as elites na América latina optaram em não estender direitos políticos aos setores populares que, excluídos, não tardaram a reagir. O resultado destas reações populares foram as concessões graduais até que muitos destes Estados tornaram-se democráticos. 
A ordem democrática, comumente, não se materializou em razão do aparelhamento feito por lideranças e partidos populistas, como se viu na Argentina com Domingos Perón e no Brasil de Getúlio Vargas.  
Durante a guerra fria (1946/1991), diante do esgotamento dos governos populismos e do avanço de agrupamentos revolucionários, as elites nacionais, em comum acordo com o capital internacional, optaram pelos regimes ditatoriais conduzidos pelas cúpulas das forças armadas sob o seguinte argumento: a necessidade da ordem ou estabilidade interna para a retomada da prosperidade econômica, para tanto tornava-se imperativo conter o avanço das esquerdas alinhadas com o Bloco Socialista durante a Guerra Fria. O governo dos EUA se empenhou em colaborar com os golpes de estado (Argentina 1966 e 1976 e Brasil em 1964) e com a viabilização destes governos (Argentina até 1983 e Brasil até 1985) valendo-se de argumentação semelhante. 
México, governado pelo PRI e na Venezuela, governada ora pela "Accion Democrática", ora pela Democracia Cristã, as elites nacionais respectivas e o capital estrangeira nutriam confiança nestes governos, logo optaram em manter a ordem democrática. 

O avanço das opções progressistas na América Latina no contexto da Guerra Fria.

  • Cuba
Em 1959 o MR26, fundado por Fidel e Raúl Castro durante o exílio no México, e os liberais se uniram para derrotarem pela via armada a ditadura pró EUA do General Fulgêncio Baptista. 
Com a ascensão de Fidel ao governo cubano e o anúncio de reformas que sinalizavam para o socialismo em detrimento de um programa mínimo acordado com os liberais, estes optaram em abandonar o governo. 
Diante das sanções impostas pelos EUA e as tentativas de contrarrevolução, Fidel optou por estreitar laços com a URSS e fundar um Partido (PC Cubano) para sustentar politicamente o novo regime. 
Mesmo com o fim da Guerra Fria e as reformas de cunho liberalizante na área econômica nos anos 90, o governo dos EUA ainda mantem o embargo comercial à Cuba e se compromete em suspendê-lo com a liberalização política e o fim do regime de partido único em Cuba, o impasse tende a subsistir por muito tempo ainda. 
  • Chile
Salvador Allende disputou as eleições chilenas em 1970 e venceu com mais de 33% dos votos, derrotando os partidos direitistas e pró-EUA. Durante a campanha prometeu que promoveria reformas que pudessem caminhar para o estabelecimento do socialismo (agrária, urbana, educacional, etc). Sofreu forte oposição dos setores médios e das elites chilenas que, optaram em acionar as forças armadas para intervirem impedindo o aprofundamento das reformas pró-socialismo.
Em 11 de setembro de 1973, o General Augusto Pinochet comandou a ofensiva militar que resultou na morte de Allende, no colapso do Estado democrático e no estabelecimento de um regime ditatorial que subsistiu durante 16 anos. Amparado pelos EUA e valendo-se de uma gestão liberalizante, Pinochet governou com mão de ferro até 1989.
  • Nicarágua
A Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) fundada em 1961 tinha dois objetivos interromper a ditadura comandada pelo clã Somoza desde os anos 30 e instaurar o socialismo no país. 
Em 1979, a FSLN derrubou Anastácio Somoza Debayle  e estabeleceu um governo revolucionário em seu lugar, ao anunciar reformas socializantes, o governo do Presidente Daniel Ortega acabou perdendo o apoio dos liberais liderados por Violeta Chamorro. A FSLN passou então a governar o país com exclusividade desde 1981. Neste ano é organizado um grupo guerrilheiro denominado "Contras", apoiados pelos EUA, que passou a agir contra o governo.  
Parte da oposição optou em boicotar as eleições de 1984, mesmo assim os opositores do presidente Ortega conquistaram um terço do Parlamento.  A guerra civil estendeu-se até o final da década de 80. Um acordo entre os "contras" e o governo permitiu que houvesse eleições em 1990, Ortega perdeu as eleições para os liberais liderados por Violeta Chamorro que prometia restabelecer o sistema baseado na propriedade privada e no lucro além de reaproximar-se dos EUA como meios para reerguer a economia nacional abalada pela guerra civil.
Após 16 anos de governos neoliberais e afinados com os EUA, o ex-presidente Ortega elegeu-se presidente em 2006 e voltou a vencer em 2011. Venezuela, Brasil, Argentina e Cuba estão entre os seus principais aliados do governo sandinista que abandonou as teses socialistas para a viabilização de um governo social-democrata. 


Movimentos populares no século XIX e o ideário revolucionário

O estabelecimento dos Estados liberais no continente europeu e a prosperidade econômica ensejada pela industrialização não implicou, automaticamente, em melhorias sócio-econômicas e em inclusão política para o proletariado. 
Parte expressiva deste proletariado, ainda que minoritária, optou por reagir contra a exclusão ainda na primeira metade do século XIX, destaque para os movimentos ludita e cartista na Inglaterra e socialista na frança. Neste processo de mobilização o proletariado começou a se organizar em sindicatos e em partidos políticos, uns de orientação reformista e outros com uma orientação anti-capitalista ou revolucionária. 
Ao contrário dos reformistas que se limitam às demandas por melhores salários, tais como: redução das jornadas de trabalho e democratização do Estado, os revolucionários pregavam o fim da ordem capitalista através da ação revolucionária do proletariado e são representados pelo anarquismo proposto por Mikail Bakunin e pelo socialismo científico proposto por Karl Marx e Friedrich Engels. 
Bakunin propunha a ação direta e espontânea do proletariado com vistas ao "comunismo". Karl Marx propunha a ação revolucionária conduzida pelo proletariado organizado em partido revolucionário com o objetivo de instalar o "socialismo", uma etapa transitória e necessária para o "comunismo" no futuro.


EUA e a corrida para o oeste no século XIX
A adoção de m Estado Liberal sob o formato de uma república presidencialista e federativa, logo após sua emancipação frente à Inglaterra, foi decisiva para que houvesse um forte crescimento da economia baseada nas atividades urbanas no norte e nas atividades rurais no sul.
Os estados do norte tiveram um desempenho muito melhor do que os estados do sul pelo ato de produzirem bens com maior valor agregado e por estimularem, via assalariamento, o consumo interno tornando os lucros e os investimentos mais robustos. Com a ampliação do descompasso nos ritmos de crescimento do norte e do sul, os nortistas passaram a pressionar mais o governo para a adoção de uma política de expansão que, necessariamente, passava pela conquista dos territórios à oeste. 
Estes territórios foram adquiridos junto à França e à Inglaterra e anexados junto ao México ainda antes do término da primeira metade do século XIX, contudo era preciso que o governo fizesse muito mais do que uma simples apropriação, era preciso colonizá-los. A ideia era, a princípio tornar estes territórios potenciais produtores de bens primários para a nordeste e consumidores de bens industrializados no nordeste americano.  
Esta integração nordeste/oeste impulsional o nordeste mais ainda fazendo que ficasse inviável a manutenção do pacto federativo de 1787, o que levará à guerra civil de 1861, pois o sudeste não abria mão de manter a escravidão em seus domínios e das baixas tarifas praticadas pelo governo da União que incidiam sobre exportação e importação, um expediente importante para a economia sudestina. 

O colapso do Império Romano do Ocidente e a formação do feudalismo no Ocidente europeu.
As pressões exercidas pelos escravos, pelos cristãos e, principalmente pelo conjunto dos povos subordinados ao Império Romano e o esgotamento da política de anexações territoriais empreendidas pelos exércitos romanos levaram ao colapso a unidade do Império Romano.  Em 395, a divisão foi definitiva: De um lado,o Império Romano do Ocidente, com capital em Roma, e, do outro, o Império Romano do Oriente, ou Império Bizantino, com capital em Constantinopla. 
A instabilidade social aliada à retração das atividades mercantis fizeram com que muitas pessoas evadissem para as "vilas romanas" (propriedades rurais privadas), sendo em acolhidas pelos proprietários rurais que lhes davam trabalho em troca de subsistência, num regime de colonato que evoluirá para o regime de servidão, enfim o escravismo definhava no ocidente europeu.
Como O Império não tinha mais condições de guarnecerem suas fronteiras ocidentais, os povos "bárbaros" entravam e fixavam-se nas regiões mais fronteiriças até que incursões bárbaras mais contundentes desde o final do século IV implodiram a frágil unidade do Império. As invasões se estenderam ao longo do século V. Os visigodos saquearam Roma em 410, e os vândalos em 455; os francos, após saquearem Roma, ocuparam a Gália; anglos, saxões e jutos invadiram a Bretanha; burgúndios, o sul da França; lombardos, o norte da Itália; e, em 476, os hérulos, seguidos pelos ostrogodos, depuseram o último imperador Rômulo.
Vale registrar que o aprofundamento das relações entre os donos das terras (senhores feudais) e os camponeses nelas abrigados consolidaram o sistema feudal baseado no trabalho não remunerado como contrapartida dos camponeses para merecerem proteção, alimentação e pouso nos feudos. Um regime de trabalho devidamente justificado pelo clero vinculado à Igreja Cristã que à época compunha com os nobres ou senhores feudais a elite proprietária europeia.
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