DICAS VESTIBULAR FUVEST 2ª FASE 2014

CIRES PEREIRA



Breves comentários sobre as dicas para a segunda fase do Vestibular FUVEST 2014, lembrando de que estes não configuram uma resolução levando-se em conta os critérios da banca examinadora da FUVEST. 

As dicas estão em preto e os comentários estão em azul.

01 - O período helenístico entre 323 a.C e 30 a.C. Decorrente das conquistas de Alexandre “o grande”, foi marcado pela difusão da cultura grega por todos os territórios conquistados, com destaque para a expansão da filosofia (estoicismo, epicurismo) e ciências (Erasístrato, Arquimedes e Euclides) gregas. 

Alexandre ao conquistar seu vasto império encontrou maiores resistências na Hélade e na própria Macedônia e boa acolhida no Egito e na Pérsia. Alexandre procurava integrar estas civilizações e suas culturas. A cultura helenística resultou da integração entre os aspectos culturais egípcios, gregos e persas. Novos polos irradiadores foram constituídos  como as cidades de Alexandria, Pérgamo e Antióquia. Os estudos da Matemática, da ciências médicas, da geometria evoluíram. Na filosofia duas correntes de destaque: o estoicismo (prevalência da firmeza do espírito, a resistência a dor, a sujeição à ordem natural e o despojamento das coisas materiais) e o epicurismo (destaque para a busca do prazer).

02 - O Antigo Regime na Europa durante a "transição feudo-capitalista. A absolutização da autoridade do monarca decorrente de um conchavo entre elites tradicionais (nobres e clérigos) e emergentes (burguesia), características que são peculiares ao Absolutismo-monárquico e as diferenças entre as teses defensoras deste regime: Hobbes (contrato social) e Bossuet (Direito Divino).

Os poderes públicos constituídos na Europa Ocidental (a nível nacional ou não) passaram a ser regidos, comumente, pelo regime monárquico-absolutista. Caracteriza-se por uma gestão pública elitista, pois decorre de um conchavo entre a burguesia, os nobres e cúpula eclesiástica e de natureza autoritária. Os antagonistas eram, via de regra, combatidos e eliminados. O governo chefiado pelo(a) monarca preocupava-se em satisfazer os diferentes propósitos das elites nacionais e, geralmente, encontrava-se acima da legislação, dos tribunais e do parlamento (em algumas nações o parlamento não existia). Portanto o poder executivo tutelava os poderes judiciário e legislativo.

A grande diferença entre a tese hobbesiana e o pensamento de Bossuet reside no entendimento em relação à origem da autoridade. Para Hobbes a autoridade constituída decorre de um contrato social, no qual os contratantes deveriam renunciar a parte de seus direitos naturais como a liberdade em favor do contratado (monarca) que deveria governar com poderes absolutos. Para Bossuet esta autoridade é uma providência divina, portanto não é passível de refutação por parte dos indivíduos crentes em Deus.


03 - Uma abordagem sobre o uso da violência pelos governantes em nome das revoluções que comandam ou em nome da defesa dos interesses nacionais, atentem para os seguintes exemplos: Oliver Cromwell (1649/58), Maximilien Robespierre (1793/94), Stalin (1924/1953) e Hitler (1933/45). 

Valendo-se do argumento de que é preciso consolidar as conquistas revolucionárias (Cromwell. Robespierre e Stálin), assegurar a ordem interna e proteger o país dos adversários externos (todos), estas lideranças passaram a conduzir o Estado de forma arbitrária suprimindo dos direitos de liberdade das respectivas sociedades.
Cromwell diante da iminência de uma insurreição dos monarquistas abrigados em seu governo e da radicalização dos levellers e diggers optou por dissolver o longo parlamento em 1653 e passou a governar com poderes plenos até sua morte em 1658. 
Robespierre (1793/1794) alegando que a revolução e o país precisavam ser guarnecidos (de fato havia a iminência de uma invasão comandada por Austríacos e prussianos) comandou a ação violenta e intimidatória contra seus adversários ultrarrealistas, jacobinos raivosos, girondinos e planície.
Stálin (1924-1953) não hesitou em eliminar seus adversários valendo-se da tese de que a desunião colocava em risco o "Estado Socialista", através dos "processos de Moscou", da GPU, dos campos de trabalho e reeducação (gulags), etc.  A invasão alemã sobre parte da URSS levou o regime a ampliar o combate contra adversários internos e os invasores, montando uma temível máquina de guerra e de opressão.
Hitler (1933-1945) Implantou a ordem totalitária sob o argumento de que era preciso combater a esquerda desejosa pela revolução socialista e um governo revanchista e belicoso sob o argumento de que a Alemanha não deveria aceitar as humilhações impostas pelos vencedores de 1918, expressas no Tratado de Versalhes.


04 - As origens dos conflitos que tomaram conta da Europa na 1ª metade do século XX e que tiveram repercussões internacionais. Uma relação entre a fundação do II Reich e a 1ª Guerra Mundial ou entre o III Reich e a 2ª Guerra Mundial.

A apropriação de Alsácia e Lorena pelos alemães unificados sob a liderança de Otto Von Bismarck, o avanço impressionante da economia alemã que colocava sob ameaça o crescimento econômico franco-britânico, o poderio bélico do II Reich certamente estimularam a corrida por mercados, a militarização dos principais governos europeus e o sentimento nacionalista, fatores que certamente falaram mais alto do que o esforço diplomático pra evitar uma guerra aberta na Europa.

A crise que se abateu sobre a economia europeia provocou o colapso do modelo econômico liberal e o avanço ainda mais ameaçador das esquerdas. Na Alemanha que sentia os efeitos da crise e suas dificuldades (por força das cláusulas do Trat. de Versalhes) para superá-la provocou uma disputa acirrada pelo poder entre a extrema direita (PNSTA) e a esquerda revolucionária (PCA). Os nazistas (PNSTA) levaram a melhor e deram início a um regime arbitrário, instituíram uma gestão econômica
intervencionista, protecionista e nacionalista, pautando-se também por um governo revanchista e militarista, levando as potências para uma nova guerra em 1939.


05 - Os artistas e suas obras a serviço dos interesses e conveniências dos governantes: Jean Baptiste Lully e Luis XIV na França do Século XVII; Michelângelo, Boticcelli, Bruneleschi, Giotto e a família Medici em Florença; Jacques-Louis David e Napoleão no início do século XIX.

Todas instituições e autoridades instaladas numa sociedade pra terem robustez e longevidade precisam ter o amparo e legitimidade da mesma sociedade. Ao longo da História deparamos com esta situação a toda hora.  Por isso os governantes recorriam tambem aos artistas para que produzissem algo que valorizasse e justificasse seus governos, era fundamental encantar a sociedade.

O governo de Florença comandado pelos Médici que financiavam e protegiam alguns artistas e intelectuais renascentistas (mecenato) pois tais condutas davam maior visibilidade e prestígio aos seus governos. Por mais que os conteúdos de suas obras fosse criticista, estes mecenas geralmente eram poupados de crítica e sempre suas condutas eram elogiadas. 

Luis XIV (roi soleil) - 1643-1715 - tinha um séquito de bajuladores e defensores e de sua forma de governar. Jean Baptist Lully era um dos compositores mais elogiado e protegido em governo de Luis XIV, as obras de Lully estavam entre as mais usadas nas audiências e festas patrocinadas pelo governo. 

Napoleão escolheu Louis David pra ser um dos seus principais colaboradores, as obras deste pintor sempre foram pautadas em enaltecer o governo de Napoleão como garantidor das conquistas revolucionárias e o próprio Napoleão. Uma das característica do governo bonapartista era o personalismo, bem explorado pelo pintor.


06 - O avanço da economia cafeeira no Estado de São Paulo e suas relações com o fim do escravismo e o republicanismo.

A atividade cafeeira passou a ser a mais importante para a economia nacional nos oitocentos exigindo a ampliação dos espaços de cultivo. O oeste paulista passou a receber crescentes investimentos em detrimento do vale do paraíba e território fluminense, cuja atividade ainda era muito prisioneira de um modelo onde imperava o trabalho escravo imposto aos afro-americanos. Muitos fazendeiros passaram a recorrer ao trabalho livre e aos imigrantes, sobretudo vindos da Itália.

Este novo quadro social e econômico pressionava não só para o fim da escravidão como tambem pela refundação do Estado brasileiro dotando-o de uma perspectiva aparentemente moderna ensejada pela forma republicana. Lideranças abolicionistas e republicanas de alguma forma falavam a "mesma língua" desta nova elite cafeeira. Mas a proclamação da República não poderia implicar no estabelecimento de um Estado que pudesse ser controlado pelas massas e que fosse democrático, neste sentido o envolvimento do comando militar passou a ser providencial para que a República fosse proclamada de uma forma que somente as elites pudessem manipula-la e tira dela o proveito costumeiro.

07 - A expansão do estatismo econômico na América Latina a partir do colapso do modelo agroexportador e sua relação com o populismo e com as ditaduras militares.

A crise de 1929 iniciada nos EUA afetou o modelo agroexportador e agro minerador das economias latino-americanas, à época muito dependentes dos EUA. A solução encontrada em meu ao colapso deste modelo, foi a política de substituição de importações. Era preciso crédito para financiar esta mudança que os investidores nacionais e os governos não tinham, a solução foi recorrer a tomada de empréstimos junto aos credores internacionais. Grande parte deste crédito foi apropriado pelos Estados que além de interventores tornaram-se também grandes empreendedores. A participação do poder público cresceu de forma substantiva para a geração de commodities que haveriam de ser geradas para, a preços subsidiados, irrigar as empresas de capital internacional implantadas na região. Os governos, cada vez mais importantes para a economia, passaram a ser mais exigentes com o empresariado sob a alegação de que precisavam assistir melhor aos trabalhadores concedendo-lhes uma legislação mais protetora e menos punitiva. Esta foi a principal estratégia usada pelos populistas e militares, sobretudo ao longo do contexto da guerra fria - 1946-1989, além da repressão e do controle de suas organizações de classe, para mantê-los longe das esquerdas, afastando o "perigo vermelho". 

08 - A crise econômica de 2007/2013 e suas implicações nas economias centrais e periféricas, com destaque para as economias periféricas latino americanas: Brasil, Venezuela e México. A relação deste cenário de crise com o avanço da xenofobia nas economias centrais.

Nas economias como todo verificou-se uma queda na confiança dos investidores, com isso o crédito diminuiu. A queda na procura por ações negociadas em todas as "bolsas" provocou uma depreciação importante das ações. Empresas tiveram que demitir e reduzir seus investimentos, pois a prioridade passou a ser o pagamento de passivos para diminuir os custos com pagamento de juros destes mesmos passivos. Os governantes tiveram que socorrer as empresas à beira da insolvência. Este socorro aumentou o endividamento dos Estados, comprometendo suas capacidades de assistir e de empreender. Os efeitos desta crise são ainda notados nas economias europeias, norte americana e asiática onde o desemprego aumentou. 
A dificuldade de emprego nestas economias tem levado a ações governamentais limitadoras para os estrangeiros nestes países, geralmente estas ações tem tido o amparo e o aplauso das organizações sindicais locais contra o trabalho do imigrante. Esta situação tem facilitado o avanço de alternativas nacionalistas e neofascistas cuja bandeira principal é "a restrição aos imigrantes que comprometem o emprego do nosso povo"

Nas economias periféricas (Brasil, Venezuela e México são exemplares), isto é nas economias que são impulsionadas por atividades econômicas associadas ao setor primário e dependentes das exportações, tem havido retração nas exportações e na lucratividade com a desvalorização de algumas commodities como é o caso dos alimentos, petróleo e ferro. Este cenário compromete as arrecadações de tributos aumentando as dificuldades do poder público em assistir que precisa (desemprego, idosos, estudantes) e estimular os investimentos privados com redução de tributos ou incentivos de ordem financeira. O resultado tem sido também uma menor disponibilidade de recursos públicos pra fazer frente aos contratos celebrados anteriormente com credores.

09 - Os movimentos verde, antissegregacionistas, feministas e GLBT e da juventude nos contextos da guerra fria (sobretudo anos 60 e 70) e da nova ordem mundial, da globalização e do neoliberalismo.

No contexto da guerra fria, com destaque para o final dos anos 60 e início dos 70, estes movimentos tinham como propósito a liberdade, o fim do segregacionismo racial e a tolerância de gênero. Posicionavam-se contra um mundo regido pela influência do armamentismo, colocavam-se em favor da paz. 

No contexto da nova ordem internacional edificada a partir do colapso do "socialismo real" na URSS e no Leste europeu, estes movimentos continuaram passaram a agregar às suas demandas específicas a luta contra o neoliberalismo, contra a redução das assistências do poder público, contra a precarização da condição de vida d maioria e o desemprego resultantes de uma agenda em que a ordem é "reduzir os custos a qualquer custo". 


10 - Saúde e Educação no Brasil de hoje: os movimentos reivindicatórios, as greves dos professores, o "programa mais médico" do governo Dilma.

Dilma assumiu o governo federal no início de 2011 num momento de retração econômica internacional que já reverberava na economia nacional, os recursos públicos começaram a ficar estagnados por conta de um crescimento econômico pequeno. Por isso foi preciso recorrer ao um pequeno aumento da carga tributária e ao aumento de juros pra conter a inflação que poderia comprometer o poder de compra dos salários. Não fossem estas medidas o governo teria que cortar verbas para a educação e a saúde pública que ainda estão aquém das necessidades da sociedade brasileira. O resultado é uma explosão de cólera especialmente da classe média que é a que mais sente no bolso os tributos que paga e a que menos é assistida pelo Estado, esta é uma das origens dos movimentos reivindicatórios cujo elemento impulsionador foi a indignação da sociedade frente a insensibilidade dos governantes e legisladores, o mal uso do dinheiro arrecadado e a corrupção de parte dos agentes públicos.

No bojo destas manifestações ganhou relevo a mobilização dos trabalhadores da área de saúde que consideram as medidas do governo superficiais para resolver o problema da saúde, tem sido bastante criticado o programa "mais médico" do governo federal pela classe médica, por outro lado a sociedade brasileira parece reconhecer o esforço do governo e tem lhe dado apoio a vinda de médicos estrangeiros. Este apoiamento da maioria tem esvaziado o movimento dos médicos contrários ao programa.
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