9 de julho de 2014

"POBRE" SELEÇÃO BRASILEIRA

CIRES PEREIRA 


O futebol é o esporte mais popular no Brasil, nos gramados, nos terrenos batidos, nos carpetes, nas quadras de cimento e nas quadras de madeiras. Mais entre os homens do que entre as mulheres. Desperta paixões, provoca escaramuças, faz amigos e provoca inimizades. Gosto muito de futebol, já fui goleiro quando adolescente, e o meu time do coração é o Cruzeiro Esporte Clube de Belo Horizonte - campeão brasileiro de 2013. Torço também para o time da cidade onde moro, o Uberlândia Esporte Clube, atualmente na segunda divisão do campeonato mineiro. Assisto aos jogos do Cruzeiro e vou ao estádio para ver o "Verdão da Mogiana" como é chamado, carinhosamente o Uberlândia esporte Clube. 

Não acompanhava os jogos da seleção brasileira de futebol desde 2010, mas com a Copa no Brasil  em 2014 resolvi assistir e o que vi em nenhum momento me agradou, notei os mesmos erros que me afastaram da seleção em 2006 e 2010, por outro lado percebi a evolução das outras seleções e fiquei bastante impressionado com os EUA, a Colômbia e Costa Rica.


Para esta copa resolvi torcer para algum lado (é chato não ter para quem torcer), valendo-me do critério de exclusão, ou seja não torcer para nenhum selecionado europeu e, o segundo, optar pelas seleções do continente americano: assim fiquei muito satisfeito com as saídas precoces da Itália, da Espanha, da Rússia e de Portugal e com os êxitos de 6 seleções americanas (incluindo EUA e Brasil). Um outro critério seria torcer pelas seleções que tivessem os maiores percentuais de atletas atuando em seu país de origem, pois é público que a maioria dos atletas nesta copa atua  rico no futebol europeu. Com este critério jamais poderia torcer pela seleção brasileira composta por 80 % de atletas que atuam no exterior, alguns sequer testemunhei jogando em campos brasileiros. Por este critério as seleções russa, inglesa e alemã levam muita vantagem, isto porque  os times nestes países são muito poderosos e por isso conseguem manter muitos atletas jogando "em casa". O Brasil deveria tomar como exemplo o que se faz nestes três países  e considerar os velhos e vitoriosos tempos em que a base da seleção era constituída por jogadores que atuavam no futebol brasileiro.

Seleção de 1934: Somente 1 jogador atuava no futebol internacional


Sou brasileiro, amo meu país e torço por muitas coisas do meu país, contudo reservo-me do direito de não torcer para a seleção de futebol do Brasil, não gosto e não confio nos dirigentes deste esporte no Brasil, não tenho a menor simpatia pelo comando técnico da "seleção canarinho", a começar pelo Luis Filipe Scolari que tem dito que lamenta o fato de um jogador nascido no Brasil ter optado em jogar na seleção da Espanha mesmo tendo a possibilidade de defender a seleção do Brasil. O curioso desta história é que este técnico recentemente comandou a seleção de Portugal, logo não me parece que tenha reserva moral ou ética para rechaçar uma conduta semelhante do jogador. 

Este técnico preteriu jogadores que atuam no futebol brasileiro, ignorando o fato de que em alguns clubes (Internacional, Grêmio, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Corinthians,São Paulo, etc) ainda temos excelentes nomes que sequer foram testados antes da copa. Como exemplo temos o Cruzeiro (campeão brasileiro de 2013) tem nomes como Bruno Henrique,  Fábio, Everton Ribeiro, Lucas Silva que não foram testados. Scolari foi escolhido para dirigir a seleção não pelas suas qualidades técnicas mas pela conveniência da cúpula da CBF e deu no que deu, tudo precisa ser mudado a começar pela cúpula da CBF.

Em época de copa do mundo chega a ser irritante como a maioria da imprensa especializada brasileira aborda a seleção do Brasil, sobretudo o desmedido ufanismo que compromete a crítica e, o que é pior, menospreza as demais seleções. Não é raro deparar com analistas e jornalistas que nutrem um misto entre ódio e desqualificação em relação a certas seleções, como é o caso da Seleção Argentina. Confesso que conduta como esta me constrange e sinto-me tão agredido ou ofendido quanto as vítimas, os jogadores que representam seus países, suas culturas e deveriam merecer um tratamento amistoso e respeitoso. Confesso que se eu gostasse de cerveja não escolheria a cervejaria que fabrica Skol em razão da infame propaganda de desrespeito em relação à Argentina.

Como já disse, a seleção brasileira é constituída por uma maioria de jogadores (mais de 80 %) que atuam no futebol internacional, sobretudo europeu, nãos os conheço, nunca torci pelo futebol destes jogadores, não os vejo em condição de defender o futebol que se pratica no Brasil. Não se trata de qualidade técnica ou talento. Ao meu ver um torneio de futebol ou de qualquer outro esporte deveria ser o momento em que se apura as peculiaridades ou o tipo de futebol predominantes em cada nação representada. Importa mais a disputa de diferentes formas da prática do futebol do que a disputa entre os melhores jogadores no mundo. 

Setenta por cento  dos atletas que participam desta Copa  jogam no futebol europeu, portanto este campeonato não passa de um torneio "mequetrefe" envolvendo os  "melhores jogadores do mundo que atuam na Europa", e não um campeonato entre países. A maior satisfação que estou tento diz respeito à comprovação de nossa capacidade em organizar a Copa no Brasil. Reconheço e aplaudo os esforços que nos possibilitaram denomina-la "Copa das copas". 


A princípio, só me disporia a torcer pela seleção brasileira se houvesse na seleção um percentual mínimo de 70 % de jogadores que atuam no futebol brasileiro, claro que isso só ocorreria se fosse uma regra para todos, uma regra improvável, considerando os rumos deste desporto e quem o dirige pelo mundo, neste caso a FIFA. Mesmo assim torci pelas vitórias de nossa seleção, algumas até injustas como a vitória sobre a Croácia, e lamentei o que ocorreu no Mineirão quando perdemos por 7 a 1 para a Alemanha, o placar me surpreendeu mas a derrota pareceu-me previsível.

Os atletas que estão Brasil estão pensando muito mais em suas carreiras milionárias. Mesmo que não assumam isto, poucos jogadores se dignam a preocupar-se mais com o futebol do seu país do que com os seus propósitos individuais. Bem, cada atleta tem o direito de agir livremente, o que me parece ser eticamente repreensível é o fato de dizerem que pensam mais em seus países do que em si mesmos. 

A seleção brasileira é constituída em sua maioria por atletas que se comportam desta maneira, atletas que se auto proclamam "heróis nacionais", sob o argumento (furado) de que se entregam pelo país mais do que os brasileiros comuns. Este discurso não me convence, ou melhor me deixa irado. Os verdadeiros heróis nacionais são os trabalhadores que atuam no país, que pagam os seus impostos ao governo de seu país, que vivem em seu país. A maioria do povo brasileiro vive no Brasil, muitos praticam o futebol, torço pra este futebol que aqui se pratica, torço então para esta maioria. A seleção brasileira não passa de uma pobre seleção que mais parece um amontoado de atletas bem afortunado.

Muitos dirão em alto e bom som que eu estou delirando, é verdade é um delírio. Reitero que o que nos levam a torcer por um time de futebol não é qualidade técnica do time pois isto dependeria de dinheiro e teria que ser um nível técnico sempre alto, mas sim a paixão, e a paixão é um sentimento inexplicável. Se torcêssemos para um time em razão do critério "torço para o melhor", provavelmente a maioria dos brasileiros teria que deixar de torcer para os clubes nacionais, passaria a torcer pelo Barcelona, Manchester United, pelo Milan, pelo Bayer de Munique, pelo Chelsea, etc. Estes times, tendo muito dinheiro, se apropriam dos melhores jogadores e formam apuradas seleções dos melhores atletas. 

Lamento ter perdido a paixão pela seleção brasileira de futebol,  lamento muito mais por não existir mais uma seleção brasileira de futebol, uma seleção argentina de futebol, uma seleção russa de futebol, uma seleção alemã de futebol...

Muitos ainda dirão que o time do cruzeiro é um time constituído por uma maioria de jogadores que não foram formados no clube, são aquisições recentes. Terão razão os quiserem me criticar por isso, mas dai a quererem que eu abdique de torcer pelo meu Cruzeiro ai já é demais, esta paixão não perderei jamais.

Dentre os que ainda lutam pelo título (Holanda, Argentina e Alemanha) resta-me torcer pela seleção da Argentina porque são nossos vizinhos, são apaixonados pelo futebol, tem produzido os melhores armadores do mundo na atualidade (Messi, Riquelme, Conca, Montillo e D'Alessandro) e tem demonstrado muita garra nesta copa.
Postar um comentário