3 de julho de 2014

CÚPULA DOS BRICS NO BRASIL EM JULHO DE 2014

Cires Pereira


Logo após a Copa do Mundo nos dias 15 e 16 de julho, o Brasil recepciona em Fortaleza (CE) os demais membros dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). A pauta da reunião reflete grosso modo a importância desta cúpula, encabeçando a pauta figura a ampliação do comércio de produtos de alto valor agregado entre os membros do bloco que, se aplicada, diversificaria nossas parcerias globais e amplificaria a corrente comercial entre o Brasil e os demais membros. Paralelamente à cúpula, as delegações de Rússia e Brasil aprofundarão as conversas com vistas ao aumento da cooperação bilateral. Um Plano de Ação de Desenvolvimento da Cooperação Econômica e Comercial entre a Rússia e o Brasil para os anos de 2014 e 2015 já está sendo concebido.

Links de outros textos sobre os BRICS neste site:





As reuniões que preparam a cúpula já acontecem em Fortaleza, no dia 29 de junho os Embaixadores salientaram que outro grande ponto da pauta é a formalização do Banco de Desenvolvimento dos BRICS com um aporte inicial de 50 bilhões de dólares (10 bi de cada membro). Nesta cúpula o nome do presidente do Banco, sua sede e os aportes serão resolvidos.

A cooperação entre os membros do BRICS e reformas do sistema de governança do grupo também serão tratados na reunião de cúpula. O representante do Brasil nestas discussões, o Embaixador Graça Lima, afirmou que “Em Fortaleza serão discutidos os próximos cinco anos do grupo, período em que o Brasil assumirá a liderança desse novo ciclo de atuação”.

O Mundo inteiro continuará com seus olhos voltados ao Brasil depois da Copa, pois as decisões dos BRICS há um bom tempo começam a pesar nas decisões de outras cúpulas internacionais, revelando a importância atual no cenário global.

Muitas projeções tem sido feitas por órgãos governamentais e não governamentais, algumas com uma profunda dosagem de suspeição, outras nem tanto. As mídias tem noticiado várias estudos que projetam a situação macroeconômica para o ano de 2.050. Numa destas projeções, feita pelo World Bank e FMI, os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) serão as maiores potências econômicas do mundo ultrapassando a economia da União Europeia e a economia estadunidense.

Veja o quadro:



BRASIL

Nesta mesma projeção, o Brasil provavelmente assumiria a posição de quinta maior economia do planeta, se considerarmos o montante das economias constituintes da "União Europeia". Destaques para a condição maior economia agroexportadora, podendo ser responsável por algo entre 35 % e 40 % de toda a produção mundial. Há ainda uma forte expectativa sobre o petróleo encontrado no "pré-sal" da costa brasileira. É também muito forte a expectativa mundial em relação às reservas naturais como água, fauna e flora.


RÚSSIA

A Rússia terá uma respeitabilidade semelhante à do Brasil, por conta do crescimento da dependência mundial de matérias-primas. Lembremos que Rússia e Brasil apresentam um vasto território ainda por desenvolverem culturas importantes para as necessidades dos povos, além dos potenciais energéticos respectivos. Não se pode ignorar o poderio e o expertise bélicos deste país, em parte herdado da extinta URSS. 


ÍNDIA

Tudo leva-nos a crer que Índia se colocará na terceira posição de maior economia mundial por conta do avanço das atividades industriais, dos serviços, do avanço da instrução formal e das taxas de crescimento populacional que continuam expressivas neste país que há muitos anos tem sido segunda maior expressão demográfica do planeta com mais de 1 bilhão de habitantes. Não se pode também ignorar o seu expressivo arsenal bélico que continuará crescendo em razão dos problemas que o país tem com os seus vizinhos, especialmente o Paquistão. Índia, Paquistão e Israel não assinaram o acordo de não proliferação de armas, vigente desde março de 1970. A Coreia do Norte retirou sua assinatura em 2003.


CHINA

Ao que tudo indica a economia chinesa será em 2050 a maior do mundo, tendo como base seu acelerado crescimento econômico que hoje continua acima da média mundial e da média das maiores economias mundiais. A concentração de indústria continuará numa intensidade maior do que tem sido devido ao tamanho da sua população e as novas tecnologias. Provavelmente seu poderio militar tornar-se-á ainda maior e melhor, logo mais temido. Seu poder de investimentos na própria economia e o seu poder de investimentos e financiamentos para outras economias continuarão crescendo. 

No ano passado, a China já era o segundo maior detentor da dívida do governo americano, atrás apenas do FED (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA). O montante, em 2012, era de US$ 1,164 trilhão. Tem crescido muito nos últimos dois anos o apoio político do governo chinês para outras aplicações que não os títulos do Tesouro dos EUA, como a aquisição de empresas e o setor imobiliário em grandes mercados, como o de Nova York.

A grande incógnita na China diz respeito ao seu regime político, muito provavelmente as pressões por liberdade e por democracia dentro e fora da China repercutirão na "nomenclatura de Pequim". As relações com outras economias ainda provocam suspeitas e insegurança entre os demais países, especialmente os EUA que temem perder sua influência sobre as economias menores por conta da capacidade de investimento e do grau de persuasão sobre governos que tem sido crescentemente mais produtivo. Atualmente é possível encontrar em todos os continentes "tentáculos" de empresas chinesas.

Uma indicação de que tal projeção pode ser considerada é o quadro econômico no mundo nos últimos 5 anos, a desaceleração econômica nos países que constituem os BRICS tem sido, na média, menor do que as desacelerações econômicas verificadas nas economias centrais mais tradicionais como a estadunidense, a inglesa, a francesa e a alemã. Dependendo da persistência deste quadro, é possível que esta previsão para 2050 seja antecipada por 5 ou 10 anos.
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