21 de julho de 2014

A GUERRA ENTRE ISRAEL E O HAMAS - 2º BALANÇO

Cires Pereira

Segunda Feira 21 de Julho de 2014 (13º dia do conflito)


Neste domingo dia 20 de julho, a O Conselho de Segurança da ONU pediu "o fim imediato das hostilidades" entre as forças militares israelenses e o Hamas na Faixa de Gaza.Reiterou ainda "o respeito às leis humanitárias internacionais, especialmente sobre a proteção de civis". Dois apelos que não encontraram até agora receptividade entre os dois lados.

Já são mais de 500 palestinos mortos, sendo a maioria constituída por idosos, mulheres e crianças e 20 israelenses (18 soldados e 2 civis). Com mais de 140 mortos, este tambem foi o dia mais violento, destes mais da metade morava no bairro de Shejaiya na  cidade de Gaza. Há registros de confrontos tambem no sul da Faixa de Gaza. O governo israelense informou que o seu plano de destruir os túneis que foram feitos pelo Hamas para possíveis incursões em Israel teve importantes avanços neste domingo e segunda feira.

O bairro de Shejaiya, sendo uma área residencial, não poderia ter sido alvo dos ataques israelenses, portanto este ataque configura um "crime contra a humanidade". O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas esteve reunido em Doha com o Secretario Geral da ONU e exigiu punição aos autores deste massacre de civis. O Exército de Israel, por outro lado, argumentou que:

"Shejaiya é uma zona civil onde o Hamas mobilizou seus foguetes, constrói seus túneis e tem seus centros de comando (...) Advertimos os civis a deixarem o local, mas o Hamas ordenou que permanecessem..."

Os números da operação militar israelenses impressionam. O governo convocou mais de cinquenta mil soldados para as incursões por ar e terra sobre um território de 360 km quadrados onde vivem um milhão e oitocentos mil palestinos, sendo a maioria em precárias condições. A guerra certamente agrava o atendimento mais elementar aos seus habitantes, os acessos à comida, escola e médico-hospitalar ficam bastante comprometidos. Dependendo da intensidade dos combates e do duração de conflito é provável que o número de mortos fique bem acima das mortes contabilizadas imediatamente após os combates. Cada dia que passa a situação fica mais grave. Mas pelo jeito ambos os lados não estão dispostos sequer a uma trégua rápida que permita o atendimento humanitário mais imediato.

Notícias desta segunda feira dão conta que Israel atacou um hospital na região centra de Gaza deixando 4 mortos e 16 feridos. O Conselho de Direitos Humanos da ONU anunciou uma reunião de emergência para esta quarta feira, após ter recebido apelos das representações do Paquistão, do Egito e da Palestina.


O que mais causa preocupação é como as potências lidam com esta crise, chamo a atenção para a posição do governo Obama (EUA). O seu Secretário de Estado (Ministro das relações exteriores), John Kerry, tem dito reiteradas vezes que Israel não invadiria por terra se o Hamas não estivesse  "obstinado a atrair a fúria" de Israel. Os EUA ao atribuírem ao Hamas toda a responsabilidade pelo conflito, acabam justificando toda a ação israelense em Gaza, indicando que não se disporiam a aprovarem alguma punição ao governo israelense. Israel com isto sente-se "livre" para atacar sem piedade.


Os EUA e Israel, valendo-se então destes expedientes, alimentam ainda mais o ódio e, por conseguinte, eventuais agressões igualmente condenáveis de palestinos e de todos que se identificam com a luta pelo direito à autonomia dos povos como a que se vê nos territórios palestinos de Gaza e da Cisjordânia.

Benjamin Nethanyahu e o Hamas sabem que esta guerra reacende a tensão em toda região e deveriam ser, por conta disto, severamente punidos não por aqueles que os escolheram para os respectivos governos em Gaza e Israel, mas por um Tribunal Internacional chancelado pela Comunidade Internacional. O problema é que a Comunidade Internacional não dispõe de um Órgão que seja plurilateral e multilateral, pois a ONU, desde que foi fundada, não tem servido a este que deveria ser o seu propósito, representar de fato os povos do mundo com imparcialidade e isenção.
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