UFU PROVA DE HISTÓRIA 2ª FASE (07.06.2014) RESOLUÇÃO E COMENTÁRIOS

CIRES PEREIRA



Prezados vestibulandos a prova de História da 2ª fase do Vestibular UFU de Junho/Julho de 2014 foi bastante seletiva e bem equilibrada, o senão fica por conta da falta de conexão entre o passado e o presente que pudesse reforçar o quão significativos são estes temas no nosso dia-a-dia. Poderia o examinador estabelecer relações entre as concepções de tempo no período medieval e nos dias atuais ou então estabelecer uma vinculação entre as crises de 1929/1933 e de 2008/2014. Os enunciados estavam bem apresentados não sendo suscetíveis a dúvidas para o vestibulando, todas as questões com letras A e B, enfim um prova tecnicamente bem concebida e por isso adequada para a seleção. 

Os temas abordados na prova tem sido objeto de apreciações recorrentes no "site escrita global", destaque para a crise de 1929, aspectos culturais e comportamentais na Baixa Idade Média, o Nazismo, o Iluminismo e os governos brasileiros no pós 2ª guerra como Getúlio e JK. Parece-me que o site Escrita Global encontra-se no caminho certo, o que é muito bom...


RESOLUÇÃO:

a) Os governos brasileiros ao longo das décadas de 40 e 50 passou a alimentar uma ideia de avanço pelas regiões no "Oeste Brasileiro", até então pouco aproveitado, para tanto as autoridades passaram a fazer investimentos públicos que pudessem minimamente interligar as regiões norte e Centro-Oeste ao eixo sul-sudeste do país além de campanhas midiáticas que estimulassem os brasileiros em geral e os investidores nacionais e estrangeiros em particular a estabelecerem-se na região. A construção de Brasília no Estado de Goiás e a transferência do núcleo de poder para esta cidade era portanto compatível com este espírito que mesclava nacionalismo, integracionismo territorial e desenvolvimentismo.

b) Tido como o projeto de nº 31 (o "Plano de Metas" congregava 30 metas), a construção de uma cidade que pudesse comportar o núcleo de poderes constitutivos da República Federativa do Brasil satisfazia dois grandes propósitos: corroborar com a ideia de integração nacional na perspectiva do "pacto federativo" e sintetizar a pretensão do governo em avançar a economia nacional aproveitando-se das potencialidades das regiões centrais e nortistas do Brasil.

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RESOLUÇÃO

A) Ao longo de quase todo o Período Medieval o tempo pouco interessava aos leigos (a maioria sob o comando de uma minoria de  representantes da fé - o clero cristão). A Igreja tratava de reforçar a ideia de que o "tempo pertencia a Deus", todas as dúvidas e questionamentos levantados pelos "leigos" que em sua maioria era pouco ou nada instruídos eram ignorados pela instituição. As mudanças verificadas na região a partir do século XI sinalizavam para o avanço de uma economia de mercado em detrimento da economia natural e de subsistência. Tais mudanças intensificavam na sociedade  mais questionamentos que não podiam ficar mais sem respostas convincentes. Uma nova concepção de ser humano, de natureza e de Deus era construída a partir de uma nova ética associada ao lucro, à concorrência, ao individualismo, O "tempo" passa a ser encarado uma forma compatível com esta ética emergente, deixando de ser algo constituinte e estático da natureza pra ser algo associado à cultura e sociedade, tornando-se mais um meio de sucesso, portanto era preciso apropria-lo e mensurá-lo.

B) A Instituição tinha como propósito maior controlar a sociedade para que o sistema conveniente a ela e aos nobres senhoriais pudesse ser perpetuado. Assim apropriava-se do "tempo" como sendo uma prerrogativa exclusiva dos clérigos. Regulava o cotidiano diário das pessoas estabelecendo o início e o fim das atividades laborais, mensurado pelo alvorecer e entardecer e estabelecia um calendário  contemplando festividades e ações paroquiais fortalecedoras de sua imagem e da ideologia que a instituição concebia e difundia que estivessem sintonizadas com as épocas de semeadura e de colheitas, como por exemplos os festejos de Santo Reis no início do ano, a quaresma ainda no primeiro quartel do ano, as festejos juninos no meio  e o natal no final do ano.


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 RESOLUÇÃO

A)  A retração da economia capitalista não era uma novidade, analistas previam que pudesse ocorrer até com intensidade e longevidade maiores do que a primeira retração verificada entre 1873 e 1896. Esta crise teve início na economia dos EUA, um país que muito cresceu desde o final da guerra civil entre 1861 e 1865. Resultante da falta de regulação econômica, pelos governos constituídos. As empresas privadas, sob a batuta do modelo liberal clássico, não se importavam com as consequências de uma postura agressiva em termos de definição de margens de seus lucros. Como a economia dos EUA passou a ser a mais importante do mundo capitalista, a crise avançou pelas demais economias tanto centrais, como a francesa,  a alemã e a inglesa quanto as periféricas, como a brasileira, a mexicana e a argentina. O auge desta retração ocorreu em Outubro de 1929 quando a Bolsa de Valores de Nova York passa a acusar fortes depreciações de títulos e ações públicos e privados, repercutindo a queda das demandas e a baixa liquidez dos serviços e bens.

B) Com a crise avançando pelos EUA, o governo Hoover decidiu não mais avalizar operações de créditos para as empresas e governos europeus, com esta medida os credores americanos passaram a retirar seus ativos circulantes aplicados na Europa. As moedas locais sofreram fortes depreciações frente ao Dólar e os endividamentos públicos aumentaram, agravando a situação econômica na região. Na Alemanha esta fuga de capitais foi a gota d'água para o recrudescimento da recessão provocando desgaste no governo moderado e centro direitista e a polarização entre o Partido Comunista e o Partido Nacional-socialista Alemão (Nazista). Os nazistas valeram-se de um discurso nacionalista e anti comunista para ganhar respaldo junto as elites e as massas, em 1933 assumiram o governo e iniciaram a recuperação da economia sob um regime ditatorial.

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RESOLUÇÃO

A) O iluminismo defendia os direitos individuais e coletivos como a vida, a propriedade privada e a liberdade. O Estado deveria ser um instrumento zelador de tais direitos, portanto não lhe era mais aceitável suprimir o direito a liberdade em todos os sentidos. Outra tese defendida pelo movimento era a igualdade jurídica com a supressão de regalias e direitos para uma parte da sociedade tendo por base o critério de nascimento.

B) A diversificação econômica nas cidades mineiras contribuía para que houvesse uma parcela crescente de setores médios e trabalhadores autônomos e assalariados, eram potenciais formadores de opinião e lideranças de movimentos insurgentes contra representações e mandos metropolitanos. Pouco a pouco estes setores passaram a ter contatos mais intensos com as ideias iluministas que floresciam na Europa Ocidental e na América do Norte, estas eram pautadas na tese da liberdade que, para a sociedade colonial significava a luta anti metropolitana.


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