1 de maio de 2014

ECONOMIA NO BRASIL E NOS EUA, HOJE

Cires Pereira


Na penúltima pesquisa para as eleições presidenciais em outubro de 2014 e publicada no inicio de abril a diferença entre Dilma e os demais candidatos havia caído. Segundo a imprensa e os que se posicionam contrários à reeleição de Dilma os papeis da Petrobras negociados na BOVESPA valorizaram, os pregões da BOVESPA idem e o dólar sofreu depreciação frente ao real embalados por esta que é em tese uma notícia boa para o empresariado e para a economia em geral.

Na pesquisa publicada no dia 29 de abril esta diferença entre Dilma e os demais caiu ainda mais, contudo o câmbio manteve-se estável ao longo do dia, o pregão da BOVESPA encontra-se em baixa de 0,7% em relação a ontem e as ações das principais empresas na BOVESPA seguem esta tendência. Ainda não li algum comentário daqueles que há um mês consideravam a variação negativa de Dilma um estímulo para a economia brasileira.

Parece-me então ser esta uma prova irrefutável de que estes mesmos comentaristas equivocaram-se e equivocam-se. Não lhes parece crível que a economia brasileira chegou a um certo desvencilhamento das oscilações político-partidárias. Muito provavelmente estes mesmos comentaristas, a partir de uma análise rasteira ou intelectualmente limitada tanto do cenário político quanto do cenário econômico, não se disporão a anunciar seus equívocos.

Muitos destes comentaristas tomam como referência as impressões e os juízos dos principais economistas brasileiros, como o economista Mailson da Nóbrega. Tomei Mailson como exemplo, pois li recentemente um artigo que me intrigou onde analisa a retomada do crescimento da economia estadunidense nos últimos dois anos para construir a base de sua resposta aos que, providos de uma postura mais heterodoxa em relação ao pensamento neoliberal, veem com maior ceticismo o que se passa na maior economia do mundo.

Mailson da Nóbrega, referência do pensamento econômico neoliberal no Brasil e ex-Ministro da economia (Jan 1988 a Mar 1990), escreveu em sua coluna semanal veiculada na "Revista Veja" um artigo em que faz uma comparação entre as economias nacional e estadunidense neste momento.


A quebra do Banco Lehman Brothers (2008) e suas consequências – a deflagração da maior crise financeira global desde os anos 1930 e uma severa recessão nos países ricos – animaram analistas de esquerda a vaticinar o declínio americano. Distintas correntes de opinião apontaram a China como a potência do século XXI. A profecia declinista não se confirmou. A economia americana já se recupera e deve crescer em torno de 3% neste ano, nível similar ao desempenho pré-crise.

No final sentencia em tom pretensamente profético:

Por essas e outras, está longe o dia (se houver algum) em que nosso país será potência mundial dominante. Já os EUA crescem agora mais do que nós. O vaticínio de seu declínio fracassou redondamente.
Nóbrega, Mailson: Artigo "EUA, o declínio que não houve", Revista Veja 05.03.2014

Os fatos conspiram contra o otimismo de Mailson em relação aos EUA e, ao mesmo tempo, o seu pessimismo em relação ao Brasil.


O Departamento de Comercio dos EUA divulgou no dia 30 de abril de 2014 que a economia dos EUA cresceu apenas 0,1 %,  uma importante desaceleração em relação ao quarto trimestre do ano anterior. Os analistas, desconfio que Mailson esteja entre estes, esperavam um crescimento de 1,2% para o 1º trimestre de 2014,  e esperam um crescimento de 3% para o ano de 2014. Penso que não será maior do que 2,5%. Ou seja a economia americana ainda é muito oscilante. Em 2012 o crescimento foi de 2,8%, em 2013 de 1,9 %. No Brasil os dados apontam uma lenta aceleração, senão vejamos: o crescimento de 2012 foi de 1,0 %, em 2013 cresceu 2,3 % e a projeção do Banco Central para 2014 é de 2,0%.

A inflação em 2014 não se distanciará muito do centro da meta do governo, as contas do governo, ainda que tenham registrado uma piora, sinalizam que o superávit primário ficará na meta  que é de 2,2 %  do PIB, é possível que melhoremos nosso desempenho na balança comercial em 2014, o desemprego não aponta sinais de aumento, a inadimplência e continua em níveis satisfatórios. Estes são elementos que nos levam a crer que a economia brasileira crescerá em 2014 em torno de 2,0%. 

É preferível ter crescimento econômico lento e consistente com indicadores sociais acompanhando do que um ritmo mais agudo que poderia comprometer o controle da inflação prejudicando os ganhos da maioria dos trabalhadores e colocando em risco ainda maior os investimentos feitos pela iniciativa privada, pois o desemprego e ao arrocho salarial decretariam o fechamento de muitas portas na indústria e no comércio.

O desemprego nos EUA até 2012

 

O desemprego no Brasil até 2012


O desemprego em 2013

A taxa de desemprego em 2013 caiu nos EUA de 7,3 % 7% (Depto do Trabalho dos EUA) e no Brasil de 5,5% para 5,4% (IBGE). Este percentual de 5,4% no Brasil é o menor desde março de 2002 quando começou esta série histórica, segundo o IBGE. Os dois melhoraram, contudo a taxa brasileira caiu mais de 100% em 10 anos e a a taxa americana que era de 5 % em 2002, passou para 9% em 2011 e agora recuou para 7%. Tal como o ex-ministro, concordo que os EUA tem os seus méritos, contudo não subestimaria ou desqualificaria os méritos brasileiros. Sei sobre os riscos que corremos quando nos dispomos a comparar duas economias tão díspares, mas não poderia me valer de uma outra comparação para objetar a comparação que o artigo de Mailson faz.

Temos gargalos de toda espécie que precisam ser enfrentados conspirando inclusive contra muitos privilégios e vícios que foram criados, alguns neste governo mas a maioria estão ai há muito tempo e não foram demovidos pelos que agora criticam o governo, o ex-Ministro é um destes. 


Não falta a Mailson capacidade de compreensão sobre os problemas econômicos que é bem maior do que a minha compreensão, o que não significa dizer que tenha que concordar com suas análises e proposições. Ao contrário dele, penso que estamos no caminho certo. Suas proposições servem de base para os programas de governo neste momento apresentados pelos dois principais candidatos oposicionistas: Aécio Neves e Eduardo Campos. É esse o debate que o Brasil precisa fazer para escolhermos o rumo a ser tomado a partir de 2015.
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