DICAS HISTÓRIA 2ª FASE UFU JULHO 2014

CIRES PEREIRA


Prezados vestibulandos disponibilizo abaixo temas e questões que poderão ser abordados na prova de História da 2ª fase do Vestibular da Universidade Federal de Uberlândia.

Caso tenham alguma dúvida ou queiram contribuir sugerindo outros temas basta comentarem abaixo. Na medida do possível responderei em tempo hábil.


Os desdobramentos da crise geral no século XIV 

Uma crise que se abateu sobre o ocidente europeu cujas implicações foram o colapso do sistema feudal e no início da transição ao capitalismo. Diante de uma quadro de retração econômica e suas implicações políticas e sociais, a nobreza, temendo de convulsões populares que não pudesse conter, uniu-se à autoridade política em nível nacional. O resultado foi o estabelecimento do Absolutismo-monárquico, um regime que preocupou-se em satisfazer, concomitantemente os nobres (mantendo seus privilégios) e a nascente burguesia, esta cada vez mais interessada numa política econômica (mercantilismo) que proporcionasse aos seus negócios lucros crescentes.


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A colonização empreendida pelos colonos ingleses

Com a chancela e o concurso do governo inglês tem início no final do século XVI, as primeiras incursões foram marcadas pelo uso da força contra nativos (Iroqueses, no norte e Cree, no sul) que oferecessem alguma resistência à ocupação inglesa. Consta que muitos morreram e os remanescentes evadiram em direção ao "oeste" à época sob domínio francês. Para os colonos ingleses era mais apropriado usarem a mão-de-obra inglesa expropriada pelos "cercamentos" nos minifúndios das "colônias do norte" e a mão-de-obra de origem africana nas grandes propriedades rurais que se constituíram nas "colônias do sul".


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As bases do forte crescimento econômico dos EUA após a guerra civil em 1861-1865: 
  • A vitória das forças da União sobre os rebeldes confederados possibilitou a retomada e o impulsionamento da economia nos EUA. O pacto federativo foi reconstituído, a escravidão foi abolida no sul e a política protecionista mantida. 
  • Observou-se uma forte expansão das demandas internas resultante do assalariamento dos ex-escravos, do aumento de postos de trabalho (enquanto na Europa acontecia o contrário) e forte imigração de europeus para os EUA. 
  • A viabilização de atividades econômicas no Oeste possibilitou investimentos importantes para o armazenamento e o transporte de bens gerando empregos e rendas. 
  • A economia não teria se expandido tanto se os investidores não nutrissem forte confiança no modelo econômico (liberal), nos governos e no Estado (marcos regulatórios, tribunais, fiscalização, etc). 
  • Deve-se também considerar o início de uma política externa (mais no final do século) para conquistar e controlar mercados, sobretudo aqueles espalhados na zona do caribe,, na América Central e no pacífico norte.

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Os artistas e suas obras a serviço dos interesses e conveniências dos governantes: Jean Baptiste Lully e Luis XIV na França do Século XVII; Michelângelo e Leonardo Da Vinci e a família Medici em Florença; Jacques-Louis David e Napoleão no início do século XIX.


Todas instituições e autoridades instaladas numa sociedade pra terem robustez e longevidade precisam ter o amparo e legitimidade da mesma sociedade. Ao longo da História deparamos com esta situação a toda hora. Por isso os governantes recorriam tambem aos artistas para que produzissem algo que valorizasse e justificasse seus governos, era fundamental encantar a sociedade.

O governo de Florença comandado pelos Médici  financiavam e protegiam alguns artistas e intelectuais renascentistas (mecenato) como eram os casos de Michelângelo e Leonardo Da Vinci, pois tais condutas davam maior visibilidade e prestígio aos seus governos. Por mais que os conteúdos de suas obras fossem criticista, estes mecenas geralmente eram poupados de crítica e sempre suas condutas eram elogiadas. 

Luis XIV (roi soleil) - 1643-1715 - tinha um séquito de bajuladores e defensores e de sua forma de governar. Jean Baptist Lully era um dos compositores mais elogiado e protegido em governo de Luis XIV, as obras de Lully estavam entre as mais usadas nas audiências e festas patrocinadas pelo governo. 

Napoleão escolheu Louis David pra ser um dos seus principais colaboradores, as obras deste pintor sempre foram pautadas em enaltecer o governo de Napoleão como garantidor das conquistas revolucionárias e o próprio Napoleão. Uma das característica do governo bonapartista era o personalismo, bem explorado pelo pintor.

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A Grande Guerra de 1914

Também conhecida como a primeira guerra mundial. Preocupem-se em considerar o seu caráter - uma guerra motivada sobretudo pelas rivalidades entre o conjunto das principais economias internacionais (capitalistas e imperialistas). Vale considerar que o atentado em Serajevo na Bósnia precipitou a guerra, mas não deve ser visto como motivo principal do conflito. 

A guerra que a princípio era pra ser rápida gerou um ambiente facilitador do avanço das correntes de esquerda, principalmente a corrente marxista ortodoxa que tinha como grandes expoentes o Partido Bolchevique de Lênin e Trótsky condutor principal da Revolução Bolchevique na Rússia em 1917 e a fração radical do Partido Social Democrata Alemão que fundou o Partido Comunista Alemão sob a liderança de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, dois expoentes do movimento espartaquista alemão.


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O populismo na América Latina enquanto um meio de conter o avanço das esquerdas revolucionárias, sobretudo na Argentina com Irigoyen (1916-22 e 1928-30), com Perón (1946-1955) e no Brasil com Vargas (1930-1945) e com Calles (1924-1934) e Cárdenas (1934-40).

Excetuando Irigoyen (ARG) e Calles (MEX) que governaram antes da crise de 1929. Uma crise que resultou no colapso do modelo agrário-exportador e minerador, estes governos, comumente, são associados ao populismo na América latina. A estes governos estavam colocados os seguinte propósitos: melhorar as condições de vidas das classes trabalhadoras desde que não implicasse na inviabilização do sistema capitalista. A rigor eram governos que concedia aos populares pela manhã aquilo que era acordado na noite do dia anterior junto ao empresariado. Governos que precisariam estimular a economia nacional pautando-se no estatismo e no intervencionismo (sem que implicasse na inviabilização dos negócios privados) e no protecionismo. As políticas sociais, associadas ao paternalismo e ao controle das organizações representativas de classes (sindicatos) se somavam a uma gestão em geral arbitrária para neutraliza r o movimento das esquerdas.

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O golpe militar no Brasil inscrito no contexto da Guerra Fria 

Uma parte influente e expressiva do comando das forças armadas brasileiras destituiu Jango que havia assumido o governo em 1961, após a renúncia do Presidente Jânio Quadros. Os militares golpistas tinham uma opinião convergente com as elites nacionais, o capital estrangeiro e o governo dos EUA de que Jango estaria estimulando e facilitando o avanço das esquerdas brasileiras valendo-se de uma agenda de governo que ia além das concessões que o capital poderia fazer. 

Como o governo jango se inscrevia num cenário regional marcado pelo avanço das esquerdas entusiasmadas com a situação de Cuba depois da revolução de 1959 e num cenário mundial caracterizado pela polarizada disputa multifacetada entre os EUA e a URSS pelo comando do mundo. Os militares não teriam agido se não tivessem a convicção de que teriam guarida do governo dos EUA, das elites nacionais e do capital estrangeiro.

PS: Em 2014 este tema será muito lembrado em razão 50 anos, da exumação dos restos mortais de Jango e da hipótese de JK ter sido assassinado.

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Revoluções latino-americanas no século XX

As semelhanças e diferenças entre as principais revoluções latino-americanas no século XX e os seus devidos contextos históricos, a saber: a Revolução Mexicana de 1910, a Revolução Cubana de 1959 e a Revolução Nicaraguense de 1979. Atentem para a preocupação das elites locais com tais ofensivas e considerem como reagiram através de golpes militares contra ordens democráticas como se viu na Argentina em 1966 e 1976, no Chile em 1973 e no Brasil em 1964.

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A redemocratização no Brasil e na Argentina: Análise comparativa

No início dos anos 80 a economia mundial sofre o impacto do 2º choque do petróleo decorrente da situação instável nos principais produtores de petróleo, como o Irã e o Iraque, esta situação reverberou nas economias latino-americanas, como foram os casos do Brasil e da Argentina. Com a economia em retração, os capitais começam a evadir o que acarretou uma um forte avanço das dívidas públicas. Os governos militares, impotentes para enfrentar este quadro, tiveram que se resignar diante das crescentes mobilizações da sociedade pelo fim das ditaduras militares no Brasil e na Argentina. Nos dois países houve um entendimento de que a anistia deveria ser ampla, geral e irrestrita, o que assegurava uma espécie de salvo-conduto para as autoridades vinculadas e a serviço das ditaduras. No Brasil isto foi assegurado até hoje, na Argentina houve pressão para que os militares pagassem pelos crimes cometidos durante a ditadura. Uma comprovação disto é o fato de algumas autoridades argentinas desta época terem sido condenadas e punidas.

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Revolução bolivariana

Em 1998 Hugo Chávez elegeu-se presidente do país desbancando os dois pesos pesados da política venezuelana: A Acción democrática e o COPEI (democratas cristãos), tendo como base um projeto refundação do Estado. Em 1999 a nova constituição altero nome do país para República Bolivariana da Venezuela, colocou como cláusula pétrea a manutenção da PDVSA como estatal e institui o referendum e o plebiscito popular visando ampliar o Estado de Direito Democrático. Em 2000 Chávez foi reeleito pra governar por seis anos. Desde então passou a adotar um programa de reformas sociais que em por objetivo reduzir as desigualdades sociais e um programa econômico marcadamente intervencionista e nacionalista. 

Com o falecimento de Chávez no curso de uma crise internacional que comprometeu em parte os indicadores econômicos e sociais, o chavismo vem enfrentando uma oposição mais consistente. O quadro atual deixa evidente que o desgaste natural do chavismo tem possibilitado o avanço dos oposicionistas impondo uma divisão mais simétrica na sociedade, portanto um ambiente marcadamente imprevisível que pode avançar para uma situação de guerra civil.

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Guerra ao Terror (Doutrina Busch)

Governo G W Bush, logo após os atentados em 11 de setembro de 2001, determina uma política externa pautada no combate sem tréguas aos "inimigos da ordem mundial capitaneada pelos EUA", as organizações terroristas e os governos que amparam-nas, com eram os casos dos governos iraquiano, afegão, coreano, iraniano, sudanês, etc.

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Governo Lula (2003/2011) 

O governo que conseguiu alavancar o crescimento econômico do país graças à recuperação das economias internacionais puxadas pela China que muito precisa de matérias primas e recursos energéticos e ao crescimento das demandas internas em razão das políticas de transferência de renda como o "fome zero", à retomada do emprego formal e a retomada de investimentos do Estado na economia. Seu governo tambem ficou marcado por denúncias de pagamentos a deputados para votarem com o governo no parlamento, no que se denominou como escândalo do Mensalão.


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A crise de 1929 e o colapso do liberalismo clássico

O esgotamento do modelo econômico liberal aplicado desde a revolução industrial caracterizado pela livre concorrência e pela liberdade econômica que assegurava aos empreendedores donos do capital liberdade para imporem suas margens de lucros que, sem limites, ampliavam as desigualdades econômicas comprometendo, em última instância, a circulação de bens e serviços em razão da retração estrutural das demandas ou consumo.

O colapso deste modelo liberal foi o principal efeito da crise econômica iniciada nos EUA em 1929 e que se alastrou por toda a economia capitalista mundial. A solução foi a adoção de uma política mais intervencionista e mais restritiva ao capital que tinha por objetivos restabelecer o equilíbrio entre as demandas e as ofertas, não havia outro caminho senão uma política governamental que pudesse gerar empregos e consumo.

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