VENEZUELA, URGENTE.

Cires Pereira, 17 de fevereiro de 2014


Prezados Leitores publico abaixo uma parte da primeira página da edição do dia 15 de fevereiro de 2013 do jornal "Diário do Estado" de Curitiba (PR). Este recorte "perambula" pelas redes sociais no Brasil e tem provocado comentários mais raivosos ainda em relação ao Lula, ao Governo Dilma e, claro, ao Governo Maduro da Venezuela. Pelo título da matéria fica a impressão que Lula, em "cadeia nacional" (não menciona se é no Brasil ou na Venezuela, mas subtende-se que seja na Venezuela), defende Maduro. Uma grande mentira pois as legislações de ambos os países vedam esta possibilidade de um cidadão comum falar em "cadeia nacional", no caso do Brasil e um estrangeiro no caso da Venezuela. 

É Verdade que Lula, por ocasião das recentes eleições presidenciais, apoiou publicamente a candidatura Maduro contra a candidatura Caprilles. Um apoio perfeitamente natural e previsível levando-se em conta as relações sempre amistosas entre os governos do ex-Presidente Chavez e do ex-Presidente Lula. Como foi público e notório o apoio que Caprilles obteve de lideranças regionais identificadas com os seus propósitos de governo.



Parte da 1ª página da edição do dia 15 de fevereiro do Jornal "Diário do Estado" 

Este mesmo jornal noticia que o governo "cortou comunicações" e "abre fogo contra os manifestantes" e reporta que o número de mortos "passam de 3 mil". Sustenta ainda que o massacre é perpetrado pelo governo Nicolás Maduro "amigo da Lula-Dilma" (sic). Curiosamente, não menciona atitudes radicais dos oposicionistas, tampouco vandalismos de toda espécie.

Este jornal é datado do dia 15 de fevereiro de 2014 já estamos no final da tarde do dia 17 de fevereiro e todas as notícias que chegam da Venezuela dão conta de que a situação é relativamente tranquila, nenhum órgão de imprensa, tampouco governistas e oposicionistas, falam sobre este "massacre". 

Diante disto, minha conclusão não poderia ser outra, há no Brasil uma parcela dos que se opõem ao governo Dilma e à liderança de Lula disposta a tudo. É preciso que fiquemos atento contra tudo isto, pois o que está em jogo não é apenas o governo Dilma, mas o Estado Democrático de Direito que tanto nos custou para erigí-lo e nos custa para preservá-lo. Ainda hoje deparei com uma campanha nas redes sociais para expurgar (destituir) Dilma do governo agora, sob a justificativa de que se trata de um governo "corrupto e incompetente" mesmo não havendo nenhum fato determinado que comprove as alegações dos idealizadores desta campanha que já conta com quase 500 mil aderentes (0,3 % do eleitorado brasileiro).

Manifestante contrário ao governo Maduro enfrenta a polícia (Agência AP) 
 
Prezados leitores e cidadãos favoráveis ou contrários ao governo Dilma não podemos assistir alheios ao que se passa. Campanhas como esta afrontam nossos desejos que são, por hora, nossos direitos que o Estado de Direito nos asseguram, como a liberdade. Uma campanha absolutamente inócua, pois mesmo que tivesse êxito não haveria prazo para os tramites que a Constituição impõe, logo esta iniciativa tem por objetivo tumultuar um processo de discussão nos limites que o Estado de direito impõe.

Este é um ano eleitoral e espero que o debate ocorra sem percalços para que o próximo governo seja a expressão da vontade de uma maioria que se constituiu no pleito de outubro próximo. Espero que os governistas e as alternativas de oposição apresentem projetos consistentes e exequíveis para o nosso país e que sejam confrontados para o juízo livre do eleitorado brasileiro. 

Temos que por enquanto repelir versões falsas e exageradas atribuídas tanto aos governistas quanto aos oposicionistas em nosso país e o melhor caminho é denunciando para as autoridades competentes, ações como estas que a meu ver são estranhas à democracia. É sempre bom lembrar que os difamadores se assemelham aos vândalos que se infiltram em manifestações contrárias ao governo imbuídos do propósito de propagarem o pânico e a sensação de caos.

Definitivamente o Brasil e os brasileiros de boa fé e de boas intenções não merecemos isto.


PS para deixá-los um pouco menos preocupados com a situação, as agências Brasil e Reuters noticiam como fato mais grave o seguinte: 

Ao menos 23 pessoas ficaram feridas em confrontos entre manifestantes e policiais na madrugada deste domingo (16) na cidade de Chacao, Venezuela, informou a imprensa local. Em ritmo intenso, com inúmeras postagens, usuários do Twitter trocaram informações sobre o paradeiro de jovens, supostamente detidos ao longo da noite e denunciaram suspeitas de “desaparecimento” de manifestantes.

Estas mesmas agências informam que estão programadas para esta quarta feira passeatas pacíficas contrárias, mesmo que exista uma fração minoritária das oposições que insiste na deposição imediata do presidente Maduro eleito para governar até 2019. Para o mesmo dia estão previstas passeatas dos situacionistas (chavistas) favoráveis ao governo Maduro. 

Existe a possibilidade deste cenário venezuelano desembocar numa guerra civil? Sim. Uma possibilidade que, a julgar pelas intenções dos governistas e de grande parte da oposição liderada pelo candidato derrotado Caprilles que visam o entendimento, parece-me remotíssima. 

Em tempo (18-02-2014 às 16hs): Como era previsto ontem, Leopoldo Lopez, liderança oposicionista que tem organizado e comandado as recentes manifestações contra o governo Maduro exigindo a sua queda, acaba de se entregar à polícia venezuelana durante protesto oposicionista no centro de Caracas. Antes de ser preso disse: 

"Hoje estou aqui diante de uma Justiça injustiça, corrupta, que não julga de acordo com a Constituição e as leis, mas me apresento diante de vocês, os venezuelanos, com o nosso mais profundo compromisso de que esta prisão vale para o despertar de um povo e a maioria dos venezuelanos que querem mudanças em paz e democracia, vai valer a pena a prisão"

Na condição de professor de História, prometo a vocês leitores, proximamente, proximamente, uma análise sobre o quadro geral venezuelano que tenho acompanhado desde o início da década de 1990.

Abaixo o link do primeiro texto:

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