12 de abril de 2014

UMA VOZ (CORTANTE) DAS RUAS

Cires Pereira - setembro de 2013

Confrontos entre manifestantes e policiais em 16 de junho de 2013


Abaixo a letra de uma música que foi concebida no calor das mobilizações e manifestações que tem se espalhado pelo nosso país. É uma música-manifesto de ode à resistência à opressão. É mais um trabalho  que evidência, com engenho e arte, as mobilizações e as manifestações que tem surpreendido muitos, atemorizado outros e também reforçado a esperança de que nosso país possa melhorar em todos os sentidos. 

A letra da música focaliza a necessidade de resistir contra a tirania, o arbítrio dos governantes, lança luzes, portanto a uma tese concebida no século XVIII pelos liberais ou iluministas que com suas ideias estimulavam e "armavam" grandes parcelas da sociedades civis a se levantarem contra o absolutismo monárquico, no caso europeu, e o sistema colonial, no caso americano.

Contudo, aproximando-se um pouco mais deste texto é possivel notar que ele se identifica com uma outra ideologia concebida e lançada no século seguinte, a ideologia anarquista. Desde meados do século XIX o anarquismo, tanto quanto o marxismo, tem se esmerado na conscientização e mobilização dos excluídos e explorados contra o sistema capitalista. Otávio posiciona-se, como os anarquistas, contra o consumismo desenfreado ditado pela indústria e o esquema opressivo que, sempre esteve atrelado aos interesses do capital. Reforça sua identificação com a ideologia anarquista na medida que levanta dúvidas sobre a democracia, particularmente à democracia brasileira, representativa e liberal-burguesa. 

Apesar de não concordar com o juízo que Otávio faz em relação à democracia brasileira, não poderia ignorar o fato de que sua música discute alienação, discute o arbítrio, discute o consumismo. Sua musica sintetiza de maneira fidedigna, os propósitos daqueles que tem se levantado contra a alienação, contra o arbítrio e contra o consumismo pelo mundo todo.  


Neo-síndrome


Otávio Borges Santana Neto (Registro Autoral 072.972.326-70)

Síndrome do sistema opressor

Te ensina a competir mas não ensina a transmitir o amor

Te faz valorizar ideias, coisas, gente sem valor (2x)

Te faz querer sempre o melhor , ser o primeiro,
Derrubar o próximo e vê se ganha mais dinheiro,
Síndrome de Estocolmo a nível social,
Miséria , roubo, morte , injustiça já é natural,
Já é normal, mundo animal,
O sofrimento que isso causa, te faz querer agir igual,

Te deixa cego, sem perceber,
Que aquele que tu segue é o mesmo que explora você,
E te faz querer ter sempre mais e mais,
Carro importado, ouro , luxos superficiais,
Coisas banais sendo enaltecidas 

Sentimentos, ideias, pessoas sendo esquecidas 
Vidas perdidas pela ditadura do consumo,
Vale o que tem, se não tem pode seguir seu rumo,
Viver pra deixar bens , eu vou além ,
Deixo saudades, ideias, sentimentos também,
Como ninguém , oferecendo perigo ao ciclo,
Desobedeço, subverto e não idolatro o inimigo.
que justifica o poder, por ser votado,

E se esquece que até Hitler foi idolatrado,
Democracia aqui é uma farsa,
Não vale nada, se é o sistema quem controla a massa.



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