19 de abril de 2014

TERROR EM NAIROBI - QUÊNIA

Cires Pereira - setembro de 2013


Neste sábado, dia 21 de setembro, o grupo radical muçulmano somali Al-Sahabaad reivindicou a autoria do atentado no Shopping Center Westgate em Nairobi capital do Quênia, segundo os especialistas este grupo tem ligações com a rede terrorista Al Qaeda fundada por Osama Bin Laden (já falecido). Até o momento são 39 mortos e 150 feridos. Novas informações do governo queniano, passadas na noite de domingo dia 22, dão conta que já foram contabilizados 68 mortos. Segundo o governo o cerco final aos terroristas já foi feito e o desfecho está próximo.

A seguir a mensagem que o grupo veiculou na rede Twiter:

"Os mujahedines entraram ao meio-dia de hoje no "Westgate" (...) "Eles mataram mais de cem infiéis quenianos e a batalha prossegue" (...) "Por muito tempo nós travamos uma guerra contra os quenianos em nossa terra, agora é hora de mudar o campo de batalha e levar a guerra para a sua terra".

O Presidente do Quénia Uhuru Kenyatta disse que "O Quénia não se deixa intimidar pelo terrorismo", disse ainda que perdeu parentes neste atentado. A ação terrorista ainda não foi concluída, pois nesta manhã a Al Jazeera (Rede Televisiva árabe) informou que israelenses se juntaram à polícia queniana para libertarem reféns que continuam em poder dos terroristas. É válido ressaltar que parte do Shopping pertence a investidores israelenses.


Relação com Guerra Civil na Somália

Uma guerra civil foi irrompida em 1991, neste país de maioria muçulmana sunita localizado no extremo nordeste do continente africano e que possui uma população que fala o árabe e o somali, logo após a queda do presidente Siad Barre articulada pelos "clãs do norte e do sul", contudo o novo presidente, Ali Mahdi Mohamed, não conseguiu pacificar e unificar a Somália e também caiu em dezembro no mesmo ano.


O país é palco de uma guerra que já custou as vidas 500 mil somalis. Durante a gestão do presidente Abdullahi Yusuf Ahmed, governo reconhecido pela comunidade internacional desde 2006, entretanto as tribos rivais internas comandadas pelos "senhores da guerra" e milícias islâmicas como o grupo Al-Sahbaad continuaram numa disputa fratricida e renhida, numa clara demonstração de não reconhecimento ao governo e à legislação

Em razão desta difícil e tensa situação. Tropas do Quênia entraram na Somália em 2011, onde ocupa o sul do país, como parte da força africana multinacional que apoia o governo somali contra os rebeldes islâmicos. Aqui reside a explicação mais plausível para as razões do atentado perpetrado neste momento em Nairobi. Há também que se levar em conta a face religiosa, pois os terroristas alertaram durante esta ação de que poupariam aqueles que são muçulmanos.

Depois de 20 anos de instabilidade e desmandos a Somália aprovou uma nova constituição, elegeu um novo parlamento, presidente e primeiro-ministro, abrindo caminho para o seu primeiro governo estável em cerca de 20 anos.

O presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud

Desde agosto de 2012 o novo presidente, Hassan Sheikh Mohamud tem se esforçado, com o amparo de forças multinacionais dentre as quais a incluindo a queniana, a pacificar a Somália.

Repercussões na Região


A princípio não se pode estabelecer uma relação direta deste atentado com o atentado ocorrido em 7 de agosto de 1998 que teve como alvo a Embaixada dos EUA, naquele atentado 213 pessoas foram mortas e quase 5.000 feridas. Quarenta e quatro pessoas, inclusive 12 americanos, foram mortos na embaixada. Um outro atentado, no mesmo dia, ocorreu na Tanzânia em frente a Embaixada dos EUA, matando 11 pessoas. A rede terrorista Al-Qaeda assumira ambos os atentados.

Nos últimos 15 anos tem sido frequentes pequenos atentados reivindicados pelo Al-Shebaab, ligado ao Al-Qaeda, contra alvos no Quênia.

Dois fatos devem ser levado em conta: em 2011, o Al-Sahbaab havia feito uma de que atacaria Nairobi em represália ao envolvimento do governo queniano na guerra civil somali e nesta, sexta feira dia 20 de setembro, John Kerry (Secretário de Estado) do governo dos EUA encontrou-se com o presidente da Somália Hassan Sheikh Mohamud, em Washington. Antes do encontro Kerry disse: "Os EUA, obviamente, têm se empenhado em ajudar a Somália a lutar contra o terror tribal... e o presidente [do Quênia] e seus aliados têm realmente feito um trabalho incrível em revidar". 

Urge que algo seja feito para, pelo menos, reduzir a tensão nesta região. Uma atenção mais consistente sobre os problemas, uma ação firme contra o terrorismo, desde que seja resultante de um consenso multi-diplomático envolvendo a Liga Árabe, as organizações multi-diplomáticas africanas , a ONU e, obviamente, as partes envolvidas na guerra somali. 

Não se pode mais assistir, passivos, impotentes e indiferentemente ao drama que vivem os povos das regiões mais pobres do mundo. É preciso por um fim nos radicalismos que, de toda natureza, obrigam diásporas e ceifam vidas indefesas e inocentes que precisam de atenção, paz, comida e remédios. Antes disto é igualmente imperativo que governos, empresas, diplomatas e militares de todos os cantos do mundo façam um exame de consciência, pois muitos dos seus atos e decisões tem uma relação direta com o radicalismo ou o extremismo.

A não observância destes que são, não os meus conselhos, mas de todos envolvidos na questão e que tem se debruçado sobre a questão, implicará em mais atentados que poderão se tornar cada vez mais frequentes e intensos. Os que no mundo protagonizam o debate e as decisões sobre os problemas de ordem econômica, de ordem financeira, de ordem ambiental, deveriam deixar de lado seus gabinetes e palácios bem mobiliados. 
Refugiadas somalis


Deveriam viajar mais pelo planeta, sobretudo para estas regiões onde são evidentes os dramas da maioria dos povos e resolverem tais problemas, pois tenho certeza de que os custos seriam muito menores do que os custos dos esforços que tem sido feitos para enfrentarem crises econômicas e ampliação e sofisticação de seus arsenais de vigilância e defesa".
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