SOBRE O DIA 08 DE MARCO

Cires Pereira

Massacre de mulheres operárias  em Nova York - 08 03 1857

Não sou daqueles (maioria) que consideram o dia 08 de março como sendo o dia das mulheres. Contudo aproveito esta data para render homenagens a todos os homens e todas as mulheres que tem  empreendido lutas importantes contra quaisquer tipos de espoliação e dominação.  A data alude ao desfecho trágico de uma greve empreendida por tecelãs em Nova York quando 130 mulheres grevistas foram mortas pela polícia numa reação descomunal. 

Não me disponho a homenagear as mulheres em geral, pois não tem sido raros os casos de mulheres que, ocupando espaços de destaque ao longo da história, agiram e continuam agindo em consonância com o "stablishment".

As mobilizações de homens e de mulheres por uma sociedade menos injusta e menos desigual não poderiam ser vistas com tal se as demandas específicas de frações destes mesmos mobilizados, como e o caso das legitimas demandas do movimento feminista, fossem ignoradas.

Sob este prisma devemos reconhecer os limites das proposições lançadas pelos trabalhadores que se empenharam em reagir contra o sistema capitalista consolidado na esteira da "revolução industrial", os primeiros movimentos de trabalhadores não apresentavam em suas pautas as aspirações das mulheres.

Da mesma forma não se pode admitir, a priori, que todos os movimentos feministas, que todos os movimentos ecologistas e que todos os movimentos GLBT sejam signatários fe uma sociedade menos desigual e menos injusta.

Os que se posicionam contrários a esta análise certamente se valem de uma argumentação que não me convence, a saber: "a luta por propósitos específicos como a igualdade de homens e mulheres perante a lei e o Estado  se soma ou não é estranha à luta por uma sociedade menos desigual e menos injusta.

Sustento a tese de que os homens e as mulheres que lutam por uma sociedade menos injusta e menos desigual deveriam também acolher e defender  bandeiras especificas dos movimentos feministas, indígenas, ecologistas, GLBT, etc ou solidarizarem-se com estas demandas. Não se pode esperar e permitir que um machista ou um (a) racista ou um (a) homofóbico (a) possam se colocar ao lado dos que lutam por uma sociedade menos desigual e menos injusta.

Por tudo isso o dia oito de março deveria juntar-se aos demais trezentos e sessenta e quatro dias do ano de oposição a ordem presente, uma ordem excludente.


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