12 de abril de 2014

SÍRIA 3: EUA E RÚSSIA FAZEM UM ACORDO QUE (PODE) EVITAR UMA INTERVENÇÃO ARMADA INTERNACIONAL

Cires Pereira 14 de setembro de 2013


Kerry (EUA) e Lavrov (Rússia)

O Secretário de Estado dos EUA John Kerry, após reuniões com o Ministro das Relações Exteriores da Rússia Sergei Lavrov, anunciou neste sábado, dia 14 de setembro, em Genebra (Suíça) que Rússia e EUA chegaram a um entendimento sobre a questão síria.


Os EUA optaram por dar um prazo de uma semana para que o governo de Bashar al-Assad reporte, de forma detalhada, o arsenal de armas químicas disponível pelo governo. John Kerry fêz um ultimato. “Se a Síria não cumprir os procedimentos para eliminar suas armas químicas, a ameaça de uso de força será incluída em uma resolução do Conselho de Segurança da ONU”.

Segundo a agenda acordada, inspetores da ONU deverão acompanhar os trabalhos de avaliação do arsenal até novembro próximo, o objetivo é destruir este arsenal até julho de 2014. Os governos russo e americano reiteram o apelo para que o governo Bashar al-Assad colabore. Kerry e Lavrov reiteraram ainda que Moscou e Washington estão sempre em conversas para a busca do entendimento sobre arsenais químicos.


Os EUA, apoiados pelas potências ocidentais, insistem em acusar o regime sírio como responsável pelas mortes de 1.429 civis em um ataque em 21 de agosto, na periferia de Damasco, provavelmente pelo uso de gás sarin. Assad nega a autoria e responsabiliza os culpa os rebeldes "terroristas", ligados à rede da Al-Qaeda, que tentam derrubar o governo, em uma guerra civil que já dura dois anos e meio que já ceifou mais 100 mil pessoas além de uma crise humanitária sem precedentes neste país.


A oposição liderada pelo general Selim Idris, afirmou que o este acordo frustra a esperança de homens e mulheres que prefeririam a derrubada de Bashar al-Assad bem .O general emendou que este acordo permitirá que Assad também se livre da prisão pelas mortes de centenas de milhares de civis no ataque químico em Damasco em 21 de agosto. Ainda segundo os oposicionistas de Assad, o governo já está removendo armas para o Líbano e o Iraque, para evitar futuras represálias internacionais a partir da inspeção da ONU. Segundo Selim Idris, "Toda essa iniciativa não nos interessa. A Rússia é um parceiro do regime na matança da população síria. Um crime contra a humanidade foi cometido e não há nenhuma menção de responsabilização”. 

A ONU, por intermédio de se Secretário Geral Ban Ki-moon demonstrou satisfação pelo acordo e diz crer que este acordo leve ao fim da guerra civil no país. O governo Inglês, previsivelmente, também felicitou o acordo e reportou uma conversa que tivera com Kerry dando conta de que a aplicação deste acordo seria imediata.

Agora a pouco Obama disse: “Como este plano só surgiu por causa da ameaça factível de uma ação militar por parte dos Estados Unidos, manteremos nossa postura militar na região para seguir pressionando o regime de Assad. E se a diplomacia fracassar, os Estados Unidos e a comunidade internacional têm que estar preparados para atuar".

A partir destas informações e considerando as suas repercussões, pode-se depreender que a guerra continua, pois a única coisa que ficou acertada é a proibição do uso de armas químicas e um processo de levantamento pela ONU e possível destruição destes arsenais. Não li nada que sugira a necessidade de forças humanitárias no país para estabelecer um controle e, sendo o caso, a repressão contra os lados litigantes, não me parece que este acordo signifique o fim da guerra, muito menos o fim de um governo claramente genocida como tem sido o governo de Bashar al-Assad. Se detivermos um pouco mais na fala de John Kerry, fica subentendido que, se o governo Assad “colaborar”, a comunidade internacional continuará reconhecendo-o como presidente da Síria, a despeito do que parece desejar a maioria do povo sírio. 

O que me pareceu claro até agora foi um o estabelecimento de “limites” para os abusos cometidos pelos dois lados, ou seja, está vedado o uso de armas químicas.

Perguntas que Kerry, Lavrov, Putin, Obama, Assad e Idris precisam, mas não parecem querer, responder.


Outros tipos de armas, que também matam e destroem, podem? Assad continua no governo? 

Intuo o que deve estar passando na cabeça destas lideranças, e penso que nem precisaria comprovar isto por razões muitíssimo óbvias. Para Kerry, Lavrov, Putin, Obama, Assad e Idris outras armas podem e poderão ser usadas.

Vista aérea do campo de refugiados de Zaatari, perto da cidade jordana de Mafraq, onde vivem cerca de 115 mil refugiados sírios
REUTERS/MANDEL NGAN

Esqueçamos as mortes, as privações, os refugiados, façamos vistas grossas ao regime ditatorial sírio, pois o mundo, em particular o Oriente Médio, deve continuar em paz.
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