RACISMO: EUA E ÁFRICA DO SUL

Cires Pereira 

NOS EUA

Há 150 anos, no âmbito da guerra civil entre tropas do governo dos EUA e as tropas dos Confederados (Estados no sudeste cujos governantes, pressionados pelas elites locais, declararam em 1860 a secessão frente aos EUA), os EUA suprimiram a escravidão que até então era imposta aos afro-americanos. 

A abolição do escravismo, entretanto não significou o fim das humilhações, privações, segregações e perseguições ensejadas pelas forças politicamente retrógradas daquele país. Mesmo proibidos, os militantes da KU KLUX KLAN agiam impunes graças à aquiescência das autoridades em todos os níveis.
Os negros ficavam com o resto da água dos brancos nos bebedouros da Carolina do Norte - Anos 50
Para preservarem suas identidades, os militantes da KU KLUX KLAN usavam roupas brancas com capuzes que cobriam o rosto. Seus militantes não aceitavam que os afroamericanos tivessem o direito à educação, diziam que eles eram indignos, que tinham nascidos vocacionados para trabalharem como escravos. Mesmo tendo sido proibida em 1871, a organização continuou agindo, chegando a ter cinco milhões de adeptos. 

A partir de 1915, a organização restabeleceu-se de forma legal no Estado americano da Geórgia. Em 1920, passou a ser dirigida pelo jornalista E. Y. Clake, que mobilizou uma forte repressão contra os negros, judeus, estrangeiros e católicos. A partir da Crise de 1929, perdeu forças e adeptos. Atualmente conta apenas 3 mil filiados nos EUA.
Negro chora observando um protesto da Ku Klux Klan. Duas horas 
depois ele foi morto, provavelmente por membros da seita

Há exatos 50 anos, um dos líderes do movimento antissegregacionista estadunidense, Martin Luther King Junior proferia em Washington o seu discurso " I have Dream", no qual exortava os seres humanos, de todas as raças, credos e cor e de boa índole à mobilização pacífica pelo fim do segregacionismo contra os afrodescendentes nos EUA. Naquele dia os racistas puderam, impotentes, perceber que eram inevitáveis as concessões que teriam que ser feitas. Em 1964 e 1965 o Congresso dos EUA aprovaram uma nova legislação que incluía os afrodescendentes de todos os cantos deste país como pessoas iguais perante a lei e com direitos políticos iguais aos já concedidos aos "brancos". 

Martin Luther King e Malcom X
Foi certamente um passo importante, mas este passo não significou o fim das perseguições, das humilhações, da segregação. Delitos raciais, muitos em formas sutis e praticado dissimuladamente, continuaram e continuam até hoje neste país. Exemplos marcantes, os assassinatos de Malcom X, em 1965 e de Martin Luther King, em 1968. Pode-se também considerar a natureza racista do atentado que vitimou Robert F. Kennedy em 1968, um pouco antes das eleições presidenciais em que disputava como candidato à presidente com grande possibilidade de se eleger.

Um membro da Ku Klux Klan é atendido por socorristas, todos afrodescendentes. 

África do Sul

Na África da Sul, que se emancipara da Inglaterra logo depois da 2ª Guerra, o segregacionismo continuou, no regime do Apartheid que vigorou até 1994, os governos ao longo destes quase 50 anos, todos escolhidos pelos eleitores brancos eram reféns dos interesses destes mesmos brancos de origem europeia. Estes governos mantinham a maioria nativa excluída em todos os sentidos além das perseguições mais abomináveis contra os que se encorajavam na mobilização contra o racismo e a discriminação de qualquer espécie.

1948 Apartheid na África do Sul 
Os Afrikaaners (“brancos de origem holandesa”) através do Partido Nacional assumiram o controle da África do Sul , a segregação consolidou-se com a catalogação racial de toda criança recém nascida, com a Lei de Repressão ao Comunismo e com a formação dos Bantustões em 1951, que eram uma forma de dividir os negros em comunidades independentes, ao mesmo tempo em que estimulava-se a divisão tribal, enfraquecia-se a possibilidade de guerras contra o domínio da elite branca. 

Mesmo diante de muita opressão e intimidação as mobilizações das populações negras cresciam: Em 1960 cerca de 10.000 negros queimaram seus passaportes no gueto de Sharpeville e foram duramente reprimidos pelos militares acionados pelo governo.

Em 1963, Mandela no Julgamento de Rivonia foi sentenciado à prisão perpétua, neste ano a África do Sul era uma nação com 17 milhões de habitantes divididos entre Brancos (20%), Negros (70%), mestiços (7%) e asiáticos (3%).




















Na década de 80 o apoio interno e externo à luta contra o Apartheid se intensificaram, destacando-se a figura de Winnie Mandela e do bispo Desmond Tutu. 

A ONU, apesar de condenar o regime sul-africano, não interferiu de forma efetiva. A partir de 1989, após a ascensão de Frederick de Klerk ao poder, a elite branca começa as negociações que determinariam a legalização do CNA e de todos os grupos contrários ao apartheid e a libertação de Mandela. Mandela, livre da prisão, elege-se presidente do País.

Este regime político racista acabou graças às pressões locais lideradas principalmente pelo Congresso Nacional Africano, partido liderado por Nelson Mandela que continua sendo um dos líderes mais reverenciado na África do Sul e no Mundo.
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