12 de abril de 2014

PROVA HISTÓRIA VESTIBULAR UNESP 2014: COMO PREVISTO.

Cires Pereira - Novembro de 2013 


A Prova de História do vestibular UNESP 2014, aplicada novembro de 2013, como havia previsto, foi um prova mediana, as questões não tinham dubiedades e a comunicação entre o enunciada e a alternativa correta era bastante clara.

Deste modo cumpriu com competência o que se propunha, selecionar quem melhor se preparou. Pautou também pelo equilíbrio na seleção das frentes, muito embora tenham faltados temas mais atuais, como a crise econômica mundial desde 2007, o terrorismo internacional, as disputas políticas em curso em toda América Latina e África. Uma prova essencialmente conteudista, com textos relativamente curtos e imagens que contribuíram para o vestibulando encontrar a resposta correta.


Questões, gabaritos e comentários

Leia o texto para responder às questões de números 31 e32. 

Apesar de não ter sido tão complexo quanto os governos modernos, o Império [Romano] também precisava pagar custos muito altos. Além de seus funcionários, da manutenção das estradas e da realização de obras, precisava manter um grande exército distribuído por toda a sua extensão. A cobrança de impostos é que permitia ao governo continuar funcionando e pagando seus gastos. 

(Carlos Augusto Ribeiro Machado. Roma e seu império, 2004.) 

Questão 31 

Sobre o recolhimento de impostos e os gastos públicos no Império Romano, é correto afirmar que 

a) os patrícios e os proprietários de terras não pagavam tributos, uma vez que estes eram de responsabilidade exclusiva de arrendatários e escravos. 
b) o desenvolvimento da engenharia civil foi essencial para integrar o Império e facilitar o deslocamento dos exércitos. 
c) as obras financiadas com recursos públicos foram apenas as de função religiosa, como altares ou templos. 
d) a desvalorização da moeda foi uma das formas utilizadas pelos governantes para aliviar o peso dos impostos sobre a população despossuída. 
e) os tributos eram cobrados por coletores enviados diretamente de Roma, não havendo qualquer intermediação ou intervenção de autoridades locais. 

A dilatação dos domínios romanos implicava em custos crescentes para o controle destes domínios devido face ao deslocamento de frações das forças armadas. Custos que aumentavam mais ainda por conta da construção de infraestrutura visando o deslocamento/avanço destas mesmas forças. As estradas eram construídas demandando assim conhecimentos de engenharia civil e de profissionais que pudessem projetá-las. 

 
Questão 32 

Os gastos militares intensificaram-se a partir dos séculos III e IV d.C., devido 

a) ao esforço romano de expandir suas fronteiras para o centro da África. 
b) às perseguições contra os cristãos, que, bem sucedidas, permitiram o pleno retorno ao politeísmo. 
c) à necessidade de defesa diante de ataques simultâneos de bárbaros em várias partes da fronteira. 
d) aos anseios expansionistas, que levaram os romanos a buscar o controle armado e comercial do mar Mediterrâneo. 
e) à guerra contra Cartago pelo controle de terras no norte da África e na Península Ibérica. 

As incursões “bárbaras” cresceram ao longo do século IV o que tornavam os gastos com os militares maiores. O Império foi forçado a arregimentar mais soldados e mais recursos para guarnecerem as áreas sob seu domínio. 

Questão 33 

Mais ou menos a partir do século XI, os cristãos organizaram expedições em comum contra os muçulmanos, na Palestina, para reconquistar os “lugares santos” onde Cristo tinha morrido e ressuscitado. São as cruzadas [...]. Os homens e as mulheres da Idade Média tiveram então o sentimento de pertencer a um mesmo grupo de instituições, de crenças e de hábitos: a cristandade. 

(Jacques Le Goff. A Idade Média explicada aos meus filhos , 2007.) 

Segundo o texto, as cruzadas 

a) contribuíram para a construção da unidade interna do cristianismo, o que reforçou o poder da Igreja Católica Romana e do Papa. 
b) resultaram na conquista definitiva da Palestina pelos cristãos e na decorrente derrota e submissão dos muçulmanos. 
c) determinaram o aumento do poder dos reis e dos imperadores, uma vez que a derrota dos cristãos debilitou o poder político do Papa. 
d) estabeleceram o caráter monoteísta do cristianismo medieval, o que ajudou a reduzir a influência judaica e muçulmana na Palestina. 
e) definiram a separação oficial entre Igreja e Estado, estipulando funções e papéis diferentes para os líderes políticos e religiosos. 

No início da Baixa Idade Média, sobretudo desde o final do século XI, a Igreja Católica passou a empreender uma forte contraofensiva tendo em vista a necessidade inicial de conter os “infiéis”, particularmente os islâmicos, estabelecidos desde o século IX nas regiões sul da Europa Ocidental. 

Estas contraofensivas, denominadas “Cruzadas” reforçaram a unidade cristã, mesmo estando a Igreja ressentida pela perda dos “cristãos” no Oriente devido ao “Cisma do Oriente” que possibilitou o surgimento da Igreja Cristã Ortodoxa. 


Questão 34 

Ó mar salgado, quanto do teu sal 
São lágrimas de Portugal! 
Por te cruzarmos, quantas mães choraram, 
Quantos filhos em vão rezaram! 
Quantas noivas ficaram por casar 
Para que fosses nosso, ó mar! 
Valeu a pena? Tudo vale a pena 
Se a alma não é pequena. 
Quem quer passar além do Bojador 
Tem que passar além da dor. 
Deus ao mar o perigo e o abismo deu, 
Mas nele é que espelhou o céu. 


(Fernando Pessoa. Mar Português. Obra poética , 1960. Adaptado.) 

Entre outros aspectos da expansão marítima portuguesa a partir do século XV, o poema menciona 

a) o sucesso da empreitada, que transformou Portugal na principal potência europeia por quatro séculos. 
b) o reconhecimento do papel determinante da Coroa no estímulo às navegações e no apoio financeiro aos familiares dos navegadores. 
c) a crença religiosa como principal motor das navegações, o que justifica o reconhecimento da grandeza da alma dos portugueses. 
d) a percepção das perdas e dos ganhos individuais e coletivos provocados pelas navegações e pelos riscos que elas comportavam. 
e) a dificuldade dos navegadores de reconhecer as diferenças entre os oceanos, que os levou a confundir a América com as Índias. 

A navegação tornou-se ainda mais decisiva para que a atividade mercantil pudesse se desenvolver, ao longo dos séculos XV e XVI. As novas rotas marítimas passaram pelos Oceanos, razão pela qual os continentes africano e Americano tornaram-se imprescindíveis. O poema de Fernando Pessoa alude aos desafios da navegação, às perdas materiais e humanas decorrentes desta exploração, mesmo reconhecendo a importância de tudo isto para a superação dos problemas enfrentados pelos Europeus no período. Reconhece igualmente a importância da navegação pelos Oceanos para desconstruir os mitos e os preconceitos que tanto limitavam a ciência e as condutas daquela época.


Questão 35 

O comércio foi de fato o nervo da colonização do Antigo Regime, isto é, para incrementar as atividades mercantis processava-se a ocupação, povoamento e valorização das novas áreas. E aqui ressalta de novo o sentido da colonização da época Moderna; indo em curso na Europa a expansão da economia de mercado, com a mercantilização crescente dos vários setores produtivos antes à margem da circulação de mercadorias – a produção colonial era uma produção mercantil, ligada às grandes linhas do tráfico internacional. 

(Fernando A. Novais. Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial (1777-1808), 1981. Adaptado.) 

O mecanismo principal da colonização foi o comércio entre colônia e metrópole, fato que se manifesta 


a) na ampliação do movimento de integração econômica europeia por meio do amplo acesso de outras potências aos mercados coloniais. 
b) na ausência de preocupações capitalistas por parte dos colonos, que preferiam manter o modelo feudal e a hegemonia dos senhores de terras. 
c) nas críticas das autoridades metropolitanas à persistência do escravismo, que impedia a ampliação do mercado consumidor na colônia. 
d) no desinteresse metropolitano de ocupar as novas terras conquistadas, limitando-se à exploração imediatista das riquezas encontradas. 
e) no condicionamento político, demográfico e econômico dos espaços coloniais, que deveriam gerar lucros para as economias metropolitanas.  

As conquistas tinham que vir acompanhadas de um processo sistemático de colonização sobre os domínios conquistados. Esta colonização dependia de condições de ordem política e militar que pudessem proporcionar lucros aos colonos, superávits comerciais para as metrópoles respectivas e lucros e receitas para a burguesia e governo metropolitanos.

 
Questão 36

Entre as diferenças políticas que levaram o Norte e o Sul dos Estados Unidos à Guerra Civil, em 1861, podemos citar 

a) a disputa pelo mercado consumidor europeu de matérias-primas e pelo mercado consumidor latino-americano de manufaturados. 
b) a disputa em relação às terras do Oeste, que vinham sendo conquistadas e gradualmente incorporadas à União. 
c) o apoio nortista às lutas pela independência de Cuba e a rejeição sulista às emancipações políticas no Caribe. 
d) a anexação de terras do México por estados do Norte e a defesa sulista da autonomia e da soberania territorial mexicana. 
e) o esforço de expansão para o Sul e o consequente estabelecimento de hegemonia norte-americana sobre a América Latina.

A questão alfandegária constituiu-se na principal motivação da guerra civil travada entre as tropas da União e dos Estados Confederados (Sudeste). O Norte tinha interesse na elevação dos tributos sobre o comércio internacional enquanto os Estados Sudestinos defendiam a redução e até o fim destas tarifas, pois eram amparados por uma economia de exportação. Contudo esta motivação não foi apresentada pela questão, restando a alternativa que menciona outro motivo, a saber a disputa pelas terras no Oeste, recém incorporadas à União. 


Questão 37 

A proclamação da República não é um ato fortuito, nem obra do acaso, como chegaram a insinuar os monarquistas; não é tampouco o fruto inesperado de uma parada militar. Os militares não foram meros instrumentos dos civis, nem foi um ato de indisciplina que os levou a liderar o movimento da manhã de 15 de novembro, como tem sido dito às vezes. Alguns deles tinham sólidas convicções republicanas e já vinham conspirando há algum tempo [...]. Imbuídos de ideias republicanas, estavam convencidos de que resolveriam os problemas brasileiros liquidando a Monarquia e instalando a República. 

(Emília Viotti da Costa. Da monarquia à república , 1987.) 

O texto identifica a proclamação da República como resultado 
a) da unidade dos militares, que agiram de forma coerente e constante na luta contra o poder civil que prevalecia durante o Império. 
b) da fragilidade do comando exercido pelo Imperador frente às rebeliões republicanas que agitaram o país nas últimas décadas do Império. 
c) de um projeto militar de assumir o comando do Estado brasileiro e implantar uma ditadura armada, afastando os civis da vida política. 
d) da disseminação de ideais republicanos e salvacionistas nos meios militares, que articularam a ação de derrubada da Monarquia. 
e) de uma conspiração de civis, que recorreram aos militares para derrubar a Monarquia e assumir o controle do Estado brasileiro. 

A proclamação da República coroa um envolvimento crescente das hostes militares no debate político e, por conseguinte nas decisões definidoras dos rumos do Estado Brasileiro. O êxito na Guerra do Paraguai estimula um maior envolvimento das elites militares na mobilização pela república que já contava com o concurso de importantes setores da economia brasileira. Vale ressaltar a ideia de que a República haveria de ser um importante passo na confirmação da soberania nacional. 


Questão 38 

No final da primavera de 1921, um grande artigo de Lenin define o que será a NEP [Nova política econômica]: supressão das requisições, impostos em gêneros (para os camponeses); liberdade de comércio; liberdade de produção artesanal; concessões aos capitalistas estrangeiros; liberdade de empresa – é verdade que restrita – para os cidadãos soviéticos. [...] Ao mesmo tempo, recusa qualquer liberdade política ao país: “Os mencheviques continuarão presos”, e anuncia uma depuração do partido, dirigida contra os revolucionários oriundos de outros partidos, isto é, não imbuídos da mentalidade bolchevique. 

(Victor Serge. Memórias de um revolucionário , 1987.) 

O texto identifica duas características do processo de constituição da União Soviética: 
 
a) a reconciliação entre as principais facções social-democratas e a implantação de um sistema político que atribuía todo poder aos sovietes de soldados, operários e camponeses. 
b) o reconhecimento do fracasso político e social dos ideais comunistas e o restabelecimento do capitalismo liberal como modo de produção hegemônico no país. 
c) a estatização das empresas e dos capitais estrangeiros investidos no país e a nacionalização de todos os meios de produção, com a implantação do chamado comunismo de guerra. 
d) a aguda centralização do poder nas mãos do partido governante e o restabelecimento temporário de algumas práticas capitalistas, que visavam à aceleração do crescimento econômico do país. 
e) o fim da participação russa na Guerra Mundial, defendida pelas principais lideranças do Exército Vermelho, e a legalização de todos os partidos socialistas. 
 

Duas coisas foram marcantes na Rússia Soviética no início da década de 1920: 
Primeira: A burocratização do regime, isto é o poder cada vez mais controlado pelo Partido Comunista Soviético (desde 1922, Partido Comunista da União Soviética) e o esvaziamento do protagonismo político dos soviets (comitês). Segundo o governo, isto foi necessário em razão da contrarrevolução materializada nas ofensivas do Exército Branco desde 1918. 
Segunda: A substituição do Comunismo de Guerra pela Nova Política Econômica, na qual o governo opta por fazer algumas concessões à iniciativa privada além de algumas reformulações nas estatais como meio para reaquecer e reorganizar a economia nacional. 
 

Analise o cartaz da campanha presidencial do Marechal Henrique Teixeira Lott para responder às questões de números 39 e 40.

Questão 39

O cartaz, que foi empregado na campanha para a Presidência da República em 1960,

a) confirma a presença de Vargas como principal articula dor da candidatura de Lott e relembra as dificuldades na construção da nova Capital.
b) demonstra a aliança do conjunto das classes sociais brasileiras com Lott e defende a necessidade de unidade política na busca pelo progresso do país.
c) celebra o desenvolvimentismo dos governos anteriores e alerta para o risco iminente de golpe militar.
d) ressalta a aliança partidária construída em torno do nome de Lott e destaca a continuidade política que sua candidatura representa.
e) apresenta a candidatura de Lott à presidência como expressão do populismo e do esforço de incorporar os setores trabalhadores à política.

Lott do PSD, tendo como vice uma liderança do PTB, neste caso Jango, representava a continuidade de uma aliança exitosa ao longo dos anos 50, encabeçada primeiramente por Vargas do PTB e depois por JK do PSD.


Questão 40 
A forma como Juscelino Kubitschek é representado no cartaz 

a) associa a construção de Brasília ao desbravamento do interior do país e sugere um projeto de integração nacional. 
b) expressa o esforço para que ele seja aceito pelo eleitorado, que sempre o rejeitou por ser descendente de imigrantes. 
c) questiona o autoritarismo de seu governo e a impopularidade do projeto de transferência da Capital para Brasília. 
d) caracteriza a inauguração da nova Capital como estratégia de afastar o poder federal dos principais centros econômicos do país. 
e) é uma crítica ao arcaísmo de suas ações políticas e uma defesa da modernização econômica e política do país. 

A grande marca deixada no imaginário coletivo de JK foi a construção de Brasília e o deslocamento da sede do governo para o centro do país, dando a impressão de integração nacional. Não é qualquer coisa o fato de JK no outdoor ser retratado com roupas de “bandeirante”. 

Questão 41


A Revolução dos Cravos aconteceu em Portugal, no dia 25 de abril de 1974. Esse movimento 

a) permitiu o restabelecimento do controle político português sobre as colônias africanas, que haviam acabado de conquistar sua independência. 
b) instalou uma ditadura militar em Portugal, encerrando cinco décadas de Estado democrático e popular. 
c) iniciou o processo de democratização do país, encerrando o longo regime autoritário que marcou parte do século XX português. 
d) impediu a continuidade do processo de modernização da economia portuguesa, implantado ao final da Segunda Guerra Mundial. 
e) contestou o ingresso de Portugal na Comunidade Europeia e defendeu a aproximação do país com os países socialistas do Leste Europeu. 

Desde o início da década de 1930 os portugueses haviam se sucumbido ao Estado Totalitário perpetrado pelos fascistas tendo a frente Oliveira Salazar e depois Marcelo Caetano. Com a Revolução dos Cravos em 1974, o regime fascista é desmantelada e um processo de redemocratização é deflagrado. No ano seguinte foi a vez da Espanha livrar-se também do totalitarismo franquista.
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