PROJEÇÕES POLÍTICAS E ECONÔMICAS PARA 2014

CIRES PEREIRA - DEZEMBRO 2013


Quando um ano se inicia é muito comum aparecerem as mais diversas projeções, não poderia deixar de apontar as minhas. Levarei em conta os acontecimentos de 2013, expostos neste blog há uma semana e a  leitura que faço sobre os fatos na última década para fazer esta projeção do pode acontecer ao longo de 2014. É provável que algumas destas projeções não se materializem até mesmo porque se tivesse cem por cento de acertos, seria um guru e não um dos vários profissionais que, a luz do ocorrido, tenta compreender o agora e apontar tendências ou fazer projeções. Sintam-se, caros leitores e leitoras absolutamente a vontade para discordarem de algumas destas projeções ou até mesmo para acrescentarem outras. Abaixo o link da retrospectiva de 2013.


Brasil

O ano de 2014 deverá ser de crescimento econômico ainda modesto para a economia brasileira, algo próximo a 3,5 % de expansão do PIB sendo que destes 1% ficará por conta dos impactos imediatos da realização da Copa do Mundo de Futebol no inverno. O desemprego continuará em patamares que sugerem um clima de "pleno emprego".  

Este quadro econômico nos leva a projetar uma renovação política pequena. Dilma muito provavelmente vencerá as eleições e sua base de sustentação no parlamento continuará enorme, o que não significa dizer que encontrará mais facilidade para governar, pois os partidos que lhe dão sustentação, incluindo parte do PT, tem se movido muito por interesses corporativos e individuais. Infelizmente, o casuísmo, o corporativismo e o fisiologismo continuarão sendo os combustíveis de muitos parlamentares. O quadro estadual sofrerá poucas mudanças até mesmo porque tem sido cada vez mais tênue a diferença entre gestões estaduais conduzidas por oposicionistas e por situacionistas.

Mundo


Lamentavelmente assistiremos ao recrudescimento dos atentados terroristas, sobretudo contra alvos civis e militares israelenses, estadunidenses e russos, entendendo que este recrudescimento resulta de posições cada vez mais intransigentes dos governos israelense, norte-americano e russo diante das demandas que se apresentam a eles e da inevitável ampliação dos grupos radicais locais, estimulados ou não pela Al Qaeda. Atentem para as situações no Afeganistão, no Paquistão, na Caxemira, nas Ossétias, no Iraque e no Egito. O Irã continuará sendo uma incógnita, pois ainda não vislumbro autonomia do governo do Presidente Hassan Rohani frente ao clérico mais conservador cuja maioria ainda orbita em torno da liderança de Ayatollah Ali Khamenei.

As instabilidades políticas em alguns países tendem a encontrar um desfecho mais consensual, como são os casos da Turquia, da Bulgária e da Venezuela. Por outro lado preocupa-me muito as situações no Sudão do Sul, na Tailândia, na Ucrânia e na Síria. Tem sido modestos os esforços das autoridades das principais potências do mundo e da ONU para encontrar uma solução pacífica para a Síria, há uma complacência absurda em relação ao truculento regime de Bashar al-Assad. Infelizmente os jornais ainda reportarão muitos cadáveres no Sudão do Sul e na Síria. Na Ucrânia e na Tailândia acompanho o esgotamento das alternativas para uma agenda de entendimento e o quadro poderá evoluir para uma situação de interrupção das ordens vigentes, algo semelhante ao que ocorre no Egito que continuará muito instável ao longo deste ano.

O Produto Interno Bruto mundial apresentou um crescimento baixo em 2013, contudo os indicadores do último trimestre sinalizam para crescimentos mais consistentes em 2014 e 2015. Tudo indica que  a "prolongada recessão" na zona do euro tende a ser rompida e que as taxas de crescimento nos Estados Unidos continuem melhorando. Índia e China parecem ter encontrado maneiras "conter" a desaceleração de suas economias em 2012 e 2013, Na Índia a expansão de seu PIB deverá se de 3,0 % e na China a expansão não será inferior a 7 %. O crescimento econômico dos EUA deverá ser de 2,5% neste ano, a economia na Europa Ocidental parece ter saído da zona de iminente recessão, prevejo um crescimento próxima a 1,5 % pra este ano. Brasil e Rússia, dos BRICS, continuarão tendo crescimentos um pouco menores, em torno de 3,5 % neste ano. Mas minha maior preocupação reside na possibilidade de elevação abrupta das commodities, sobretudo do petróleo provocada pelo aumento das tensões geopolíticas na Rússia, no Oriente Médio e no norte da África, que poderia tornar algumas medidas de recuperação econômica inócuas além de um aumento das desconfianças nos mercados emergentes que poderia tornar os investimentos cada vez mais caros e voláteis.
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