11 de abril de 2014

POEMA: SILÊNCIO

Cires Pereira



Concretamente imperceptível...
e abstratamente perceptível.

Coaxar do anfíbio. 
Relinchar do equino.
Grasnido da ave.
Canto do galo.

Vozes intermitentes do intervalo.
Da estação.
Da demanda.
Da feira.

Silvo do apito.
Estalo do açoite.
Estilhaço do vidro.
Explosão do artefato.

Tilintar do níquel.
Rufo do tambor.
Rasgo do pano.
Sopro da brisa.

Impaciência do insone.
Murmúrio do estupefato.
Timbre da voz.
Urro do gozo.

Tapa do machista.
Grito da indefesa.
Notícia da morte.
Clamor do indignado.

Anúncio da conquista.
Argumento da defesa.
Peça da acusação.
Veredicto do tribuno.

Dor do parto.
Choro do recém-nascido
Sorriso da vida.
Sugar do leite.

Gargalhada do dissimulado.
Grunhido do covarde.
Cochicho do preocupado.
Alívio do vencedor.

A expressão plena dos sentidos...
e o maior dos discursos.

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