11 de abril de 2014

POEMA: "DELA"

Cires Pereira


                                                                        
Escancaro minha janela na esperança de vê-la passar.

Passos ... respiração ofegante ... um vulto.

Expectativa inquietante!


Oh não, nada de vulto, apenas muitos e muitos vultos. 

Frustrado, testemunho as felicidades alheias.

Fosse ela lançaria, mesmo que de soslaio, meu olhar ao encontro dela.

Contenta-me apenas o olhar, o dela.

Cerro minha janela e, resignado, retomo “Caieiro”.

Na ausência da palavra murmurada dela, confortam-me e cortam-me as palavras escritas.

Ato raro, hoje não estou para as palavras cantadas, mesmo de um Gardel ou de Amália.

Tampouco para as palavras vistas de meu quarto.

Nem mesmo para as ampliadas, ladeado por estranhos, há quatro quadras daqui.

Limito-me a uma vaga lembrança de um timbre de voz provavelmente dela.


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