19 de abril de 2014

PERSPECTIVAS PARA A ECONOMIA MUNDIAL EM 2050

Cires Pereira - Outubro de 2013
 
Uma futurologia crível
Muitas projeções são feitas por órgãos governamentais e não governamentais, algumas com uma profunda dosagem de suspeição, outras nem tanto. Tem sido publicado pelas mídias mundo afora uma projeção macroeconômica para o ano de 2.050. Nesta projeção acima (World Bank e FMI) os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) serão as maiores potências econômicas do mundo ultrapassando a economia da União Europeia e a economia estadunidense.

Nesta mesma projeção, o Brasil provavelmente assumiria a posição de quinta maior economia do planeta, se considerarmos o montante das economias constituintes da "União Europeia". Destaques para a condição maior economia agroexportadora, podendo ser responsável por algo entre 35 % e 40 % de toda a produção mundial. Há ainda uma forte expectativa sobre o petróleo encontrado no "pré-sal" da costa brasileira. É também muito forte a expectativa mundial em relação às reservas naturais como água, fauna e flora.

A Rússia terá uma respeitabilidade semelhante à do Brasil, por conta do crescimento da dependência mundial de matérias-primas. Lembremos que Rússia e Brasil apresentam um vasto território ainda por desenvolverem culturas importantes para as necessidades dos povos, além dos potenciais energéticos respectivos. Não se pode ignorar o poderio e o expertise bélicos deste país, em parte herdado da extinta URSS.

Tudo leva-nos a crer que Índia se colocará na terceira posição de maior economia mundial por conta do avanço das atividades industriais, dos serviços, do avanço da instrução formal e das taxas de crescimento populacional que continuam expressivas neste país que há muitos anos tem sido segunda maior expressão demográfica do planeta com mais de 1 bilhão de habitantes. Não se pode também ignorar o seu expressivo arsenal bélico que continuará crescendo em razão dos problemas que o país tem com os seus vizinhos, especialmente o Paquistão. Índia, Paquistão e Israel não assinaram o acordo de não proliferação de armas, vigente desde março de 1970. A Coreia do Norte retirou sua assinatura em 2003.

Ao que tudo indica a economia chinesa será em 2050 a maior do mundo, tendo como base seu acelerado crescimento econômico que hoje continua acima da média mundial e da média das maiores economias mundiais. A concentração de indústria continuará numa intensidade maior do que tem sido devido ao tamanho da sua população e as novas tecnologias. Provavelmente seu poderio militar tornar-se-á ainda maior e melhor, logo mais temido. Seu poder de investimentos na própria economia e o seu poder de investimentos e financiamentos para outras economias continuarão crescendo. 

No ano passado, A China já era o segundo maior detentor da dívida do governo americano, atrás apenas do FED (Federal Reserve, o banco central dos EUA). O montante, em 2012, era de US$ 1,164 trilhão. Tem crescido muito nos últimos dois anos o apoio político do governo chinês para outras aplicações que não os títulos do Tesouro dos EUA, como a aquisição de empresas e o setor imobiliário em grandes mercados, como o de Nova York.

A grande incógnita na China diz respeito ao seu regime político, muito provavelmente as pressões por liberdade e por democracia dentro e fora da China repercutirão na "nomenclatura de Pequim". As relações com outras economias ainda provocam suspeitas e insegurança entre os demais países, especialmente os EUA que temem perder sua influência sobre as economias menores por conta da capacidade de investimento e do grau de persuasão sobre governos que tem sido crescentemente mais produtivo. Atualmente é possível encontrar em todos os continentes "tentáculos" de empresas chinesas.

Uma indicação de que tal projeção pode ser considerada é o quadro econômico no mundo nos últimos 5 anos, a desaceleração econômica nos países que constituem os BRICs tem sido, na média, menor do que as desacelerações econômicas verificadas nas economias centrais mais tradicionais como a estadunidense, a inglesa, a francesa e a alemã. Dependendo da persistência deste quadro, é possível que esta previsão para 2050 seja antecipada por 5 ou 10 anos.
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