19 de abril de 2014

PAPA FRANCISCO


Cires Pereira 


O mundo, neste início de século (XXI), tem sido pouco generoso no tocante à afirmação de lideranças de destaque para o bem ou para o mal. Somos testemunhas do falecimento de personalidades que sintetizaram alguns dos momentos ou períodos marcantes da segunda metade do século passado como Nelson Mandela, Margareth Tatcher, João Paulo II, Saddam Husseim, Muammar Kadhafi, Ronald Reagan, Hugo Chavez, Steve Jobs, etc.

Dentre as lideranças que despontam nestes primeiros 13 anos do século XXI vale ressaltar o Papa Francisco, cujo pontificado iniciou-se em março de 2013. É o primeiro papa latino-americano e também o primeiro a adotar o nome de São Francisco de Assis, um clérigo italiano que abdicou de uma vida de luxo para se dedicar aos pobres e à natureza, tornando-se pelo conjunto da sua obra um santo para os católicos. Entre 2001 e 2013, Jorge Mario Bergoglio integrou a cúpula da Igreja Católica Apostólica Romana, tornando-se desde então um potencial candidato ao comando dos católicos.

Informações dão conta de que Bergoglio teria ficado em segundo lugar no conclave de 2005 para a sucessão do Papa João Paulo II, mesmo que sua eleição em 2013 tenha sido considerada uma surpresa, afinal de contas o seu nome não constava em nenhuma lista de favoritos, em que figuravam, entre outros, o brasileiro dom Odilo Scherer.

Seu pontificado começou de modo incomum. Repórteres que cobriam o conclave registraram que o novo Papa teria ido ao hotel em que hospedara, no dia seguinte à sua eleição, pra pagar a hospedagem com dinheiro do próprio bolso. Intenção e gesto, infelizmente, costumam estar muito distantes, contudo o Papa Francisco prestes a concluir um ano de pontificado parece querer subverter este triste adágio. Em sua primeira viagem internacional, Papa Francisco esteve no Brasil na Conferência Mundial da Juventude, em nosso país o "hermano" Francisco não se cansou de dar mostras de sua simplicidade. Unindo retórica à prática, em todos os momentos, o sumo-pontífice dos católicos tem sido elogiado por lideranças mundiais políticas e religiosas e, paulatinamente, tem sido reconhecido como uma grande referência internacional.

Ainda é muito cedo para avaliar o seu pontificado, mas certamente Francisco se coloca como potencial aspirante ao seletíssimo grupo de Papas que se posicionaram de forma mais explícita em defesa das causas dos menos possuídos como Leão XIII (1878 - 1903), cujo pontificado girou em torno da encíclica Rerum Novarum de 1891, e João XXIII (1958-1963), cujo pontificado foi marcado pelo Concílio Vaticano II e pela autoria da Encíclica Mater et Magistra.

Exageros à parte, acompanhem o que disse o Cardeal Raymundo Damasceno, uma importante autoridade católica brasileira, sobre Francisco:

“As pessoas no tempo do Papa João Paulo II iam à Roma para ver o Papa. No tempo do papa Bento XVI, as pessoas iam para escutar o Papa Bento. E agora as pessoas estão indo à Roma para tocar no Papa Francisco.”

No início de seu pontificado já é latente uma novidade, que não é doutrinal mas atitudinal, senão reflitam sobre o que o próprio Papa Francisco propõe como meta principal:
“A primeira reforma deve ser a da atitude. Os ministros do Evangelho devem ser pessoas capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar na noite com eles, de saber dialogar e também de descer na suas noites, nas suas escuridões sem perder-se. O povo de Deus quer pastores e não funcionários ou clérigos do Estado”.


Uma atitude do novo líder, necessária e muito incômoda, foi a decisão de abrir a "caixa preta" que tanto constrange a parte boa e bem intencionada dos católicos. Uma auditoria no Banco do Vaticano já foi deflagrada e o primeiro passo foi o afastamento de pessoas que estavam no comando desta instituição, no Brasil isto ganhou relevo em razão do afastamento do cardeal brasileiro Odílio Scherer que também integrava este comando. Segundo fontes ligadas à "Cúria" os afastamentos garantem maior isenção nas auditorias que precisarão ser feitas o que não significa a priori culpabilidade deste ou daquele afastado de suas funções.

Francisco merece no mínimo nosso respeito, primeiro pela posição que ocupa, segunda pela defesa da simplicidade, terceiro pelo seu declarado inconformismo diante das desigualdades sociais e regionais, quarto por defender a transigência e a tolerância em todos os sentidos e, por fim e principalmente, por se colocar e agir como um simples mortal. É um bom começo, ou melhor, um grande começo, pois pode implicar numa grande virada. 

O argentino Bergóglio tem-se revelado um grande "Francisco" tanto para os católicos quanto para muitos não-católicos do mundo inteiro.
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