OBRIGADO "MADIBA" MANDELA

Cires Pereira - 06 de Dezembro de 2013

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."

Nelson Mandela



Nelson Rolihlahla Mandela , o maior líder da África do Sul do século XX e um dos maiores lideres da História da Era Contemporânea. Notabilizou-se como a principal liderança da luta antissegregacionista da África do Sul, um opositor contumaz do regime de Apartheid que se impôs neste país emancipado do domínio britânico logo depois da 2ª guerra mundial. Além de Mandela devemos reconhecer outras duas importantes lideranças: Steve Bantu Biko (1946-1977), assassinado pelo regime, e o Bispo anglicano Desmond Tutu (Nobel da Paz de 1984). Estes três lideres são a síntese da heroica mobilização da maioria do povo sul africano contra o famigerado regime de apartheid racial que privava uma notória maioria de direitos elementares.

Abaixo "NKosi Sikelel'i Afrika" (Hino da África da Sul) interpretado pelo grupo vocal Zulu "Ladysmith Black Mambazo".



Uma liderança desta envergadura certamente teria outros nomes numa região constituída por várias tribos nativas que foram forçadas a se integrarem atendendo às conveniências dos colonizadores, primeiro os holandeses no século XVIII e, em seguida, os ingleses no século XIX e primeira metade do século XX.

Quando criança seu pai Nkosi Mphakanyiswa Gadla Henry o chamava de "Rolihlahla" que significa na língua Xhosa, uma criança levada ou peralta. Foi também na infância que Rolihlahla passou a ser também chamado de "Nelson", que é um nome inglês dado por sua professora. Era comum nas escolas as mudanças para nomes que pudessem ser facilmente dito e escrito pelos ingleses. Aos dezesseis anos num ritual de passagem para a vida adulta, muito comum na tradição Xhosa, Rolihlahla ou Nelsonpassou a usar também o nome "Dalibhunga" que significa a busca do diálogo com vistas a conciliação ou reconciliação. 

Mandela com traje tribal
Adulto e engajado na resistência contra o "Apartheid", Nelson Mandela passa a ser também chamado de "Tata" que quer dizer "pai" e "Khulu" que quer dizer "avô" e, por fim "Madiba" que designa, segundo as tradição tribais, alguém muito respeitado na comunidade ou clã.

É possível concluir destas informações que a trajetória de Nelson Mandela é uma síntese da trajetória da África do Sul. Uma criança muito ativa que ao tornar-se adolescente tem o reconhecimento de seus pais como uma pessoa que busca o diálogo e a conciliação. Adulto luta pela liberdade do país que só seria plena se houvesse o fim do apartheid imposto pela elite rica, branca e de origem europeia, isto é liberdade no país. Nesta pelas liberdades nacional e individuais, seus liderados (a grande parte da sociedade sul africana) o denominam de "Tata" e "Madiba". Numa comprovação de que a sabedoria popular reconhece, aplaude e respeita de fato quem se notabiliza arriscando a própria vida em favor desta coletividade. 


No início dos anos 40, fixado na capital Joanesburgo, Mandela desprovido da sua condição de "nobre tribal" e vivendo como mais um dos milhões de negros pobres e discriminados conscientizou-se da distância que separava ricos e pobres e brancos e negros. Foi este choque que provocou-lhe a reação de lutar contra o racismo, engajando-se pra valer na luta antissegregacionista ingressando do CNA - Congresso Nacional Africano - partido fundado em 1912). 

Mandela na Prisão
Por suas posições e militância contra o regime de apartheid, Mandela foi condenado à prisão perpétua, sob a acusação de alta traição no ano de 1964. Por 27 anos esteve recluso na prisão de segurança máxima de Robben, em 1985 recusou uma proposta (indecorosa) do governo que o poria em liberdade sob a condição de abdicar da luta contra o apartheid. Mandela começou a ser visto como mártir na África do Sul e em todo o mundo, tornou-se um símbolo contra o apartheid. Em fevereiro de 1990, pressionado pelos protestos por sua soltura dentro e fora do país, o governo livrou Mandela da prisão de forma incondicional. Livre organizou o CNA (Congresso Nacional Africano) o suficiente para alça-lo a condição de principal alternativa de poder na África do Sul. Laureado, ao lado do Presidente Sul africano Frederik de Klerke com o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

"Madiba" foi eleito Presidente da República em 1994, com 62 % dos votos e comanda África do Sul até 1999. Seu governo pautou-se pela moderação e conciliação, um comprovação disto foi o estabelecimento de um "Governo de Unidade Nacional" convidando o Partido da Nacional a integrar o governo, o que possibilitou ao ex-presidente Frederik de Klerke o cargo de primeiro-vice-presidente. Este pacto de governabilidade rendeu muitas críticas de lideranças até mesmo vinculadas ao CNA. Reformas sociais foram empreendidas reduzindo pouco os contrastes sociais, por outro novos marcos jurídicos ampliaram a cidadania para os negros, garantindo grosso modo, o instituto da igualdade perante o Estado.

Nelson Mandela é um verdadeiro "Filho da Mãe África", nós (anglo americanos e latino americanos) devemos muito à "Mãe África", muito mais do que advogam os maiores críticos das colonizações europeias sobre o nosso continente. Uma parte desta dívida nossa "Mãe África" já perdoou ao tornarmos filhos de seus filhos, nos que, em grande número, somos mestiços. Muito nos honram o fato de descendermos de africanos e ameríndios. Assim Nelson Mandela, ao meu ver, foi um dos grandes filhos doMãe África, lutou pela nossa honra, pelos nossos direitos. 

O Presidente da África do Sul Jacob Zuma do CNA, lamentando a morte de "Madiba" sentenciou: Nossa nação perdeu seu maior filho. Nosso povo perdeu seu pai.” O mundo perdeu um grande filho e a causa antissegregacionista um grande pai, sou brasileiro de pele de morena e agradeço à nossa "Mãe África" por ter nos dado um "irmão" como Madiba, ou Tata ou Khulu ouDalibhunga, Rolihlahla ou Nelson Mandela. Múltiplas alcunhas para um homem que resistiu à opressão colonial e ao infame regime do apartheid. Felizmente, graças também a ele, morreu livre numa África do Sul livre.
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