O JAPÃO E A 2ª GUERRA MUNDIAL

Cires Pereira

Hiroito ou Imperador Showa (1926-1989)
A fasticização do Estado e expansionismo Japonês.

No ano de 1931, o "Partido Militarista", fundado por Sadao Araki, tornou-se hegemônico no Japão e passou a comandar o governo. As ações internacionais, deliberadamente belicistas e anexionistas não se restringiram à Manchúria na China e à Coreia, ocupada desde 1910, a intenção era envolver todo o "Pacífico" e grande parte da Ásia. 


As tropas japonesas avançaram então sobre a Mongólia e Indochina. Os intrusos japoneses implantaram o Estado fantoche do Manchukuo. Foi em meio aos avanços do "Império do Sol" e diante da censura da "Sociedade das Nações", o governo Japonês decidiu romper com a Sociedade das Nações. Desde então os recursos do governo para a área militar aumentaram sempre sob o argumento de que era preciso conter o avanço comunista na Ásia e no Pacífico. Mesmo argumento usado em 1936, para a celebração do pacto “anticomunista” com os governos da Itália (Mussolini) e da Alemanha (Adolf Hitler).

Devidamente amparado internamente, pois as oposições foram neutralizadas com a implantação de um regime totalitário, e bem estruturado belicamente, o Japão passa a ocupar grandes espaços no território chinês. A presença japonesa na China, em toda Ásia e no Pacífico, que em 1942 era estimada em mais de sete milhões de Km², termina no final da 2ª guerra em 1945.


Criança chinesa em meio à destruição
Privações de toda natureza foram impostas pelos japoneses às populações dos territórios ocupados. Nestes os movimentos de resistências proliferaram e, com a contribuição das forças “aliadas”, tanto soviéticas quanto britânicas e americanas, estas regiões conseguiram se livrar do domínio japonês. Durante a ocupação japonesa na China os direitistas (Partido Kuomintang) liderados por Chiang Kai-shek e a esquerda (Partico Comunista Chinês) liderada por Mao Tsé-tung uniram esforços contra os japoneses. 

Por tudo isso ainda hoje se verifica muito ressentimentos dos povos asiáticos (chinês, coreano, malaio, mongol, tailandês, vietnamita, etc) em relação ao Japão. Muitas feridas ainda não foram plenamente cicatrizadas. 

Ataque a Pearl Harbor  07 - 12 - 1941
Em dezembro de 1941, após ter tentado diplomaticamente suspender embargos comerciais impostos pelos EUA e Reino Unido, o governo japonês decidiu atacar a base naval estadunidense “Pearl Harbor” no estado do Havaí, , no dia 7 de dezembro de 1941. A Frota do Pacífico da Marinha dos Estados Unidos e as Forças Aéreas do Exército e as Forças Aéreas da Marinha tiveram perdas significativas. A ideia do Japão era ganhar tempo para ampliar sua presença no Pacífico. 

Este ataque foi suficiente para a maioria dos americanos defender a intervenção dos EUA na guerra e, com aval do parlamento americano, Roosevelt envia forças para o Pacífico. Logo após, Hitler declara guerra aos Estados Unidos, unificando os conflitos no Pacífico e na Europa.


A DERROCADA DO "IMPÉRIO DO SOL NASCENTE"

Ao longo dos anos 1943 e 1944, os “aliados” avançavam de forma contínua contra o Japão que começava a agonizar sentindo as carências de petróleo, munição e matérias-primas. As derrotas para os "aliados" estimulam as mobilizações dos povos nas áreas em poder do Japão. Por outro lado, o Império estimulava o nacionalismo extremado, materializado nas operações suicidas perpetradas por jovens militares Kamikazes. Em "Los Álamos", nos Estados Unidos, dentro do Projeto Manhattan, bombas atômicas foram concebidas e fabricadas. Duas delas lançadas sobre japoneses em agosto de 1945.

Logo no início de 1945, os EUA passam a controlar as Ilhas Ogasawara depois de terem derrotado os japoneses na Batalha de Iwo Jima. Esta vitória foi a primeira de uma série contra o já combalido Império Japonês, culminando no lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagazaqui em agosto de 1945.

Avião usado no bombardeio a Hiroshima e Nagazaqui

Terminada a Guerra o Japão continuou ocupado, liderado em grande parte pelo General Douglas MacArthur, até que a Constituição Japonesa fosse revisada e o país desmilitarizado. Durante o período de ocupação, o Japão se reestruturou em razão da assistência econômica ensejada pelos EUA. Em 1951 foi criado um grupo, conhecido como “Plano Colombo”, de ajuda econômica para o desenvolvimento social dos países do sul e sudeste da Ásia. Os japoneses foram assistidos financeiramente pelos Estados Unidos, com isto a infraestrutura de energia, de transportes e de comunicações foi recuperada e as finanças do Estado reorganizadas.

A Constituição Meiji foi suplantada por uma nova Constituição, promulgada em maio de 1947, que manteve a monarquia, com o Imperador desfrutando de um status meramente simbólico. O país adotou um sistema político baseado no parlamentarismo. Por esta constituição os gastos com forças armadas não poderiam exceder 1% do PIB.

Os Zaibatsus que amparavam o nacionalismo japonês pela via da expansão e militarização foram dissolvidos. Eles eram poderosos grupos financeiros controlados por famílias tradicionais, proprietárias de grandes empresas e parceiros do Estado no desenvolvimento de suas atividades produtivas desde a Restauração Meiji. No entanto, os Zaibatsus ressurgiram com novas bases jurídicas. Portanto ainda hoje é muito consistente a tradicional relação de cumplicidade entre o Estado, as grandes indústrias e os grandes bancos no Japão.

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