O CASO GEORGE ZIMMERMAN

   Cires Canisio Pereira 18 julho 2013


Zimmerman foi levado a juri no Estado da Flórida (EUA) sob a acusação de ter assassinado o adolescente negro Trayvon Martin em 26 de fevereiro de 2012. Trayvon, segundo os autos, foi morto a tiros quando se dirigia para a casa do pai. Zimmerman acabou sendo inocentado por um juri formado cinco mulheres brancas e uma de origem hispânica, assim este juri acatou a tese da defesa de que o vigilante agiu em "legítima defesa".

Obviamente que este mesmo veredicto foi aplaudido por aqueles que defendem a cláusula constitucional que assegura ao proprietário o uso de quaisquer meios para preservar seu patrimônio quando estiver sendo invadido.

Ativistas vinculados aos movimentos antissegregassionistas nos EUA alegam que se a vítima não fosse afrodescendente não teria havido homicídio, portanto o juri ao inocentar Zimmerman se portou de forma discriminatória e racista. 


Ato contra a absolvição de Zimerman

Causa espanto a forma como o Presidente Obama encarou os protestos, que tem se espalhado e se avolumado em todos os EUA, disse que respeita o veredicto para, em seguida, pedir "calma" os ativistas que não se conformam. É espantosa esta reação se levarmos em conta o que o mesmo Obama dissera, quando o caso ganhou notoriedade em todos os EUA ao longo de 2012 por conta da intensificação dos protestos antirracistas. O Presidente teria dito que, se tivesse um filho, queria que fosse como Trayvon Martin.

Fica patente que estamos diante de uma liderança que, aos olhos dos movimentos antissegregassionistas e antirracistas, tem frustrado as expectativas, pois tem se comportado de forma pragmática em detrimento do programa de seu governo quando candidato. 

É enorme a distância que hoje separa este pragmatismo do Presidente Obama com o posicionamento de históricas lideranças do movimento negro Martin Luther King Junior e Robert Kennedy, citei apenas aquelas defensoras da ação institucional e pacífica. 

Os protestos tem se multiplicado em todos os cantos nos EUA. Eles evidenciam duas coisas importantes: 

Os EUA ainda estão longe de ser uma Democracia plena, por mais que as autoridades, as lideranças, as elites, enfim o "senso comum" digam que o contrário. 
É expressivo o percentual, embora ainda minoritário, de cidadãos e cidadãs estadunidenses contrários à lei que garante o direito de porte de armas e seu uso "em legítima defesa" por cidadãos ameaçados. 

O Veredicto no Tribunal da Flórida, as reações do Presidente Obama e os protestos contrários ao veredicto são partes integrantes de um cenário em que se ratifica a impressão de que a "crise do hegemonismo norte-americano" além de irromper o limite questão econômica (como muitos analistas previsíveis e rasos sustentam) é multifacetada e parece estar apenas no começo.
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