MAIS MÉDICOS 3: UM CONVITE AO ESTUDO NAS ENTRELINHAS

Cires Pereira - 10 de julho de 2013

Reinaldo Azevedo, no Portal Veja em 08 de julho de 2013 assim escreve sobre os dois anos adicionais para a conclusão do curso de medicina.


“Mas é um abuso óbvio “estatizar” a mão de obra de quem estudou por sua conta, sem recorrer a nenhuma forma de auxílio do estado. Por que um estudante de uma escola privada, que resolveu financiar seu próprio curso, teria de submeter às mesmas condições? Em nome de quê? Ora, institua-se no país a possibilidade do serviço civil obrigatório para formandos de terceiro grau da escola pública (ProUni e crédito estudantil)."

"Eles saberão, desde sempre, que estarão sujeitos à convocação —, e isso certamente pesará na sua decisão ao escolher uma universidade”.

“Notem que não acho a obrigatoriedade ruim em si, não! Só que ela poderia ser feita atendendo-se ao fundamento democrático. Mas aí não combina com o bigode de Mercadante. Se não houver o traço autoritário, não fica bem”.

Sobre Médicos estrangeiros, ele emenda...

“Se o país está em busca de profissionais competentes, ainda que para o primeiro atendimento, por que dispensá-los do exame? Se competentes, serão aprovados; se não forem, qual é o sentido de contratá-los a não ser certa má consciência original: “Ah, para pobre, está bom; melhor isso do que nada…?”

Trechos extraídos do Artigo “Os médicos e os brasileiros – O viés autoritário e a mão de obra escrava dos cubanos” Blog Reinaldo Azevedo 8/07/2013 às 21:07 Portal Veja

 
Posição como esta suscita comentários de internautas (no mesmo blog) deste tipo...

Carlos Domingues (10/07/2013 às 13:40): Por que não importamos também a ANGELA MERKEL, primeira ministra da Alemanha, para governar como presidente? Pode ser que dê jeito…
Ou então ...

Ana: (10/07/2013 às 12:14): Não combina com o bigode do mercadante! Essa foi boa. serviu para aliviar a minha fúria contra essas propostas oportunistas para “solucionar” o problema do SUS. Querem resolver os problemas de Cuba com o nosso dinheiro? Mudem-se para Cuba e nos deixem em paz.
Ou então ...

Cezaroni (10/07/2013 às 10:28): Gostaríamos de saber se o grande “Rasputinho”, Aloísio Mercantilista, com moustache e tudo, pretende cuidar da sua próstata, a partir de 2021, neste tipo de SUS que ele planejou. A governanta, trataria sua menopausa neste SUS? E o Padilha (vai pra casa) trataria das suas hemorroidas?
São comentários apócrifos, embora travestidos de codinomes, mas isto é previsível, muito me surpreenderia se os donos destas falas tivessem outra conduta. Jamais apresentariam seus nomes com os devidos documentos pessoais. Deste modo, em respeito ao leitor me limitarei em analisar quem se apresentou, neste caso o articulista Reinaldo Azevedo.
No 1º trecho, o missivista sugere que o "governo pretende estatizar a mão-de-obra de quem estudou por sua conta", o governo em momento algum pensou ou sugeriu estatizar coisa nenhuma, menos ainda a mão-de-obra daqueles que pagaram pelo curso de medicina.

Veja o que diz o governo e tire sua conclusão: (O Grifo é meu “continuará em formação”)


"Nesse período extra, chamado de "2º ciclo" pelo governo, o médico continuará em formação, trabalhando exclusivamente em postos de saúde, pronto socorros e no Samu, sempre vinculado à instituição de ensino original. Ou seja, não poderá dar plantão por fora nem abrir consultório. Receberá uma bolsa do Ministério da Saúde, com valor ainda não definido --a expectativa é que fique entre R$ 3 mil e R$ 8 mil. Isto significa que o trabalho tem por objetivo a conclusão da formação médica."

Outra "pérola" do articulista


"Ora, institua-se no país a possibilidade do serviço civil obrigatório para formandos de terceiro grau da escola pública (ProUni e crédito estudantil). Eles saberão, desde sempre, que estarão sujeitos à convocação —, e isso certamente pesará na sua decisão ao escolher uma universidade”.
Embora Reinaldo quisesse dizer outra coisa, pois mesmo discordando dele (sempre o leio), o meu entendimento é que “pesará” sim, muitos quererão o “serviço civil obrigatório’, um meio interessante e atraente para quitar a dívida com o Estado, ora já tem um “emprego temporário garantido”. Isso seria um crime ? ou seria uma imoralidade ?.
Pelo que pude depreender Reinaldo, no segundo trecho, não chega a discordar do serviço civil obrigatório, embora condicione que seja nos marcos do estado democrático de direito, o que eu concordo. O problema vem a seguir, o missivista completa a afirmação da seguinte maneira


“Mas aí não combina com o bigode de Mercadante. Se não houver o traço autoritário, não fica bem”.

Traduzindo:

Para o missivista se for outro governo, isto é se não for Mercadante, tudo bem.

Reinaldo acabou de exprimir sua simpatia pela democracia e, contrariando a si mesmo e logo no próximo trecho, solta este "petardo" contra Mercadante (saiba o leitor que não tenho procuração para defender Mercadante). Ora Mercadante foi escolhido pela presidente para ser ministro de seu governo. Dilma foi democraticamente eleita em 2010, logo Reinaldo deveria respeitar esta escolha que, indiretamente, fora chancelada pelos eleitores em sua maioria. 


Me vejo forçado a indagar. 


Qual interesse teria Reinaldo senão fazer disto uma espécie de "senso comum" para que (quem sabe?) pudesse servir de justificativa para a interrupção da ordem democrática em nosso país?

Que autoridade ou reserva moral tem este articulista para defender a democracia, se ele acaba de conspirar contra a vontade expressa pela maioria dos eleitores em 2010? Teria Reinaldo um "outro modelo de democracia?

Por fim lança outro petardo


“Ah, para pobre, está bom; melhor isso do que nada…? ”

Com esta afirmação/interrogação (que não é do governo), mas um cria do próprio articulista, estimula ou encoraja comentários apócrifos como os supracitados.

Cidadãos de bem neste país, cuidado com o que leem, preocupa-me muito os arremedos de Goebbels, pois mesmo que este articulista seja mais raso e até mais previsível do que Goebbels (Responsável pela formação política e propaganda do III Reich alemão) pode provocar danos de difícil reparação. 
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