11 de abril de 2014

LULU: NÃO VI E NÃO GOSTEI (REPERCUSSÕES)

Cires Pereira - Novembro de 2013
Logo do aplicativo LULU


Estupefação. Esta foi a minha reação ao tomar conhecimento de um novo aplicativo que circula no mundo virtual. Aprendi que a capacidade de cognição do ser humano é tão complexa e de difícil, pra não dizer impossível, mensuração que torna o ser humano o mais belo, o mais variável, o mais surpreendente de todos os seres vivos. 


O grande dramaturgo inglês Willian Sheakespeare, foi quem melhor expressou toda esta grandeza e infinitude humanas, numa de suas principais obra prima "Hamlet" ele diz o seguinte: "Que obra de arte é o homem: tão nobre no raciocínio; tão vário na capacidade; em forma e movimento, tão precioso e admirável, na ação é  como um anjo; no entendimento é como um Deus; a beleza do mundo; o exemplo dos animais." 

Pois bem, passaram-se exatos 410 anos da publicação desta tragédia e aqui estamos tão estupefatos quanto os contemporâneos de Sheakespeare diante de mais um lançamento: "Lulu". Trata-se de um aplicativo em que as mulheres (disseram-me que é de uso exclusivo das mulheres) avaliam suas companhias do sexo oposto (namorado, "ficante", affair, "rolo", marido, ex de toda espécie, etc). Estas avaliações são devidamente "deglutidas" pelo programa e os avaliados recebem conceitos que então são publicados na "rede". Disseram-me ainda que as mulheres poderão baixar este aplicativo gratuitamente, quanto aos homens uma espécie de alento: poderão acessar o site do aplicativo e, sentindo-se agredido, contrariado ou "mal-avaliado", poderão subtrair o seu nome bem como as avaliações feitas por suas supostas companheiras.

O site e o aplicativo, criados pela jamaicana  Alexandra Chong, foram lançados nos EUA desde o final de 2011 onde já alcançou mais de 1 milhão de usuárias. No Brasil tem sido muito "baixado" desde que aqui aportou há dez dias. A sua criadora disse ainda que estuda a possibilidade de criar para os homens e, quem sabe, para o GLBT.

A ideia é estabelecer uma espécie de ranking dos, digamos bons partidos,  dos melhores amantes em todos os sentidos, o bom de papo, o bom de cama, o compreensivo, o delicado, o trivial, o surpreendente, e por ai vai. Só falta uma coisa pra "fechar com chave de ouro", o preço, sim o preço. Quem sabe encontram-se compradoras de bons partidos por ai para usá-los? Ou então um giro de bons partidos sem precisar usá-los  (Marx disse no século XIX que a mercadoria também é valorizada na esfera da circulação), ou quem sabe um mercado futuro de homens?

Quanto mais elucubramos, mais divagamos, maiores e mais absurdas, improváveis e estapafúrdias serão nossas conclusões. Estaríamos diante da degenerescência completa da espécie humana, começo a pensar que isto seja provável. Será que temos que descer a um nível impensável para lá encontrar quem sabe um fio, uma fresta ou uma "nesga" que nos devolva a dimensão bela, criadora, variável e surpreendente do que nos falou há 410 anos Sheakespeare?

Não exortarei os homens e mulheres de boa índole para que não aceitem "Lulu", para que promovam uma espécie de "cruzada do início do 3º milênio contra isso. Não estou aqui para sentenciar o que é bom para o "consumo" e o que é prejudicial. 
Mas tenho a minha posição. 

"Lulu", não vi e não gostei!

PS: A razão deste desabafo é, sobretudo, a minha crença inquebrantável na capacidade do ser humano de encontrar o melhor caminho para avançar na direção que lhe pareça mais apropriada. 

Carlos Drumond de Andrade concebeu um poema que  me parece genial e que o tenho como referência: no poema o poeta sugere que depois de ter havido tantas conquistas humanas ainda resta a mais "dangerosíssima viagem" ... "humanizar o homem". genial, genial, genial...
"O homem, as viagens" 

O homem, bicho da terra tão pequeno
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.
Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.

Vamos para marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - diz o engenho
Sofisticado e dócil.

Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto - é isto?
Idem
Idem
Idem.
O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
Do solar a colonizar.

Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar o homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria de conviver.


AS REPERCUSSÕES
  
SEGUNDA 02 DE DEZEMBRO DE 2013

Do UOL, em São Paulo 02/12/201314h53 
O MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) informou nesta segunda-feira (2) que instaurou um inquérito civil público contra o Facebook e a Luluvise Incorporation (empresa desenvolvedora do aplicativo Lulu). De acordo com o ministério, as companhias são suspeitas de "ofender direitos da personalidade de milhões de usuários do sexo masculino". As companhias têm cinco dias para prestarem esclarecimentos ao órgão.

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QUARTA 04 DE DEZEMBRO DE 2013

Na quinta feira dia 28 de novembro foi criado um site intitulado LuluFake que promete melhorar as avaliações dos homens, esta venda de avaliação masculina gira entre 10 e 100 reais, tudo depende das necessidades do cliente. Flávio Estevan está otimista e cogita vender avaliações, por intermédio de seu site, também no exterior a começar pelos EUA onde Lulu faz muito sucesso.
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QUINTA 05 DE DEZEMBRO DE 2013

Estava programado para esta semana o lançamento do APP Tubby, segundo seus criadores o APP Tubby é uma resposta ao APP Lulu. Acabou sendo adiado, o motivo mais provável deve ter sido uma limitar emitida pela 15ª Vara Criminal de Belo Horizonte proibindo o "Tubby", a decisão coube ao Juíz Rinaldo Kennedy Silva que é titular da Vara de Crimes contra a Mulher em BH, acatou assim um pedido de medida cautelar feito pela Frente de Mulheres das Brigadas Populares de Minas Gerais, Margarida Alves, Movimento Graal no Brasil, Marcha Mundial das Mulheres, Movimento Mulheres em Luta, Marcha das Vadias e Coletivo Mineiro Popular Anarquista (Compa). A petição teve como base a Lei Maria da Penha (nº 11.340/06) tendo como base o incitamento à violência contra a mulher.
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