19 de abril de 2014

JUSTIÇAMENTO 2; RESPOSTA AO LUCAS ELIAS



Cires Pereira



Prezado Lucas Elias para facilitar o seu entendimento e o entendimento daqueles que nos acompanham neste diálogo, colocarei em negrito algumas compilações que farei de seu texto, o restante são considerações minhas. Quero, antes de mais nada, agradecer pelos apartes e muito mais pela atenção dada ao meu texto. Considerarei também como tuas as palavras que tirastes do texto de Carolina Oliveira. 

"Fico perplexa com o alto nível da estupidez de uma geração que pensa saber de tudo, nada sabe e não se preocupa em saber. É a soberba de quem acha que, nasceu em uma era tecnológica, sabe usar o Facebook, está bem informado.
Não tenho nenhuma pretensão além de emitir juízos de valores sobre aquilo que vejo e com estes acrescer no debate que, quanto maiores forem as contribuições e juízos, melhor será para os que acompanham, portanto não se trata de soberba de minha parte. Tenho na medida do possível procurado me informar pra não cometer injustiças com o que se passa a minha frente, um exemplo disto é a contribuição que você dá ao debate que acolho com respeito mesmo discordando fraternalmente dos suas teses.

Nunca acompanhei o trabalho da supracitada jornalista, bem como, diga-se de passagem, a maioria destes que aqui a criticam, fazendo-o unicamente porque leram de alguém, que soube por outro alguém, que aconteceu.  Todo mundo se acha muito bom entendedor, mas vive caindo na armadilha da replicação do pensamento torto dos outros.
"Replicação do pensamento torto dos outros", francamente não perderia meu tempo em replicar ou dizer as mesmas coisas que li, seria um atestado de burrice de minha parte. Leio tudo que é possível, tomo partido no debate e apresento com as devidas argumentações a minha opinião como qualquer cidadão e cidadã num Estado de Direito Democrático. De qualquer modo tentarei ser um pouco mais cauteloso pra não cair nisso que você chama de armadilha.

Mas vamos ao mérito da questão que é a posição da Jornalista do SBT Rachel.

A jornalista disse: "num país que sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível”. Ela não disse que é certo, sequer disse que é assim mesmo que as coisas são resolvidas. O que se pode dizer ao certo é que ela usou do mesmo artifício que os defensores de pobres e inocentes ladrões usam para lhes justificar as barbáries. 
Ora Prezado Lucas, você disse que "ela usou dos mesmos artifícios" usados pelos que defendem os ladrões e suas barbaridades, se Rachel então o fez ela, ao seu ver, equivocou-se também. Não me resta outra conclusão senão,equivoca-se você ao defendê-la.

Lembra quando dizem que esses ladrões são 'vítimas da sociedade'? Lembra que justificam seus crimes usando as razões sociais, a diferença das classes? Enfim, os defensores tem sempre uma boa razão na ponta da língua. Bem, da mesma forma ela o fez. Não disse que era certo, disse que existem razões que levam alguém a fazer o que fizeram. Poderia citar, por exemplo, o fato do bandido em questão ter sido pego mais de duas vezes e continuar livre para cometer seus crimes. Uma hora a pessoa cansa.
Mesmo que Rachel não tenha dito que fosse certo, ela disse que "há razões que levam alguém a fazer o que fizeram" Que razões são estas, meu prezado Lucas? Ah sim ela citou uma delas (as outras não as conheço) "o fato do bandido ter sido pego mais de duas vezes e continuar livre pra cometer outros crimes". Aqui neste trecho ela questiona os marcos legais inscritos no código do Direito Penal, questionar pode pra justificar a necessidade de reformá-los mas jamais, repito jamais ignorá-los, isto é crime. Não podemos Lucas agir alheios ao estabelecido pela Constituição, pois estaríamos simplesmente ignorando o Estado de Direito e nos portando como animais que desejosos pela sobrevivência julgam no direito de eliminar seus pares (aqui invoco o Estado de Natureza descrito por Thomas Hobbes em "O Leviatã).

E assim funciona o aparelhamento do Estado como um todo: não oferece proteção ao cidadão de bem, não promove justiça, criando todas as condições para que o trabalhador perca a cabeça para depois demonizá-lo, esquecendo-se do ato criminoso inicial. O que acontece? A constante manutenção das tensões sociais, tão favoráveis a um governo que precisa mantê-las.
Não entendi o que você quis dizer com "aparelhamento do Estado", de qualquer modo não parece ser este o argumento mais apropriado, pois não é ausência de Estado (esta é uma invencionice sem base científica de Rachel) que provoca a ira do trabalhador que gera uma reação do próprio Estado que seria a demonização.

Por fim voce sustenta a tese de que a constante manutenção das tensões sociais, tão favoráveis a um governo que precisa mantê-las. Trata-se de uma tese que nunca tinha visto, pois o Estado surge e é mantido por uma sociedade civil que pleiteia o amortecimento das tensões sociais e sua constante manutenção, assim o governo (que é diferente de Estado), neste caso comandado por Dilma Rousseff não tem fugido à regra, ou seja tem se esforçado para que haja entre nós um convívio harmonioso.
[...]

Não sei de tudo e nem tenho essa pretensão. Eu sei, na verdade, bem pouco. Sei, de repente, mais sobre o que não me interessa e só o fato de haver tanta boa literatura no mundo para qual toda a dedicação de uma vida seria insuficiente, já me irrita.
A diferença é que eu sei que de nada sei. Ao contrário de um monte de gente que simplesmente atirou pedras na jornalista mesmo sem saber, interpretar ou contextualizar o que ela disse.
Sou um deste "monte de gente" e penso que procurei contextualizar sim. O que me chama atenção nesta sua crítica ao meu texto é usar algo que voce condena, a saber: a desqualificação na medida em que sugere (erroneamente) que eu não soube  ou saiba contextualizar o que ela disse". Neste caso suplico que releia o meu texto, pois ao meu ver eu aponto dois problemas na fala de Rachel: o primeiro é a incoerência entre intenção e gesto na medida em que a sua crença Cristã foi ignorada ao defender um procedimento condenável pela fé ou dogmas cristãos e o segundo é de natureza jurídica quando a mesma sugere que é compreensível que cidadãos de bem ignorem a legislação.

Gente que achou o máximo o Sindicato de Jornalistas, profissionais que já foram vítimas da censura, estarem, hoje, fazendo o mesmo." - Carolina Oliveira, em comentário ao post da Folha:
Aqui tenho que discordar também, pois um Sindicato tem obrigação de preservar direitos de seus filiados e de sua categoria e a obrigação de repreendê-los quando incorrem em algum desvio de natureza ética (agir ignorando o compromisso feito e o código de ética próprio dos jornalistas), caso contrário nós cidadãos devemos contestar a omissão e, possivelmente, o corporativismo desta entidade na medida em que fizera "vistas grossas" à um erro de um de seus representados. Isto, prezado Lucas, não é censura. Termino valendo-me de uma frase atribuída ao filósofo Voltaire (1694-1778):

"Posso não concordar com uma só palavra suamas defenderei até a morte o seu direito de dizê-."
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