INSTITUTO ROYAL 1: DEVOLVAM OS BEAGLES

Cires Pereira - 20 de Outubro de 2013




Muito provavelmente os “ativistas” ignorarão este apelo, mesmo assim não me cansarei de fazê-lo. Na semana passada cães da raça beagle foram surrupiados de um laboratório que faz testes de medicamentos e vacinas de toda natureza que combatem e previnem contra enfermidades diversas que acometem os seres humanos.

 É uma condição “sine qua non” testes sobre fármacos para que possam ser usados pelos seres humanos, eventualmente os seres humanos são usados como cobaias nestes testes, o que me parece previsível e natural.

O “ato” decorreu da seguinte justificativa: os cães e outros animais, neste laboratório, estavam sendo usados como cobaias contrariando os marcos regulatórios brasileiros e internacionais, portanto sendo gratuitamente maltratados e, alguns sacrificados de forma cruel e torpe. Os “ativistas” após se valerem de um julgamento no qual não permitiram o contraditório, no caso os argumentos que poderiam amparar a defesa do laboratório, não hesitaram em anunciara culpa do laboratório e o cumprimento da pena, a invasão da propriedade e o “arresto” dos animais constituído por dezenas de cães e alguns coelhos. Um detalhe, os camundongos e outras cobaias não foram levados. Sinceramente que não entendi o cumprimento desta “meia pena” pelos supostos "ativistas".

Várias manifestações em apoio ao julgamento, ao veredicto e ao cumprimento imediato da sentença se seguiram ao cumprimento da pena na semana passada, havendo até confronto com as autoridades policiais. Nestes confrontos a ação de centenas de militantes “Black Bloc” com suas roupas pretas e suas inseparáveis máscaras.

Luisa Mell conhecida apresentadora de programas televisivos, participou deste ato. Programas que entre um "merchandising" e outro "posicionam-se" em defesa dos animais.


Leiam o que ela disse em seu "Twitter"
“Nunca senti uma emoção igual na vida. Nunca tinha visto cachorros tão tristes e apáticos. No caminho eles foram se transformando!!! Quando um deles deitou no meu peito e olhou no fundo dos meus olhos Toda minha existência valeu a pena”!
Pelo que pude depreender Luisa, movida pelo subjetivismo, concluiu que os cães eram maltratados e que estaria em meio a uma ação altruísta. O subjetivismo, neste caso, se aliou ao preconceito e o resultado não poderia ser outro, uma grave lesão à ciência. Mesmo que movida pela "boa fé", mesmo que julgando que eram boas as suas intenções, o fato é um delito.

 Vejam um comentário de uma seguidora da apresentadora que se apresenta com o nome de “elena” em 18/10/2013:
 

Quais os clientes dessa porcaria de Royal? BOICOTE JÁ!!

Outro: Marcy comentou em 18/10/2013:  

“Porque estes FDP não pegam todos políticos ladrões e levam eles para fazerem os testes, e além do mais não era preciso gastar nosso dinheiro para a tal Royal.”

Senhores promotores públicos, vocês estão diante de um delito com provas irrefutáveis, cumpram a parte de vocês, obviamente sem subjetivismos. Eu, o Estado de Direito, a Ciência e os animais tirados do Instituto Royal.


Acompanhe a entrevista com o Dr. Marcelo Einstein Médico do Conselho Federal de Medicina Veterinária, concedida ao Site "O Estadão"



http://radio.estadao.com.br/audios/audio.php?idGuidSelect=DD06E3CB89B94D1FBCA98D56365BB6B2
 


A SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) declarou que o Instituto Royal, localizado em São Roque no estado de São Paulo, é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), criada para promover o desenvolvimento e a pesquisa de tecnologias inovadoras.

“O Instituto realiza estudos de avaliação de risco e segurança de novos medicamentos. Todos os seus experimentos são conduzidos de acordo com protocolos utilizados internacionalmente pela OECD (Organization for Economic Cooperation and Development), ISO (International Organization for Standardization), EMEA (European Medicines Agency), ICH (International Conference on Harmonisation of Technical Requirements for Registration of Pharmaceuticals for Human Use), dentre outros”

Conclui afirmando

As pesquisas atendem a todas as exigências feitas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O Instituto Royal faz parte da rede do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Fármacos e Medicamentos (INCT-INOFAR), que reúne 24 instituições, com 55 grupos de pesquisa integrados por 67 pesquisadores CNPq. Eliezer Lacerda Barreiro, coordenador do INCT-INOFAR e professor de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), salienta que:

“O beagle é a nossa salvação. Entre todas as raças de cães, é a que mais se aproxima da fisiologia humana para avaliar. Sem o ensaio nos animais, a toxidade dos medicamentos nunca será avaliada com segurança para o ser humano. E não é qualquer cão. É o Beagle.”,


Disse ainda que:

“por normas internacionais, é preciso que os produtos sejam testados inicialmente em duas espécies de animais antes de serem testados em seres humanos. Para isso, são usados roedores (ratos, camundongos ou coelhos, por exemplo) e outras espécies, como o cão e primatas”.
Segundo o Professor Eliezer:
“não há outra forma de cumprir os marcos regulatórios do setor, seja da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil, ou da Food and Drug Administration, a agência reguladora dos Estados Unidos.

Notícias chegam dando conta de que os cães serão doados. Isto força-me a outro apelo, não adotem estes cães. Por dois motivos: o primeiro é de ordem legal, pois configura um flagrante caso de receptação de produto de roubo e o segundo, mais importante ainda, os cães poderão morrer estando em outro ambiente diferente daquele em que estavam no laboratório Royal.

Acompanhem o que disse Marcelo Morales (coordenador do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal – CONCEA):

“a ação dos ativistas destruiu pesquisas importantes para o processo de liberação de novos medicamentos, inclusive um medicamento auxiliar para tratamento de câncer, cuja patente internacional foi quebrada no Brasil (...) o Instituto estava totalmente regular e, embora seja privado, recebeu recursos públicos para pesquisas.

Este era o laboratório "top" para a comunidade científica nacional e para os laboratórios. Tudo foi destruído e isso coloca em risco o investimento feito em pesquisa de medicamentos para benefício de toda a população. Esses animais nasceram em biotério, sem possibilidade de contrair infecção. É como se tivessem vivido até agora dentro de uma bolha, em ambiente controlado".
Marcelo Morales conclui dizendo:
“Podem contrair infecções e morrer fora do ambiente.”
Recentemente ocorreram algumas denúncias de maus tratos a animais nas dependências deste Laboratório, elas precisam ser checadas e, havendo comprovação, os responsáveis deverão ser indiciados, julgados e, sendo o caso, punidos no rigor da lei. E digo mais, quaisquer irregularidades precisam ser apuradas pelo Ministério Público, caso constatadas, precisam ser levadas aos tribunais sob o império da lei que ampara o Estado Democrático de Direito.

Até agora e por enquanto tenho visto irregularidades por parte dos supostos “ativistas em defesa de animais”, logo aguardo providências cabíveis das autoridades.
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