GRACIAS VIOLETA PARRA, GRACIAS !

Cires Pereira 

Cantora, artista plástica, poetisa, patriota, chilena, latino americana, comunista, mãe e acima de tudo uma grande mulher, tudo isto numa só pessoa - Violeta Parra.

Violeta Parra nasceu em San Carlos, Província de Ñuble, em 1917. Colheu com profundo respeito e inigualável sensibilidade a maior riqueza da região, a cultura dos habitantes daquele local, especialmente aquilo que tinha de melhor "a música de los andes. Com a perda do seu pai em 1934, ela e sua família mudaram-se para Santiago.

Violeta e sua irmã Hilda formaram um dueto na década de 1940, ganharam projeção regional cantando músicas do folclore chileno. Depois de ficar por dois anos na França, retorna ao Chile para refazer sua vida, pois havia tido uma grande perda, a morte de sua filha com poucos meses de vida. Neste momento se entrega à música e às artes plásticas.

Em 1960 casou-se com o suíço Gilbert Favre, de volta a Paris expões seus trabalhos artísticos no Louvre, dentre eles "Contra la Guerra", mesmo com sucesso decide retornar ao Chile em razão das desavenças com o marido

"Contra a la guerra" - Viloeta Parra

No Chile conhece Victor Jara, à época namorado de sua filha, e com outros nomes de peso da música integram o movimento Nueva Canción, é neste momento que compôs "Volver a los Diecisiete" Após descobrir que seu último companheiro havia se casado na Bolívia, decidiu se matar, em fevereiro de 1967. 

Obras como "La Carta", "Volver a los 17", "Gracias a la vida" são uma pequena grande mostra do talento, da sensibilidade poética e do engajamento político por uma América Latina no mínimo menos desigual deste grande nome da cultura latino-americana que hoje reverencio. Violeta nos deixou num momento em que a pessoas de bem se mobilizavam pela democracia e pela paz nas grandes cidades da América Latina, da Europa e da América do Norte. Neste contexto, surgia no Chile uma grande esperança, na liderança de Salvador Allende, eleito presidente no Chile em 1970.

Abaixo um belo clip com momentos sublimes de Violeta.


Gracias A La Vida
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Graba noche y día grillos y canarios
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él, las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano
Y luz alumbrando la ruta del alma del que estoy amando

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto
Gracias a la vida, gracias a la vida
Graças à vida que me deu tanto
Me deu dois olhos que quando os abro
Distinguo perfeitamente o preto do branco
E no alto céu seu fundo estrelado
E nas multidões o homem que eu amo

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o ouvido que em todo seu comprimento
Grava noite e dia grilos e canários
Martírios, turbinas, latidos, aguaceiros
E a voz tão terna de meu bem amado

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o som e o abecedário
Com ele, as palavras que penso e declaro
Mãe, amigo, irmão
E luz iluminando a rota da alma do que estou amando

Graças à vida que me deu tanto
Me deu a marcha de meus pés cansados
Com eles andei cidades e charcos
Praias e desertos, montanhas e planícies
E a casa sua, sua rua e seu pátio

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o coração que agita seu marco
Quando olho o fruto do cérebro humano
Quando olho o bom tão longe do mal
Quando olho o fundo de seus olhos claros

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o riso e me deu o pranto
Assim eu distinguo fortuna de quebranto
Os dois materiais que formam meu canto
E o canto de vocês que é o mesmo canto
E o canto de todos que é meu próprio canto


Graças à vida, graças à vida
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