GARRAS EUROPEIAS SOBRE ÁFRICA

Cires Pereira - Dezembro 2013

Charge da Partilha entre os "cultos" europeus" pela "inculta" África

A "civilidade" alcança a África. Os governantes europeus, a serviço dos respectivos grandes empreendedores e investidores privados nacionais, previam que esta "corrida" aumentaria a rivalidade entre as nações. Era preciso um entendimento que levasse à algumas regras entre os imperialistas para que a divisão do espólio africano ocorresse com o menor trauma possível de modo que houvesse reconhecimentos recíprocos de propriedade e/ou direitos de uso e/ou exploração.
Entre os dias 19 de novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885 realizou-se na capital do II Reich (Alemanha), à época sob o governo do Chanceler Otto Von Bismarck  a "Conferência de Berlim". Obviamente que lideranças do continente africano não foram convidadas para esta Conferência, afinal de contas o destino da África estava sendo decidido a revelia dos africanos. Todas as formas de ocupação e todos os maus tratos, enfim o genocídio e etnocídio perpetrados pelos europeus na África, que muitos europeus insistiam em afirmar que suas "missões civilizatórias" tinham propósitos nobres como assegurar aos africanos que viviam como "animais"  a possibilidade de viverem com europeus deliciando-se com as benesses da prosperidade. As justificativas dos imperialistas não poderiam ser menos infames, pois esmeravam-se, cinicamente, em justificar uma ação igualmente infame, a colonização. 

Rei Leopoldo II da Bélgica - um dos líderes do "mundo civilizado"

Todo este esforço diplomático se revelou inócuo com a irrupção da Grande Guerra no verão de 1914. Um conflito que acabou envolvendo praticamente todos os envolvidos nesta partilha além dos EUA, cujo envolvimento, a partir de 1918, tinha como propósitos impedir a vitória do II Reich e concluir as hostilidades bélicas rapidamente para evitar que as esquerdas continuassem avançando (os bolcheviques assumiram o governo russo) sobre a Europa.

É impossível mensurar a quantidade de mortos nos processos invariavelmente violentos de ocupação e exploração da África pelos europeus. Mesmo que pudéssemos concordar em um número, ele por maior que fosse não nos permitiria ter a exata dimensão desta trágica, covarde e, reitero, infame agressão. Por tudo isso mirem-se nas imagens abaixo que falam por milhões de palavras. Numa delas o flagrante do desespero de um pai diante dos pés e mãos de sua filha que foram decepados pelos colonos belgas como forma de intimidação para que ele e sua comunidade de seringueiros trabalhassem com mais afinco num lugar qualquer do Congo. 


Na Conferência de Berlim (colônia pertencente à Bélgica e reconhecida na Conferência de Berlim). Leopoldo II, regente belga entre 1865 e 1909, e todos os seus colegas  tinham conhecimento sobre tudo isto. O Estado belga, chefiado pelo monarca, era um dos mandantes desta barbárie. Estas imagens por si só derrubam a falsa e cínica argumentação daqueles que colonizaram, daqueles que aplaudiram e aplaudem a colonização e principalmente daqueles que se beneficiaram e se beneficiam deste processo colonizatório.


Diante de farta documentação que comprova a barbárie era de se esperar que os tribunais nacionais e internacionais do mundo civilizado fossem punir responsáveis ou impor reparações. Para impedir isto entram em cena os polidos e educados defensores e bajuladores, igualmente infames, das "casas reais" europeias. Ficando por isso mesmo...
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