12 de abril de 2014

COMENTÁRIOS DE ALGUMAS DICAS DE HISTÓRIA UNICAMP 2ª FASE 2014

CIRES PEREIRA - JANEIRO 2014


Das 12 dicas de temas de História que poderão vir na prova da 2ª fase de UNICAMP - 2014 anunciadas neste blog anteriormente, farei comentários sobre algumas 

Acesse este link para vê-las:

2 - A crise no século XIV e sua relação com o processo de transição de uma economia de subsistência para uma economia de mercado, a denominada transição do feudalismo ao capitalismo no Ocidente europeu e suas repercussões na América que, concomitantemente fora conquistada e colonizada pelos europeus.

A forte retração das atividades econômicas no Ocidente europeu ao longo do século XIV colapsou um sistema (feudal) que presidia os destinos das atividades agrárias. Toda a sociedade foi afetada, um terço da população desapareceu em razão das doenças, da fome e dos conflitos mais recorrentes em tempos de crise. Para a burguesia nascente era imperativo encontrar meios para restabelecer o dinamismo de seus negócios, aproximou-se então dos monarcas para dar a eles as condições materiais e políticas para que pudessem valer suas autoridades a nível nacional. Sob estas novas condições políticas ensejadas pelo absolutismo monárquico e pelo mercantilismo, os europeus partiram em busca de novos mercados e novas áreas onde pudessem suprir as carências de Mão-de-obra, de matérias primas e de metais, por isso trataram de conquistar o vasto continente americano e transformaram o Oceano Atlântico na principal artéria mercantil do mundo moderno.

3 - O ciclo revolucionário liberal, com destaque para as mobilizações liberais no contexto da restauração legitimista na Europa sob o comando da Santa Aliança, é possível que peçam para relacionar esta nova situação ensejada pelo triunfo do projeto liberal ao crescimento econômico na esteira da mecanização do processo de beneficiamento, denominada de Revolução Industrial.

Os Estados europeus passaram por uma espécie de refundação, saia de cena o absolutismo em favor dos Estados liberais. Esta refundação não teria sido possível se não houvessem as mobilizações inspiradas no iluminismo e comandadas por uma burguesia e setores da nobreza descontentes com os limites do Absolutismo e do mercantilismo. A partir do momento em tais mobilizações atingiam seus propósitos, uma ordem político-institucional se constituía para acolher os investidores e garantir-lhes de que seus investimentos e seus patrimônios estariam amparados. Nos lugares em que estas revoluções triunfaram as economias respectivas dinamizaram-se sob o comando da atividade industrial. A revolução industrial, marca da prosperidade econômica, decorreu em grande medida deste cenário criado pelas revoluções liberais.

4 - As bases do forte crescimento econômico dos EUA após a guerra civil em 1861-1865 com destaque para a crescente confiança dos empreendedores no modelo liberal econômico vigente, nos governos e no Estado norte-americanos. Certamente será preciso estabelecer uma conexão com a colonização de fato do "Oeste" e a liberação da mão de obra em todo o território com a proibição da escravidão sobre os afrodescendentes.

A vitória das forças da União sobre os rebeldes confederados possibilitou a retomada e o impulsionamento da economia nos EUA. O pacto federativo foi reconstituído, a escravidão foi abolida no sul e a política protecionista mantida. Observou-se uma forte expansão das demandas internas resultante do assalariamento dos ex-escravos, do aumento de postos de trabalho (enquanto na Europa acontecia o contrário) e forte imigração de europeus para os EUA. A viabilização de atividades econômicas no Oeste possibilitou investimentos importantes para o armazenamento e o transporte de bens gerando empregos e rendas. A economia não teria se expandido tanto se os investidores não nutrissem forte confiança no modelo econômico (liberal), nos governos e no Estado (marcos regulatórios, tribunais, fiscalização, etc). Deve-se também considerar o início de uma política externa (mais no final do século) para conquistar e controlar mercados, sobretudo aqueles espalhados na zona do caribe,, na América Central e no pacífico norte.

8 - O populismo na América Latina enquanto um meio de conter o avanço das esquerdas revolucionárias, sobretudo na Argentina com Irigoyen (1916-22 e 1928-30), com Perón (1946-1955) e no Brasil com Vargas (1930-1945) e com Calles (1924-1934) e Cárdenas (1934-40).

Excetuando Irigoyen (ARG) e Calles (MEX) que governaram antes da crise de 1929. Uma crise que resultou no colapso do modelo agrário-exportador e minerador, estes governos, comumente, são associados ao populismo na América latina. A estes governos estavam colocados os seguinte propósitos: melhorar as condições de vidas das classes trabalhadoras desde que não implicasse na inviabilização do sistema capitalista. A rigor eram governos que concedia aos populares pela manhã aquilo que era acordado na noite do dia anterior junto ao empresariado. Governos que precisariam estimular a economia nacional pautando-se no estatismo e no intervencionismo (sem que implicasse na inviabilização dos negócios privados) e no protecionismo. As políticas sociais, associadas ao paternalismo e ao controle das organizações representativas de classes (sindicatos) se somavam a uma gestão em geral arbitrária para neutraliza r o movimento das esquerdas.

9 - O golpe militar no Brasil (em 2014 este tema será muito lembrado em razão 50 anos, da exumação dos restos mortais de Jango e da hipótese de JK ter sido assassinado), inscrevendo-o no contexto da Guerra Fria.

Uma parte influente e expressiva do comando das forças armadas brasileiras destituiu Jango que havia assumido o governo em 1961, após a renúncia do Presidente Jânio Quadros. Os militares golpistas tinham uma opinião convergente com as elites nacionais, o capital estrangeiro e o governo dos EUA de que Jango estaria estimulando e facilitando o avanço das esquerdas brasileiras valendo-se de uma agenda de governo que ia além das concessões que o capital poderia fazer. Como o governo jango se inscrevia num cenário regional marcado pelo avanço das esquerdas entusiasmadas com a situação de Cuba depois da revolução de 1959 e num cenário mundial caracterizado pela polarizada disputa multifacetada entre os EUA e a URSS pelo comando do mundo. Os militares não teriam agido se não tivessem a convicção de que teriam guarida do governo dos EUA, das elites nacionais e do capital estrangeiro.

10 - O quadro geral internacional com destaque para os crescentes movimentos clamando pelo fim das ditaduras (laicas ou religiosas) no Norte de África e no Oriente Médio, conectando estes eventos com o avanço das informações e das organizações pelas redes virtuais.

(Leiam meus comentários sobre este assunto cobrado pela FUVEST 2ª fase 2014)

12 - Uma comparação entre os estilos arquitetônicos europeus: Romanesco, Gótico, Renascentista e Barroco barroco destacando suas semelhanças, seus contextos e suas diferenças.

Românico: Predominante na Alta Idade Média quando da consolidação do sistema feudal, caracteriza-se pela serenidade, pelo rigor geométrico e por traços rústicos e robustos. Os castelos de estilo românicos geralmente eram amuralhados feitos de pedras e com janelas relativamente pequenas. 

Gótico: Predominante na Baixa Idade Média, período marcado pelo renascimento do comercio, florescimento das cidades, surgimento da burguesia e afirmação dos ofícios lucrativos. As catedrais góticas eram construídas sob a influência dos dirigentes católicos, contudo financiadas pelos ricos comerciantes e artesãos. O estilo é caracterizado pelo esplendor e diversificação, diante da necessidade de iluminação interior (geralmente maior do que as catedrais românicas), utilizaram-se muitos vitrais multicoloridos ladeando o edifício. Geralmente as catedrais eram pontiagudas e mais altas, o que reforçava a imponência de uma instituição que começava a perder forças. 

Renascentista: Muito forte na passagem da época medieval para o período moderno, momento do colapso do sistema feudal (século XIV) e início da transição feudo capitalista (séculos XV e XVI). As edificações tinham como referência o estilo clássico, mas, diferentemente do românico, seus conceptores e construtores procuravam sofisticar e diversificar. Embora imponentes os edifícios eram a evidência de um esforço para que a sociedade se visse representada neles e responsável por eles, numa demonstração de racionalismo e pragmatismo. 

Barroco: No contexto da reforma católica, entre a segunda metade do século XVI e meados do século XVIII, este estilo tinha uma forte influência da cúpula católica e, geralmente, passou a ser considerado um contraponto ao renascentista (clássico). A preocupação com a harmonia e equilíbrio, embora coincidente com o renascentismo, tinha como objetivo restabelecer uma relação de submissão da razão, do indivíduo com o sagrado, com a Santa Sé, enfim com um “Deus onisciente e onipotente”. Nota-se no barroco  o rebuscamento o excesso de ornatos e a sinuosidade.
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