12 de abril de 2014

CHILE 3 E agora Bachelet?

Cires Pereira 15 de Dezembro de 2013

Bachelet promete um "Chile de todos"

As eleições chilenas terminam neste domingo (15/12) confirmando a vitória folgada da ex-Presidenta Michele Bachelet para o seu segundo mandato presidencial (2014/2018). Faltaram 3 % para ter sido eleita no primeiro turno, muito provavelmente o elevado Índice de abstenção no primeiro turno foi decisivo para que houvesse o 2º turno.

Nas eleições para o Congresso Nacional a "Nova Maioria", bloco liderado pelos Partidos Socialista e Democrata-cristão, passa a ocupar 68 das 120 cadeiras na Câmara dos Deputados e 21 das 38 cadeiras no Senado. O próximo governo de Michele Bachelet terá os apoios da maiorias nas duas "casas", contudo precisará negociar com alguns opositores direitistas ou "conservadores" (apoiaram a candidata governista Evelyn Matthei) caso queira promover reformas constitucionais em áreas consideradas pelo novo governo como prioritárias, a saber: saúde e educação. Bachelet encontrará até mesmo entre alguns deputados e senadores da "Nova Maioria" resistências pontuais.

Possivelmente uma reforma tributária poderá ser aprovada pois necessita apenas de maioria simples, mesmo assim poderá o governo ter que negociar para impedir um rechaçamento desta reforma pois ela poderia destinar percentuais maiores das receitas públicas às possíveis mudanças constitucionais nas áreas mais delicadas: saúde e educação. 

A "Nova Maioria", constituída para estas eleições, agregou os partidos principais da Concertaccíon, comunistas e alguns independentes. Bachelet espera ter respaldo deste consórcio para governar, não foram raras as vezes que ela condicionou sua candidatura e a sua eventual governabilidade ao apoiamento desta "Nova Maioria". Terá que negociar e transigir bastante com os setores organizados da sociedade chilena, como os sindicatos, sobretudo os sindicatos de trabalhadores.

Michele Bachelet que presidiu o governo entre 2006 e 2010 e que esteve a frente da ONU-Mulheres, retorna à chefia do governo com disposição e, principalmente, com legitimidade suficiente para avançar em novos marcos regulatórios chancelados por uma possível nova Constituição que reduzam distâncias sociais e ampliam os acessos do cidadão de menor renda ao atendimento médico-hospitalar, à saúde e educação de qualidades. Não se pode ignorar um importante avanço durante o seu governo na área previdenciária. As reformas tributária, da saúde e da educação foram postergadas em 2010 em razão da vitória do centro-direitista Sebastian Piñera. Com a volta de Bachelet ao governo e um parlamento teoricamente propenso à amparar a agenda de Bachelet, o Chile pode continuar mudando ..., esperamos, pra melhor!
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