CHILE 2: ELEIÇÕES GERAIS NO CHILE: O PROVÁVEL TRIUNFO DA CONCERTACIÓN

CIRES PEREIRA - 16 DE NOVEMBRO DE 2013



Michele Bachelet
Michelle Bachelet deverá ser eleita presidenta do Chile, é o que indicam as últimas pesquisas de intenção de voto. Existe uma boa possibilidade de já vencer no 1º turno que acontece no dia 17 de novembro de 2013, uma grande inovação nestas eleições (o Brasil deveria fazer o mesmo) é o fim da obrigatoriedade de votar, as projeções indicam que 9 milhões de eleitores dos mais de 13, 5 milhões de leitores votarão. Apontando para, em circunstâncias como esta, uma boa participação popular, reforçando ainda mais as bases da democracia chilena.



Em tempo: Segundo o último boletim eleitoral expedido pela Justiça Chilena, haverá segundo turno entre a socialista Michelle Bachelet que obteve 46, 7 % dos votos e a governista Evelyn Matthei que obteve 25 % dos votos.

 Michelle Bachelet governou o país entre 2006 e 2010 amparada pelo consórcio de partidos que se empenharam na condução do processo de redemocratização do Estado chileno ao longo dos anos 80 e que passou a governar o país desde 1989. A “Concertación de Partidos por La Democrácia” amparou ainda as gestões de Patrício Aylwin , de Eduardo Frei e de Ricardo Lagos. 

Nas últimas eleições presidenciais (2009) Bachelet não conseguiu eleger seu candidato e o Chile voltou a ser governado por lideranças conservadoras sob a chefia do então Presidente Sebastián Piñera.

Bachelet que é do PS (Partido Socialista) tem os apoios dos “democratas cristãos”, dos “socialistas” e dos “comunistas”. O descontentamento crescente em relação ao governo conservador de Sebastián Piñera, sobretudo no seu último ano de governo, em razão das políticas do governo neoliberal e a plataforma de Bachelet prometendo uma atenção maior aos chilenos mais pobres e menos assistidos pelo Estado. 

Bachelet que no quadro político-partidário chileno se auto nomeia centro-esquerdista deverá derrotar as candidaturas de Evelyn Matthei (governista e conservadora); de Franco Parisi (independente, liberal e dissidente dos conservadores) e de Enriquez-Ominami (esquerdista).

Presidente Piñera e a candidata Evelyn Matthei

Curiosamente Bachelet tem feito promessas que ela mesma não pode ou não quis realizar durante sua gestão, levando-nos a suspeitar de que se trata apenas de uma estratégia de encantamento para arregimentar votos preciosos e que, tão logo assuma o governo, não as implementará. Lamentavelmente este é um expediente muito recorrente no mundo inteiro: as promessas são feitas, o candidato é eleito, mas durante sua gestão simplesmente as ignora.

Michelle Bachelet promete robustecer mais ainda as bases da democracia e ampliar recursos públicos para os programas sociais que poderiam mitigar as desigualdades entre pobres e ricos que são, mesmo no Chile, enormes. Segundo Bachelet isto só será possível se houver um novo marco jurídico no país, isto é uma nova Constituição que, entre outras coisas, reformule a política tributária que permita ao Estado um volume maior de recursos pra fazer frente às demandas sociais no país. Nas contas de Bachelet, serão necessários pelo menos mais 8 bilhões de dólares ao ano para que o seu eventual governo realize o que tem em mente. A carga tributária assim deveria aumentar pelo menos 5 %, considerando que a sonegação tributária no Chile é bastante pequena, numa comparação com o Brasil.

Os conservadores que amparam a principal rival de Bachelet nestas eleições alegam que o aumento da carga tributária comprometerá o emprego e implicará em queda nos investimentos privados no país, “num momento em que a ordem mundial exige uma redução dos custos nacionais”, Michelle Bachelet caminha na direção oposta”, lamenta um importante membro da direção da campanha de Evelyn Matthei, integrante do governo Piñera e filha de um General que apoiou obviamente o governo Pinochet , que preferiu o anonimato. Este “lamento” sinaliza o desânimo dos conservadores nesta reta final da campanha e a provável vitória de Bachelet.

As eleições para o legislativo local e, principalmente, para o legislativo nacional são também motivo de atenção, levando-se em conta o fato de que Michelle Bachelet propõe uma nova constituinte. Os cidadãos chilenos com direito a voto também escolherão 20 dos 38 postos do Senado, e todos os 120 novos legisladores da Câmara dos Deputados além dos conselheiros regionais.

Diz o dito popular que “gato escaldado tem medo de água fria”. Michelle Bachelet sabe muito bem que não poderá incorrer nos mesmos erros da sua gestão anterior que possibilitaram o retorno dos conservadores ao governo. Ela sabe muito bem que suas promessas de hoje que sinaliza para uma meia ou comedida refundação do Estado Chileno precisam ser viabilizadas, ao que tudo indica seus apoiadores conquistarão maioria no Parlamento, é pagar pra ver.

Em entrevista recente à BBC Michelle Bachelet disse: "O país mudou nestes quatro anos, as pessoas sabem muito melhor o que querem e o que não querem, é um país mais exigente, tem grandes expectativas e é mais consciente de seus direitos". 
Tomara que Bachelet esteja certa pelo menos neste diagnóstico, pois ela mesma será forçada a reduzir a distância comumente existente entre a intenção e gesto do governante. 

O Chile e os chilenos, por tudo que tiveram que passar nos anos de chumbo da Ditadura militar, são merecedores de mais liberdade e de melhor qualidade de vida.
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