AO MESTRE DIDI



Cires Pereira


Mestre Didi

Meu velho, nosso velho.

Você se foi.

Perda como esta não tem mensuração.

Lamento ecoa pelos cantos e recantos do Brasil negro filho de Mãe África. 


Felizmente sua arte fica.

Para muitos a mais expressiva e resistente.

O bastião do canto torto e legitimo de brasilidade e de africanidade.

Deoscóredes, vulgo Mestre Didi. Alaipini filho da ialorixá

Brasil muito deve a você, meu velho.

Você que sempre nos acolheu.

Agora é a sua vez de ser acolhido.

Mãe Senhora e filha de Ogum te recolhe.


"Mãe Senhora".  3ª do terreiro Ilê Axé Opó Afonjá.


Didi, militante incansável e brilhante da ancestralidade nagô.

Defensor da liberdade de culto e Guerreiro maior do Candomblé.

O Brasil dos negros, dos pardos e dos brancos de alma negra

reconhece e se curva à sua generosidade.
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