23 de abril de 2014

AO (ETERNO) AMOR

Cires Pereira

"Tisbe e Píramo" - Pafos (Chipre) Século IV

Eros de Afrodite ama Psiquê.
Psique não resiste e o vê.
Eros, sentenciado, dorme.
A resignação de Psiquê é menor que o amor.
O amor não se dobra ao veredito.

Misericordioso, Zeus acorda Eros
Eros armado e amado.
Psique e Eros ao Olimpo pertencem.
No Olimpo a sublimação do amor.

Na longínqua Babilônia uma parede separa Tisbe e Píramo.
Mas a fenda os aproxima.
O recíproco amor se impõe.
Na fuga, uma árvore.
Sob ela, o enlace... e a tragédia.

Mortos e imortais, graças ao amor.

Tristão de Cornualha, desde Irlanda, acompanha Isolda.
Resigna-se e entrega a Marcos, o seu rei.
Por amor a Isolda e ao (seu) rei, renuncia...
ao (seu) amor por Isolda.
Casa-se com Isolda que não é "Isolda".
O veneno interrompe o ciclo e eterniza o amor de ambos.
Ambos, Tristão e Isolda de Irlanda.

No quatrocento, Lancelot,Guinevere e Arthur... 
reeditam a triangulação amorosa.
E a his(e)tória se repete.
Igualmente em sua forma trágica.

Na pequena Verona, a grandeza do amor.
O amor entre Romeo e Giulietta.
Um amor incólume ao ódio entre os seus.
Suas vidas, não!
A tragédia se impõe e o amor se eterniza.

Nos trópicos, Peri e Cecília relevam suas visões.
Ignoram suas tradições, em nome do amor.
Para desespero dos "fieis" (cristãos), eternizam-se.
Protagonizam a alegoria do alvorecer de uma nação.

Pocahontas e Rolfe embasbacam os (cristãos)"puritanos" .
O pecado ou amor  existe e resiste 
Também "acima" do Equador.

No tempo e no espaço.
Mito ou real.
Lá ou aqui.
Ontem ou hoje.
O amor resiste e sublima.
Torna-se eterno
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